Jones reluta, mas seu futuro passa por Gustafsson

Lucas Carrano | 04/06/2014 às 18:39
Rivalidade até no virtual

Rivalidade até no mundo virtual

Alexander Gustafsson persegue Jon Jones, que quer Daniel Cormier, que venceu Dan Henderson, que (a essa altura do campeonato) já não quer mais ninguém”.

O atual cenário da categoria de meio-pesados do UFC é quase uma paráfrase mal rabiscada do poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade.

Após chocar o mundo do MMA em setembro do ano passado, Gustavão segue no encalço do Pequeno Jonathan.

Tendo feito seu dever de casa – vencendo bem a luta ofertada pós-UFC 165– o sueco apenas aguarda o title shot que lhe foi prometido em tais circunstâncias ainda no ano passado.

O Ultimate sonha com essa revanche, que reeditaria a “Luta do ano de 2013”.

Jones e Gustafsson já são capas do jogo oficial, convidados VIPs para eventos da organização e notícia recorrente nos veículos especializados.

Outros rivais de divisão, inclusive, aceitaram a situação, e projetam suas próprias chances considerando o duelo entre o norte-americano e o sueco.

Tudo perfeito.

O palco já está montado para mais um grande espetáculo no octógono. A menos que…

Jon Jones jogue um verdadeiro caminhão pipa no chopp dos mais ansiosos e apareça repleto de considerações sobre o assunto, entre elas a preferência por um outro adversário.

O que, vejam só, aconteceu.

Depois de praticamente anunciar, há duas semanas, a luta entre Jones e Gustafsson para o UFC 177, no dia 30 de agosto, o presidente Dana White teve que se manifestar sobre as razões que atrasavam a confirmação de favas tão contadas.

E ele não poupou o campeão:

Só pra esclarecer algumas coisas, as pessoas acham que estamos em meio a uma negociação contratual com Jon Jones. Nós não estamos! Ele ainda tem cinco lutas em seu contrato. Nós estamos tentando fazê-lo assinar o contrato para a luta. Ele não quer lutar contra o Gustafsson – revelou o careca ao site oficial do UFC.

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“Aceite a luta e cale-se”

De quebra, o dirigente ainda contou que Jones, na verdade, quer enfrentar Cormier, recém-mudado para a categoria dos pesos meio-pesados e que, no último mês, passou o trator, deu ré e passou de novo sobre Hendo.

O caso lembra alguma coisa a vocês? “Assine o contrato”, “quando vamos lutar?” e por aí vai.

Bom, todos se lembram o que acontenceu no episódio em questão e não dá pra dizer que as reações contra Bones foram diferentes.

Mas o Menino Navalha não é conhecido pela sutileza, seja com os cotovelos ou em suas respostas.

Apesar de ser muito bem humorado e quase sempre adotar um discurso político e comedido, o rapaz costuma reagir de maneira intempestiva quando é tirado de sua zona de conforto.

E desta vez a réplica veio por meio de um vídeo em seu Instagram:

Pedir para enfrentar um wrestler olímpico, invicto em sua carreira e ex-campeão do Strikeforce me faz covarde de alguma forma? Que tal o fato de que eu já venci o Gustafsson, quer vocês gostem do quão apertado foi ou não. É a minha carreira, não a de vocês!”, mandou o caneludo, bem na canela.

Como é ano eleitoral, e vem aí uma leva de debates, o “Albuquerque Journal” deixou a falha branca no topete, travestiu-se se William Bonner e mandou: “Sr. White, a sua tréplica”.

Conhecendo o chefão, alguém imagina que ele deixou por menos?

Gustafsson é o próximo na fila. Até o Cormier concorda. Você é o campeão, melhor peso por peso do mundo e diz que quer se tornar o melhor de todos os tempos. Bom, então você não recusa adversários, entende o que quero dizer? Você tem que lutar contra todos os melhores do mundo, de qualquer maneira. Você é o cara. Todos estão apontando para você – disparou Dana.

Depois dessa enxurrada de fatos e citações, vamos às considerações:

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Batalha campal

1. Eu até entendo o que pode estar passando pela cabeça de Jones. Querer enfrentar Cormier o quanto antes parece ser uma boa percepção, afinal de contas – mesmo sem ser um garotão – DC vem evoluindo de maneira colossal luta a luta. Além disso, o campeão jamais subiu ao cage contra o mesmo adversário duas vezes em sua carreira, e pode considerar que isso não seria um avanço tão grande – principalmente para quem pretende limpar toda a categoria e ser o maior de todos os tempos.

2. Do ponto de vista de Gustafsson, é a hora de abusar do trash talk. Mesmo que não acredite nisso, grite pra quem quiser ouvir que Jon Jones está “afinando”, ou algo do tipo. Ataque os pontos fracos do campeão e faça essa luta se tornar quase que inevitável – mesmo que isso signifique uma surra histórica dentro do octógono. Chael Sonnen já deu essa aula.

3. O momento para Cormier é ótimo. Ele entrou de gaiato nessa festa, convidado por Jones, e precisa aproveitar as possibilidades. Mesmo que mantenha o discurso político, e polido, reconhecendo o mérito de Gustafsson em uma eventual disputa de cinturão, ser a terceira parte envolvida nessa história pode lhe promover de maneira muito positiva.

4. Não é possível descartar, e parece até ser o mais provável, que essa celeuma seja uma estratégia de promoção do UFC, bem semelhante à utilizada na revanche entre Anderson Silva e Sonnen. As idas e vindas, negativas e provocações, o disse me disse e a consequente expectativa gerada são armas poderosas para garantir o sucesso desse pay-per-view.

Por fim, se me perguntarem, acredito que esse combate acontece de qualquer maneira, mesmo que a contragosto para o campeão – pelo menos diante de suas manifestações.

E cá entre nós, mesmo com uma fera como Daniel Cormier tomando um chá de cadeira, alguém não quer rever os protagonistas daquela memorável noite de 21 de setembro de 2013 no Canadá dividindo de novo o octógono?

Ele já bateu o Gustafsson. Talvez, ele esteja procurando um desafio e não acha que o Gustafsson é esse desafio que todo mundo acha que é. Pode ser que o Cormier eleve mais a sua grandeza do que alguém que ele já bateu – analisou Greg Jackson à ESPN americana.

Atualização: Está marcado! Jones e Gustafsson se reencontrarão em Toronto, no dia 27 de setembro!

  • Marcelo

    Eu acho que tudo faz parte da promoção do UFC. É o apelo da torcida contra… Pessoal quer ver o Jones perder, que nem o Brock Lesnar, que ganhando ou perdendo era vaiado.
    Agora, se o Jones tem algum receio em lutar contra Gustafsson, eu acho que só quem está lá nos treinos na Jackson’s ou conhece ele pessoalmente é que pode dizer. Ele não vai expôr isso publicamente, pelo menos eu não acredito em nada.

  • Leonardo Simões

    DC x Gustafsson seria lindo e não teria discussão sobre o próximo a enfrentar o Jones.

    • DC x Gustafsson é desperdício pro UFC. Eles querem fazer as duas lutas (Jones-Cormier e Jones-Gustafsson II) acontecerem.

      • Gabriel Castelani

        Isso só ira acontecer se ambos forem derrotados pelo campeao em sequencia, ou entao, se Jon jones perder para algum dos dois e DC ou Gustafsson ganharem o tittle shot…..obvio depois de todas as revanches que isso implicaria!

      • Lucas Pereira Carrano

        Essa noção já era bem estabelecida, mas as palavras do Dana após o anúncio de Gustavão x Jonathan (da nova geração) 2 apenas endossaram a ideia, Alexandre.

  • Aí é que está a parada, dentre a primeira frase (título) e a última. Jon Jones vai lutar de novo com Gustafsson. Isso só não necessariamente precisaria ser agora. O UFC poderia deixar acontecer Jones-Cormier no UFC 177 e escalar o sueco no evento de Estocolmo. Isso nada mais seria do que uma reedição do que foi feito com Anderson-Sonnen, quando o UFC fez o americano lutar duas vezes antes de disputar o cinturão novamente.

    Eu vou achar ótimo ver Jones-Gustafsson II, como acharia ótimo ver Jones-Cormier (acho que este tem problemas diferentes a apresentar ao campeão do que aquele). Aí a gente entra na questão de o UFC fazer o que o Jones quer, ou seja, recriar um Anderson Silva – ainda que o Jones não esteja pedindo por lutas toscas como Cung Le ou Nick Diaz, sentando em cima do cinturão e travando a fila. Ele quer um oponente muito do cascudo.

    • Dan Mendes

      Mas não é o UFC que quer fazer JJ x DC, é o Jones. O UFC quer fazer JJ x Gustavão agora!

      • Acho que você me interpretou mal, porque eu não disse que o UFC quer fazer Jones-Cormier.

  • Gabriel Castelani

    Já comentei isso algumas vezes, acho que Jon jones nao tem medo de ninguem! Até porque ele ta sempre se provando e querendo ser provado! Um cara que nao faz muito tempo dizia querer subir de categoria e enfrentar Cain Velaquez vai ter medo do Gustafsson? (con todo respeito ao Sueco, que é uma fera tambem!) O Bones ta querendo ver o Gustafsson lutar, quer encontrar uma brecha em seu jogo, pra nao ter que ir para o Hospital (mesmo vencendo), isso encurta a carreira de qualquer um, na soma ele mais perde do que ganha! Hoje sem duvidas o Cormier seria um desafio mais facil para o campeao! Afinal em pé o sueco pode acertar com mais facilidade do que qualquer outro da categoria, e o jones nao conseguiu derrubar o vicking, entao vai ter que trocar, e ai sangra…..doi! Concerteza, hoje o Americano entende muito mais GSP e Anderson Silva, Aldo! Nao é facil ter o seu jogo estudado por todos e continuar sendo campeao!

  • zagolee

    Impecável!

    Qualquer umas das lutas vai ser algo fodástico… kkk!

  • Leo Ferreira

    Por mim, nhoca! Qualquer uma das duas lutas seria fantástica de assistir, o que me intriga é se o careca vai se curvar e voltar atrás do anuncio feito anteriormente, ou vai fazer o garotão baixar a crista e aceitar a luta logo…

    • Perfeitamente. Não pode deixar o Jones fazer o mesmo que o Anderson fazia.

  • Lucas Pereira Carrano

    Uma das perguntas mais recorrentes já foi respondida:

    O UFC não cedeu à pressão de Jones, mesmo que depois de assinar o acordo ele tenha negado que se opôs ou travou o acerto de qualquer maneira (embora o vídeo que divulgou seja uma prova cabal do contrário).

    Não quero nem entrar no mérito se a organização agiu certo ou errado, acho um julgamento muito pessoal e, principalmente, prematuro neste momento.

    O caso é que Dana, Lorenzo, Frank e Joe cacarejaram mais alto no terreiro e fizeram valer a preferência da organização – que visa, claramente, atender o apelo do grande público pela reedição da “Luta do ano de 2013” (principalmente 1 ano e seis dias depois e no mesmo local).

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