Bethe Correia, a Pitbull, ladra… e morde

Lucas Carrano | 06/05/2014 às 23:14

Foi um gesto simples, que pode ter passado despercebido à grande maioria dos fãs de MMA que acompanharam o UFC 172, realizado no último dia 26 de abril.

Após derrotar Jessamyn Duke no card preliminar da noite, a brasileira Bethe “Pitbull” Correia foi cumprimentar os corners da rival, entre os quais estava a campeã Ronda Rousey.

RR

Matemática da Pitbull Brothers: 4 – 1 = 3!

Ao se aproximar de Ronda, no entanto, Bethe recebeu uma negativa da loira, que lhe virou as costas e negou o aperto de mãos.

Até aí, nada de novo.

Ronda tem um histórico de ira passional e oposição ferrenha àqueles com quem venha a dividir o octógono – seja em qualquer função, aliás.

O fato novo, então, é a forma como a brasileira reagiu.

Pitbull ergueu quatro dedos em direção às câmeras e logo em seguida abaixou um deles.

Deixe-me explicar melhor para aqueles que possam não ter entendido o movimento.

Ronda Rousey faz parte de um grupo chamado “Four Horsewomen” (ou “As quatro amazonas”, em tradução livre) ao lado de Shayna Baszler, Marina Shafir e a própria Jessamyn Duke.

Shayna é uma veterana do MMA feminino e, juntamente com Jessamyn, fez parte do time Rousey no TUF 18.

Baszler, aliás, foi a responsável pelo famoso episódio do choro de Ronda no reality – após ser surpreendentemente derrotada por Juliana Peña.

Já Shafir, apesar de ser uma novata no esporte, é a BFF (amiguinha inseparável) de Rousey e, além de aparecer em quase todas as fotos da loira nas redes sociais, também fez parte da equipe da campeã no reality show, mas como membro da comissão técnica.

Munidos de tal informação, já somos capazes de constatar que o gesto de Bethe, se traduzido em palavras, equivale a um: “Uma já foi, restam três!”.

E se ainda restaram dúvidas, a própria Bethe passou a história a limpo.

Jessamyn é membro do grupo. Como eu a venci, fiz o gesto para o caso de enfrentar alguma outra delas, a quem vou vencer também – disparou a paraibana radicada no Rio Grande do Norte.

Para mim, é impossível não associar a situação aos grupos de “chefes”, como chamamos nos videogames ou nos desenhos animados – algo como as “Forças Especiais Ginyu” de Dragon Ball Z, a “Batalha das 12 Casas” em Cavaleiros do Zodíaco ou o quarteto Balrog, Vega, Sagat e M. Bison em Street Fighter, por exemplo.

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Shafir, Ronda, Duke e Bazler: quarteto malvadão

Quem já está familiarizado com o conceito descrito acima, já sabe que é preciso conquistar o direito de enfrentar o desafio final, encarando os outros sub-chefes até chegar ao tão temido “Último chefão”.

E é justamente aí que reside um mote interessantíssimo para ser explorado pelo UFC nos próximos meses, principalmente diante dos duros golpes que a organização vem sofrendo neste ano.

Cria-se uma janela de oportunidade para que o Ultimate promova as lutas de Bethe, e também a categoria feminina, por meio de sua escalada rumo ao topo da divisão.

A subida da brasileira, degrau a degrau pelas “Horsewomen” até chegar Ronda Rousey – que, aliás, tem se mostrado tão dominante que pode ser comparada àquele chefe bem apelão.

A ideia encontra apoio até mesmo na própria campeã, que apesar de não afrouxar diante das críticas da brasileira, e como de praxe rebater a altura, elogiou a ousadia de Bethe e admitiu um futuro confronto.

Essa garota (Bethe) está invicta e venceu uma de minhas amigas… Pode ser uma luta muito interessante para mim. Se a Miesha Tate conseguiu um “title shot” por que não dar um pra ela? – mandou Ronda, que nunca perde a chance de diminuir sua grande rival.

O primeiro passo na direção de promover Bethe Correia como uma figura ao mesmo tempo ascendente na divisão e opositora ao grupo “Four Horsewomen” já foi dado: a brasileira foi confirmada como adversária de Shayna Baszler no UFC 176, em agosto.

Em seu segundo pay-per-view seguido, Bethe vai ter a chance de chegar à metade de sua saga – para, então, aguardar a chegada de Shafir ao Ultimate ou já avançar uma casa e pleitear uma disputa de cinturão contra Ronda.

Para uma divisão que já começava a sentir o marasmo provocado pela hegemonia de Rousey e recorria a estrelas de fora da organização e até mesmo aposentadas para esquentar as coisas, é uma surpresa e tanto.

E tudo bem ali, no quintal do Ultimate.

  • Renan Trigueiro

    Outro ótimo texto do Lucas! A estorinha tá ficando bacana mesmo, espero que a Bethe siga ganhandoo

    • Vitor MacGruber

      Mas dificilmente ela venceria da Ronda, seria derrubada com facilidade e finalizada numa chave de braço.

      Única mulher que vence da Ronda é a Cyborg, de resto…

  • Nivaldo Correa

    War Betinhaaa futura campea!

  • Gustavo Trigueiro

    Esse episódio do tuf em q Ronda chorou feito “menina mimada” foi épico, pois ela falava q Juliana Pena não merecia estar no mesmo octógono com Shayna. Juliana foi dominante na luta e calou a boca da campeã.
    Qto à Bethe, é uma excelente atleta com boa trocação e uma equipe tb mt boa (Pitbull brother’s). Entretanto, tem q evoluir mais, principalmente no wrestling e no jiu-jiutsu.
    Dessa forma, mantendo a humildade e determinação, Bethe tem tudo para se transformar de prospecta para uma grande lutadora, figurando nas cabeças da categoria.

    • Lucas Pereira Carrano

      Esse episódio no TUF 18 me fez, muito, querer assistir uma luta entre Julianna Peña e Ronda Rousey! hahahaha

      Mas a lesão da descendente de venezuelanos é muito grave, e tem gente falando que ela pode ficar no estaleiro por até dois (!) anos.

      • Gustavo Trigueiro

        Verdade. Rompimentos dos ligamentos do joelho é bastante sério. Fica nossa torcida pra q ela volte antes, já q a recuperação de atletas costuma ser mais célere.

  • Leo Corrêa

    muito legal o texto. parabéns o

    p.s.: acho a Bethe Correia muito linda! ah, se eu tivesse chance… hehehe.

    • Gustavo Trigueiro

      Já pensou o rosto da Ju Thai no corpo da Bethe! Seria pra matar!!!!

  • Dan Mendes

    Ronda é gênio, numa única declaração promoveu um desconhecida, elogio uma possível adversária, e provocou uma arqui-rival.

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