Seria o México a nova mina de ouro do UFC?

Renato Rebelo | 01/05/2014 às 00:53
Apresentação oficial

Apresentação oficial

O boato de que Cain Velásquez ficaria fora de combate até meados de 2015 caiu por terra na tarde desta terça-feira.

Em coletiva de imprensa, Dana White anunciou que seu campeão peso-pesado retorna à labuta dia 15 de novembro, na estreia do UFC no México.

Antes disso, ele ainda capitaneia, ao lado de Fabrício Werdum (rival deste UFC 180), a primeira temporada do TUF voltada exclusivamente para o público latino.

Em miúdos, a rápida recuperação do produto da AKA garante ao Ultimate bônus que vai muito além de um pay-per-view rentável.

Isso porque o mercado televisivo mexicano é, a exemplo do nosso, monopolista.

Sem a Televisa (a Rede Globo deles), o UFC jamais atingiria o número desejado de espectadores – tampouco teria à disposição meios satisfatórios para distribuir seu produto.

O talentoso “chicano” (norte-americano de ascendência mexicana) de espanhol fluente e com “Brown Pride” (orgulho marrom – latino) tatuado no peito, foi o Cavalo de Troia perfeito para Dana fechar esse baita negócio.

Afinal, mexicanos, ávidos por boxe e telecatch, podem, muito bem, a médio-longo prazo, demandar tanto MMA quanto brasileiros, canadenses e americanos – ao passo que sua economia aquecida deve crescer na casa de 4% em 2014.

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A Arena Ciudad de Mexico comporta até 22 mil fãs

E mais: a tradição não mente.

Porradeiros campeões de bilheteria do naipe de Oscar De La Hoya, Julio Cesar Chavez, Juan Manuel Marquez e Saúl “Canelo” Álvarez brotaram daquele solo.

O único entrave inicial pode ser a ausência de talento genuinamente mexicano para satisfazer o orgulhoso público local.

Fora os destaques do reality show (que contará com galos e penas), provavelmente, só Erik “El Goyito” Perez e Frank Trevino defenderão a pátria no card.

O UFC tenta, com garra, explanar as raízes de caras como Diego Sanchez, Gilbert Melendez, Ricardo Lamas, Kelvin Gastelum entre outros – mas a maioria sequer pisou em solo mexicano e tampouco fala espanhol.

De alento, fica o indício de que a edição de número 180 virá pesada:

Quero chegar no México botando o pé na porta. Primeiro, teremos o TUF, que é a melhor ferramenta de marketing para o MMA que já tivemos. Depois, vou trazer as melhores lutas e o melhor evento que eu puder – garantiu o careca.

Se por aqui estreamos com Anderson Silva, Maurício Shogun e Rodrigo Minotauro na mesma noite, o que teremos por lá?

Fica só a torcida para o problemático ombro direito de Velásquez não melar a festa:

Sempre disse que não viria ao México sem o Cain. Ele é um cara jovem e está se recuperando muito rápido. Morda sua língua, senhor, morda sua língua – respondeu Dana a um repórter que perguntou o que aconteceria se o campeão se machucasse novamente.

Abraços.

  • Rodrigo

    Rebelo, tenho que discordar do espanhol fluente do Cain. Pelo menos nas poucas entrevistas que vi dele em espanhol, via uma pessoa extremamente incomodada e pouco confortável com o domínio da língua.

    Fora isso, a Televisa tem um poder monstro e tradicionalmente o país é um “consumidor nato” dos Estados Unidos. Com o poder de mkt das duas marcas e o dinheiro por trás, tem tudo para crescer muito por lá mesmo.

    Aliás, se não me engano, é o Reto de Campeones que já começou a fazer diversos cards em um dos principais monumentos do DF, ao ar livre e aberto ao público. O UFC agradece essa “ajudinha” para popularizar o MMA por lá.

    • Renato Rebelo

      Grande Rodrigo! O tópico “fluência do Cain” é interessante. O próprio Werdum já disse aqui pro site que o espanhol dele não é 100% (http://sextoround.com.br/2244-werdum-revela-velasquez-nao-fala-muito-bem-espanhol). Não falo espanhol, portanto, não sou o melhor pra julgar. Mas, baseado na coletiva de imprensa de terça – e nas entrevistas subsequentes-, o cara respondeu tudo sem gaguejar nem parar pra pensar. É claro que ele usa mais palavras-chaves, mas, msm assim, ele se comunica direitinho e sem aquele sotaque pesado americano. Acho que vale dar um crédito pro cara. Abração.

      • Rodrigo

        Pra ser sincero não vi essa entrevista, então pode ter melhorado bastante… Mas to apostando em uma edição tipo o TUF BR 3, onde o Sonnen acaba ganhando mais do que o atleta “local”. Simplesmente pelo jeitão Werdum e a maneira caladona do Velasquez.

        Mas sim, no final das contas, a grande maioria vai apoiar o Velasquez mesmo, sem dúvidas….

  • Renan Trindade

    Essa “deal” com a Televisa demorou muito mas finalmente saiu. Golaço, pq o público cucaracha curte e muito uma boa briga!

  • Dan Mendes

    O Dana é megalomaníaco: Ele quer popularizar o MMA no mundo inteiro. A questão aí não é o Mexico, mas sim toda a América Latina.

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