Considerações Finais: a leitura do UFC FN 41

Lucas Rezende | 31/05/2014 às 20:53

Olá, leitor.

Seja muito bem-vindo, meu nome é Lucas Rezende, sou jornalista, e você talvez me conheça pelas colunas de análise do UFC no Testosterona Sports.

Agora, é com orgulho que anuncio fazer parte do elenco do Sexto Round.

Estou aqui para lhe trazer o meu ponto de vista sobre assuntos relevantes relativos ao MMA.

Na coluna de hoje você poderá concordar ou discordar das minhas opiniões sobre o UFC Fight Night 41, ou UFC: Berlim.

Acompanhe-me e sinta-se em casa.

Discreto, como de costume

10246440_10152430811736276_19306660559634000_n

Mousasi fechando o caixão

Gosto de pensar que Gegard Mousasi sabia o quanto esse confronto era importante para definir quem ele seria dentro do UFC.

Se fosse derrotado por Mark Muñoz, não sentiria nem o cheiro do topo da categoria tão cedo.

Mas, com seu semblante inabalável, eu não poderia arrematar minhas suspeitas.

Até o combate começar.

Ciente da deficiência mais notável de Mousasi – a defesa de queda – Muñoz procurou derrubar o holandês assim que o relógio começou se mover, apenas para testemunhar, em primeira mão, o sprawl aprimoradíssimo do oponente.

Isso quando não foi raspado segundos após concluir um double leg.

Era apenas o primeiro assalto, mas já parecia uma questão de tempo até que Gegard definisse o confronto.

E assim foi, com um mata-leão – o sexto da carreira, aliás.

Nada fora do comum, nenhum motivo para fortes emoções, como Mousasi pode lhe assegurar.

Apesar de ter sido sua terceira exibição pelo UFC, parece que somente agora Gegard debutou no evento, depois de um par de performances aquém daquilo que se esperava de um atleta tão famigerado em organizações como Strikeforce, Dream e Pride.

Com um triunfo imponente dentro do octógono, ele pode, enfim, começar a trilhar seu caminho ao título sem precisar mais provar se pertence ou não ao maior evento do mundo.

Alguns simplesmente precisam de mais tempo para se habituar à nova casa.

No caso de Muñoz, restam poucas opções para o wrestler de 36 anos.

Duas derrotas rápidas em lutas principais certamente lhe custarão pontos de credibilidade com a alta cúpula do UFC.

Mas com o sonho de sagrar-se campeão devidamente sepultado, ainda podemos vê-lo como um veterano tarimbado, acostumado com vitórias e derrotas.

Mark pode, por fim, se desprender de metas tão exaustivas como os sacrifícios exigidos para se tornar o melhor do mundo, e apenas mostrar suas habilidades contra quem for posto à sua frente.

Ou se aposentar, se preferir desistir a se acomodar. Não vejo vergonha em nenhuma escolha.

Bem vindo à elite, C.B. Dollaway

10409535_10152430811446276_7051235272268235630_n

Olá, como vai!?

O Doberman fez por merecer.

Depois de anos taxado como lutador maçante, o americano teve a coragem de reformular seu estilo e procurar fechar as lacunas que lhe impediam de ascender até o patamar seguinte dos médios.

Daniel Sarafian e Cezar Mutante puderam comprovar a mudança, assim como Tim Boetsch, embora os juízes tenham atravancado seu caminho, contra o americano.

O novo comportamento conquistou a notoriedade prevista e C.B. se encontrou diante do Top 10 da divisão ao encarar Francis Carmont em um confronto de recuperação para o francês (batido por Ronaldo Jacaré em Jaraguá do Sul).

Mas em meio às instruções berradas em francês por Georges St-Pierre, Carmont cedeu às provocações e ao arsenal evoluído de Dollaway ainda no início do embate.

E quando pôde reagir, foi abafado pela luta olímpica do americano, que ainda permanece em dia, caso alguém duvidasse.

Em sua primeira dupla de derrotas consecutivas desde que entrou no UFC, Carmont cede seu espaço na vanguarda da categoria a um atleta emergente com muito mais evidência, pois seus triunfos contra Lorenz Larkin e Tom Lawlor são altamente discutíveis.

Dollaway, por sua vez, demonstra desenvolvimento técnico que Francis parece estar acomodado demais para buscar.

Talvez os recentes reveses sirvam como motivação para retomar a posição perdida com mais afinco.

Na medida de sua necessidade

855192664Após três lutas iniciais enfadonhas no card preliminar, Iuri Alcântara confirmou seu favoritismo sem perder tempo, precisando de somente um overhand de esquerda e uma pitada de ground and pound para dar cabo de Vaughan Lee.

25 segundos indispensáveis para a carreira do brasileiro.

Depois de uma vitória apertada contra Wilson Reis, e uma derrota retumbante para Urijah Faber antes disso, Iuri necessitava de algo impressionante para não ser enxotado do Top 10 dos galos, especialmente após já ter trocado de categoria.

Confiante no talento do paraense, o UFC lhe concedeu o homem certo para o papel: Vaughan Lee.

Inconsistente, o inglês alterna derrotas e triunfos desde que estreou no octógono, e apesar da dominante decisão unânime sobre Nam Phan em sua última aparição, não podemos nos deixar enganar.

Phan tem uma habilidade impressionante de fazer lutadores medíocres parecerem incríveis graças à sua defesa praticamente inexistente.

Embalado por esse resultado empolgante, Lee não temeu a própria trocação fraca diante de Marajó.

O castigo veio a cavalo.

Para não perder o costume, Lee perde mais uma e deve receber um adversário mais à sua altura em seu próximo compromisso, enquanto Alcântara segue em frente com um par de vitórias.

O equilíbrio permanece incólume na divisão dos galos, dessa vez.

O que já é chocante, levando em consideração os eventos mais recentes.

  • William Amaral

    Parabéns pela estreia, Lucas. Você acha que o Marajó ainda chega a uma disputa de cinturão? (Lembrando que ele já tem 33 anos)

    • Lucas Rezende

      Em tempos de Johnny Eduardo nocauteando Eddie Wineland e T.J. Dillashaw dominando Renan Barão, acho perfeitamente possível, sim! Ainda mais depois dessa vitória, o Marajó mostrou que ainda tem vontade de ser campeão.

  • Renan Trigueiro

    Seja bem-vindo Lucas. Acho que o Marajó pode ser uma força na peso galo, mas queria ver ele fazendo intercambio com uma equipe grande. Obs: Mousasi tirou onda!

  • Tiago Nicolau de Melo

    Lee muito despretensioso na joelhada, que isso? Iuri soube aproveitar e despachou. Mousasi vai ser complicado de ser batido nessa divisão, bem como o algoz Lyoto… Top 5, fácil. Já dá pra avisar o CB que apartir de hj o buraco é mais embaixo. Parabéns pela estréia, Lucas… manda um abraço pro seu tio Marcelo. KKK

  • vicente fernandes

    Bem vindo lucas e parabens pela estreia excelentes analises,o iuri pediu revanche contra o faber oq acha?na minha opinião um adversário bem plausível seria o mizugaki,ate pq teremos em breve evento no brasil e no japão dava pra encaixar essa luta num desses cards,abs.

    • Lucas Rezende

      Não sou fã de revanches imediatas ou com poucas lutas após o combate original, então não gostaria de ver Iuri e Faber novamente, ainda. Sem falar que o Urijah tem compromisso marcado com o Alex Caceres.

      Contra Mizugaki poderia ser interessante, mas sinto que o japonês está um passo a frente do Marajó, no momento, já que ele venceu suas cinco últimas. O coloco junto com Rafael Assunção como os dois principais desafiantes ao título, atualmente.

      Gostaria de ver o Iuri contra Michael McDonald ou até mesmo recebendo o Dominick Cruz de volta, acho que ambos esses confrontos fazem sentido pro paraense.

  • Paulo Assis

    Opa, seja bem vindo, gostaria de saber de vc brincando de Joe Silva, qual a melhor luta no momento da categoria para o Mousasi??? Vou lhe dar 5 opções….
    1- revanche com o Jacare
    2- Luta de estilos parecidos contra o Luke Roclhold
    3-Kennedy
    4-Main vs co- main Mousasi vs CB
    5- Olimpico wrestler Yael Romero

    • Lucas Rezende

      Tanto Kennedy quanto Rockhold são boas opções pro holandês, acredito que elas façam sentido. A revanche com o Jacaré também poderia acontecer, mas as duas alternativas anteriores me apetecem mais.

      Quanto a Dollaway e Romero, os vejo um pouco atrás de Mousasi. Acho que colocar um contra um outro poderia ser interessante, no entanto.

Tags: ,