O UFC e o choque de realidade na TV aberta

Lucas Carrano | 23/04/2014 às 21:12
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Werdum golpeando Browne no último sábado

Nem a apresentação dominante de Fabrício Werdum na vitória sobre Travis Browne, nem mais uma atuação assombrosa de Khabib Nurmagomedov (com a ascensão do russo fica cada dia mais fácil digitar ou falar o seu nome sem titubear uma vez sequer) ou nem mesmo a primeira vitória da cada dia mais linda (sorry, Bryan Caraway) Miesha Tate no octógono.

Para mim, a grande noíicia do UFC on FOX 11, realizado no último sábado (19), veio no dia seguinte.

E foi uma grande notícia no sentido ruim da coisa. Isso porque o resultado do evento em Orlando no quesito audiência foi o pior da história do Ultimate na TV aberta dos Estados Unidos, atrás de seus dez antecessores.

Ao todo, foram 1,98 milhão de expectadores ligados na transmissão de um dos melhores cards do ano (senão o melhor, como vi na opinião de muitos) e que foi um sucesso de bilheteria.

Este número rendeu à FOX, empresa do grupo News Corp. (comandada pelo magnata Rupert Murdoch, figura conhecida por quem acompanha “Os Simpsons”), a lanterninha entre as quatro grandes emissoras dos EUA.

No share, avaliação de alcance em seu público-alvo, o UFC on FOX 11 superou apenas a CBS, que exibiu três reprises de seriados na faixa entre 20 e 22 horas, pelo horário da costa leste.

A liderança no período foi da ABC, que transmitiu sua reprise anual (isso mesmo, você não leu errado, todo ano tem) de “Os Dez Mandamentos”, em função da Páscoa.

Logo, a concorrência não era cruel – como as decisões do basquete universitário no March Madness, que complicaram a vida dos eventos no FOX Sports 1 no mês passado.

Apesar disso, o tema não parece preocupar tanto o presidente Dana White, que acredita no projeto a longo prazo com o grupo FOX:

Eles estão muito animados com o UFC! E se não estivessem, eu não estaria tão animado com a FOX. Vocês me conhecem, sabem como eu sou. Eu jamais falei tão bem sobre um parceiro”, disse o careca, afastando a crise.

Estruturalmente, seria melhor para o meu texto que eu apresentasse minha premissa mais pro fim, mas como tenho fritado no assunto, abrirei aqui uma exceção.

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“Goldie”, Rogan e os mics da Fox

A pergunta que tem me ocorrido é: Teria o MMA queimado a largada para o mainstream?

Ou sua variante: Será que o esporte não aguentou a pressão da mídia de massa?

Esse movimento de popularização do esporte e expansão global da marca UFC é notório, e teve no ano de 2013 seu expoente recente.

Mas já começam a pipocar questionamentos sobre até quando vai resistir à dura relação com o grande público, que é cruel (basta ver quantas boas iniciativas não resistem aos canais abertos, enquanto outras de qualidade duvidosa acabam perdurando).

Um exemplo: Antes de investir pesado no futebol, a Nike tentou de todo jeito fazer com que o basquete fosse o esporte mais popular do planeta.

Como vocês devem imaginar, a empreitada não logrou êxito e a empresa do swoosh se contentou com objetivos mais modestos.

Quem dera o UFC tivesse o espaço e aceitação da NBA

Como disse acima, são contextos distintos para situações semelhantes, o que paira neste paralelo é a dúvida se chegou a hora de reavaliar a política de expansão agressiva.

E isso não é só nos Estados Unidos.

O público brasileiro, apesar de ainda ser um dos que proporcionam os maiores espetáculos nas arquibancadas, já tem respondido de maneira mais comedida aos estímulos do Ultimate e já se tornou comum vermos eventos sem lotação que se aproxime da máxima – levantando outra questão, sobre a qualidade dos espetáculos e apelo dos atletas que tem sido trazidos ao país, pela qual vou passar batido.

WAND

TUF não decolou nem com o drama entre Wand e Sonnen

Outro ponto marcante é que a audiência do The Ultimate Fighter Brasil capenga, e não apresentou grandes índices nem mesmo na tão comentada briga entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen.

Como se não bastasse, o reality show vem sendo sistematicamente empurrado na grade da Rede Globo, em uma média de dez minutos por programa, a ponto de eu me preocupar se o episódio da semana que vem vai ser só um drops entre o Bom Dia Brasil e o Mais Você.

Quando estava prestes a fechar este texto, me aparece o grande Renato Rebelo, sempre ele, com mais dois elemento a mais para ser levado em conta: a fórmula gasta e repetitiva com a qual o UFC insiste em vender seus eventos e o aumento no volume de eventos.

Apresentando os campeões como lutadores sempre frágeis e prontos para serem derrotados, ao passo que seus desafiantes são incrivelmente cada vez mais capazes de batê-los, cada vez mais se descolando da realidade e produzindo um efeito contrário ao esperado – já que planifica todo o quadro e afasta as nuances que atraem o interesse para as narrativas.

Além disso, com o crescente número de cards disponíveis na TV a cabo ou aberta parece também que se perde um pouco da aura.

Isso porque o público de MMA é distinto de outros esportes, e a experiência de consumir tal tipo de conteúdo também.

Com a estratégia utilizada, o fator expectativa é deixado de lado e muitas vezes tem dado lugar à saturação, pelo menos diante de uma base de fãs não tão consolidada.

Volto então ao questionamento se o UFC não deveria repensar alguns pontos antes de retomar a produção em escala industrial de eventos de artes marciais mistas.

As leituras podem ser divergentes, mas os sinais estão aí e desconsiderá-los pode representar um risco alto ao planejamento estratégico deste negócio bilionário.

  • Renato Rebelo

    Textaço do Lucas, galera. Vale muito a reflexão!

  • Alexandre Matos

    Lucão, não podemos ignorar o fato que o UFC de sábado concorreu diretamente com os playoffs da NBA e da NHL, esportes mais populares que o MMA nos EUA. Estes eventos, somados ao desconhecimento do povão sobre Werdum e Browne, que dividiram a audiência do público-alvo do UFC, não a reprise anual dos Dez Mandamentos. Se você somar os números dos quatro canais abertos, provavelmente verá que a audiência tava baixa.

    • Lucas Pereira Carrano

      Ale,

      Eu não citei isso no texto, por questão de recorte mesmo, mas também havia analisado os números da TV a cabo.

      A concorrência do UFC com os playoffs da NBA na ESPN foi apenas nos minutos finais do evento, com números também não tão expressivos do basquete (com a manutenção da média semanal). No caso da NHL, o jogo de sábado exibido na TV a cabo não chegou a ter nem 20% dos resultados da NBA, logo não seria digno de nota também.

      Mas acima disso, a questão que quero colocar é justamente que o público de TV aberta é mais heterogêneo mesmo. Os bons índices dos cards na FOX passavam necessariamente pela audiência de públicos que não aquele super-segmentado.

      Quando levanto a questão das demais audiência de TV aberta é para problematizar sobre a relação do UFC com o mass media. Um evento esportivo de alto nível costuma aglutinar a audiência dispersa, principalmente em uma noite repleta de fillers nas três concorrentes que compartilham a maior parcela dos telespectadores, coisa que o card do último sábado não se mostrou capaz.

      Um abraço!

  • Tiago Nicolau de Melo

    Ótima descrição do atual momento do UFC. Também acredito que o pulular (não consigo postar no SR sem usar uma palavra exótica como pessoal daqui) de eventos é responsável por isso: cards vazios de grandes nomes (ou a franquia em si?), lutas mal(?) casadas, decisões polêmicas e por aí vai. Os cards do Brasil mais parecem um evento nacional (sem desmerecer), de tantos lutadores daqui têm neles. Óbvio que tem o esquema da carga tributária, enfim… Acredito que o UFC em pouco tempo vai passar a ter menos eventos anuais (2x mês e mais uns extras por ano) e organizar melhor os cards – ridículo a luta do Rafa contra o Russo ser no preliminar.

  • Lucas Lutkus

    Fala Lucas, parabéns pelo texto. Assim como o Alexandre falou, o público-alvo do UFC, homens de 18 a 34 anos, marcaram sua presença assistindo o evento. Enquanto a audiência (corrigida) foi de 2.5 milhões, a audiência demográfica entre homens de 18 a 34 anos foi a líder da noite na TV aberta e segunda na TV geral atrás apenas da ESPN. Além disso, foi um dos cinco melhores programas da semana dentro dessa zona demográfica. Então aponto apenas o começo de um alerta, mas nada que possa representar um sinal vermelho em breve.

    • Alexandre Matos

      Perfeitamente, Luquinha.

    • Renato Rebelo

      A audiência corrigida pelo MMA Payout (2,5m) ainda segue beeem abaixo da média dos UFC on Foxs (3,45m). Analisando a própria faixa demográfica, fica tb abaixo da maioria dos eventos anteriores – isso pq estamos falando de audiência garantida, o que não é o foco principal do texto, que trata dessa tentativa de adentrar o “mainstream”. Pode não ser de todo o mal como divulgado inicialmente, mas os números estão mt longe de serem confortáveis

      • Lucas Pereira Carrano

        Xará,

        É bem por aí, como disse o Renato.

        A demonstração é de como o resultado não foi bom em uma observação relativa, com base nos demais resultados das principais concorrentes abertas. Mas o grande foco é mesmo do impacto de tal resultado nos objetivos absolutos da companhia, nesta tentativa de chutar a porta do mainstream cultural.

        Mais do que qualquer sentença, fico mesmo é na dúvida se houve uma antecipação das ações ou se não é o caso de rolar um reposicionamento estratégico.

        Abração!

  • Felipe Paranhos

    Um detalhe levantado pelo Lucas que merece uma discussão extra é a forma desgastadíssima com que o UFC promove seus eventos. Em toda disputa de título o Joe Rogan diz que o desafiante é a maior ameaça que o campeão já enfrentou. Não entendo como não se promove Jones x Glover nos EUA como uma maneira de você, torcedor comum, ver o maior lutador em atividade do mundo. Se o UFC levantasse oficialmente a discussão se Jones pode ser o melhor lutador da história do MMA, seria uma maneira honesta e criativa de promover a luta, por exemplo.

  • Gustavo Trigueiro

    Apesar do trabalho de matchmaker do UFC não seja dos mais fáceis, mas vislumbro, realmente, mts lutas mal casadas. Se verificarmos os cards do Brasil, praticamente são os mesmos lutadores. Sempre. Cadê Yan Cabral, Bezouro, Santiago (só pra ficar no TUF)? Continuando no cenário nacional, acho os valores dos ingressos mt caros pra o padrão de um país do 3· Mundo. Em Natal, por exemplo, pertencente a um estado q não possui o PIB elevado, o valor do octógono premium tava R$ 850,00. Portanto, tal quantiaassusta tb os amantes desse esporte.

    • Lucas Pereira Carrano

      Gustavo,

      Essa questão da relação do preço dos ingressos com a qualidade/grandeza do espetáculo entregue rende um texto só pra ela. Vou considerar amplamente para as próximas semanas.

      Forte abraço!

      • Gustavo Trigueiro

        Realmente seria um debate mais complexo. Abraço.

  • Diego Xavier

    o MMA esta ficando Saturado principalmente com esses cards ridiculos que tem aqui no Brasil, que tem sempre os mesmos lutadores, muitos de Baixo nivel!

  • Gabriel Castelani

    Muito boa a analise! É o tiro no pé da capitalizacao acima de tudo. Acho que ao MMA falta uma confederacao esportiva dos principais eventos, como o objetivo de padornizar muitas coisas do esporte. Sei que isso é utopia, porém nao custa nada divagar em algumas mudancas,por exemplo: As regras, pesagens, categorias, bolsas, patrocinios, exames antidoping etc. Uma especie de FIFA (talvez nao seja o melhor exemplo) sem a corrupcao, nem apontados somente aos interesses financeiros. Imaginem as MMA nas olimpiadas? Tem que ter aquele apelo das nacoes, aquela coisa da bandeira, da honra, dos ensinamentos nas escolas, dos muleques rolando no campinho ou na praia, onde seja. No meu bairro a coisa explodiu assim a mulecada fica a tarde toda, chutando, virando piruetas, rolando, fazendo posicoes, todos queriam ser um Van Damme, um royce gracie, alguns se espelhavam nos mestres de capoeira, de judo, da epoca. Era incrivel como nossa turma toda se prendeu em alguma Arte, o resultado disso foi que a maioria hoje consume a UFC. (Os que nao curtem, explicarei com exemplos mais abaixo)
    O ideal da organizacao tem que ser esportivo apontando para a cultura da arte marcial. Vejo que existe, ainda, muita rejeicao dos propios praticantes de muitas artes, Judo, Kung fu, Karate……e por ai vai…imaginem o publico em geral. Até o boxe sofre preconceito imagina o MMA. Justamente por isso, se as MMA focar um pouco mais na heranca diciplinaria das artes orientais, aquela coisa do shaolim, do samurai, isso certamente é mais atrativo e pode ser oferecido mais facilmente para o publico em geral. Como a UFC, Bellator,WSOF, visam somente interesses capitais é natural que deixe de ser ideologia pra muita gente! Talvez o pior enemigo do esporte seja a ganancia dos que nos proporcionam nossos amados eventos!
    É presciso uma nivelacao entre o dinheiro e a raiz esportiva das artes marcias.

    • Kaio Teixeira Lima

      eu queria que voltasse a ser confronto de estilos como antes.um cara que é só karateka como um do jiu jitsu, um boxeador contra um judoca e por aí vai.acho que seria muito mais interessante vc sempre ficar se perguntando qual arte leva vantagem sobre as outras. apesar de que eu concordo 100% com o que grande mestre Bruce Lee ja dizia, que nenhuma luta é melhor ou superior a outra, o que varia sao os niveis de treinamento aos quais cada atleta de cada tipo de arte se submetem.e isso é verdade.sao os atletas que sao melhores que os outros e nao a arte em si.. mas as comparações seriam inevitaveis.

      • Gabriel Castelani

        O Kaiao respeito tua opinao mas…. eu nao tenho saudade nao! Ficou mais do que provavel que Bjj é a melhor arte. Hoje o nivel tecnico é absurdo, gosto de ver os atletas cada vez mais completos!

        • Kaio Teixeira Lima

          eu sou praticante de jiu jitsu meu brother e faço pq é minha arte marcial preferida. mas p mim, naquele tempo, os lutadores foram surpreendidos pq era uma arte marcial desconhecida p eles. eles nem sabiam o que era o jiu jitsu. hoje em dia, o cara pode nao praticar jiu jitsu e tal, mas ele sabe o que espera por ele.um exemplo aqui mais recente: travis browne vs gabriel napao. napao ja campeao mundial de jiu jitsu e tal, foi derrotado brutalmente por browne. essa luta era um exemplo clarissimo de jiu jitsu vs muay thai… ah, eu tb gosto de ver os lutadores cada vez mais completos, mas nao deixo de dizer que eu ainda gostaria de ver o duelo particular das artes.. vlw brother

          • Gabriel Castelani

            Nao acredito que o pessoal foi pego de surpresa Kaio, a familia Gracie provou isso durante mais de 70 anos! Por todo mundo, foram feito os desafios Gracie, o problema é que ninguem que praticava outra arte marcial dava o braco a torcer, meio que arrogancia mesmo! Me lembro que amigos meus cordas amarelas de capoeira, gente que ganhou torneio de judo, nao acreditava na eficiencia do JIU, mesmo depois de finalizados “nas lutinhas” que agnt fazia, eles ainda nao aceitavam na superioridade da arte Gracie. Alguns meses atras, dois amigos que afirmaram que o Krav maga era a melhor coisa do planeta, quando peguei ambos em um armlock bateram, e mesmo assim seguiam insistindo nas suas ideias, as desculpas, sempre é o mestre que sabe sair das posicoes nunca os alunos, eles tentavam fazer alguns golpes, mais nada funcionou comigo, sinceramente isso nao serve em um combate real, e olha que nao treino Jiu faz muitos anos. Acredito que a unica deficiencia do Bjj seria em uma luta contra mais de 2 ou 3 caras de uma vez, onde vc prescisa saber nocautear rapidamente, e nao pode nem pensar em ir pro chao, porque vira bola!
            To seguro que o Travis deve praticar Bjj sem kimono, ainda mais na Greg Jackson, só tem fera lá, veja a ultima luta dele com Werdum, foram pro chao e ele defendeu muito bem varias posicoes ate raspou etc. Sem treino isso seria impossivel. No caso da luta Travis vs Napao, o americano usou a defesa de quedas (wrestling) para nao ser quedado, conseguiu um otimo angulo pelo tamanho que tem, daí utilizou muito bem as cotoveladas, mais todos os movimentos previos antes das cotoveldas, nao se aprende no Muay thai.
            Tivemos que ver um lutador Hibrido (Marcor Ruas) mostrar ao mundo o caminho da coisa, depois de tantos anos de desafios e provacoes, alguns deixaram o orgulho de lado, e para ganhar dinheiro com o vale tudo passaram a treinar no chao e em cima. A critica tambem vai para galera do Jiu, muitos ainda acreditam que somente lutando BJJ podem ser campeoes de MMA, ja outros como Damian Maia, Roger Gracie, Jacaré nao concordam, e treinam todas as variacoes marciais.

          • Kaio Teixeira Lima

            Aí eu concordo plenamente. krav maga, é uma luta que nao funciona para competição de artes marciais. só funciona com quem nao sabe lutar mesmo. so serve como defesa pessoal. e isso, sao palavras de amigos que praticam krav maga. em relação a eles dizerem que o mestre que sabia sair das posições, pode ate ser. como eu disse e acredito, o que vale é a habilidade do lutador e não da luta. assim como voce venceu os caras, com certeza outros no seu lugar perderia. esse é o ponto. a arte marcial ajuda, mas vc é quem entra la e tem que mostrar seu desenvolvimento. nem todo mundo se desenvolve igualmente. como mais um exemplo, lá na minha academia, tem gente que está ha 8 anos no jiu jitsu e é faixa marrom, enquanto tem outro, que está com 6 e está na mesma marrom.
            quanto ao final. falando de chao mesmo, aí o jiu jitsu reina. nao tem p ninguem. ja discuti muito com gente que fala que sambô é melhor que jiu jitsu. é só ver as competições de jiu jitsu vs sambô. tb nao vejo atletas do sambô ganhando competições de grappling e submission, como o ADCC.

  • Leonardo Daher Salema

    acho que o problema dos cards nacionais é que os eventos não tem ou não querem pagar bolsa de atletas top, se já passou pelo ufc ou tuf a bolsa do atleta fica alta e eles não querem pagar. acho os eventos nacionais muito ruins mesmo. e pelo ufc, realmente fica dificil com tanto evento manter o publico focado. acho que menos eventos de mais qualidade, e talvez fazer eventos por divisão em vez de misturar divisões em todos os eventos. a coisa dos gps também mudariam um pouco a dinamica da coisa toda e talvez fosse positivo, uma novidade uma nova forma de vender a marca. E as superlutas que caíram em desuso também são agradáveis de se ver.

    • Lucas Pereira Carrano

      Leonardo,

      Até hoje tenho sonhos com uma ideia do grande Thiago Arantes, hoje correspondente da ESPN em Barcelona. Trata-se de um “UFC meets PRIDE”, um evento anual, ou bienal, no Japão com as regras e estrutura da extinta e saudosa organização.

      Já sobre os horários, acho que é um problema meio sem solução (sob o nosso ponto de vista). Qualquer evento tem horário definido com base no seu público majoritário. E olha que nem estamos na pior das situações. Alguns cards, por exemplo, foi “inassistíveis” (alô Guimarães Rosa) na Europa por conta do horário.

      Abraços

  • Leonardo Daher Salema

    E outra é que os eventos acabam muito tarde, são muito extensos, começa relativamente cedo e acaba tarde para caracoles, para muitas pessoas é tarde, as vezes até para mim é tarde, pro meu pai é tarde, alguns alunos meus falam a mesma coisa, tipo – Po não aguento não, bota para grava e vejo no dia seguinte… escuto mó galera falar isso. eu mesmo tomo vários cafézinhos tem dia que é phouda.

  • Francis Couto Falbo

    Lucas Sei q a discussão aqui é sobre a audiencia nos eua. Mas gostaria c possivel um texto sobre a audiencia aqui no brasil especificamente do canal combat. Tenho a impressão q a cada card q passa mas gente aperta a tecla sap, para assistir a trasmissão americana.

  • Kaio Teixeira Lima

    na minha opinião,um dos pontos que enfraquecem o evento é o fato da amarração da luta. os lutadores hj em dia sao muito profissionais e nao querem chegar numa luta, ir com tudo p cima e acabar jogando fora 6 ou mais meses de treinamento, além de nao ganhar a grana pela vitoria. compreendo o atleta por isso, porem, o publico vai la p ver um espetaculo, mas chegam e olham os lutadores apenas “amarrando”. isso de qualquer forma, acaba afastando telespectadores, o que faz gerar menos lucros e futuramente, de qualquer forma, acabará atingindo os bolsos dos lutadores. na minha opinião, as lutas poderiam continuar tendo tempo limite, no entanto a vitória só seria dada se houvesse finalização ou nocaute. sem isso, os lutadores ganhariam apenas uma pequena quantia por subirem ao octogono. seria uma excelente alternativa, pois o que o publico quer, é como eu disse, espetáculo e nao lutadores que chegam la e ficam como o khabib nurmagomedov. o khabib é excelente wrestler, tem muita força,no entando, desde que chegou ao ufc, fez 6 lutas e ganhou 4 so por decisao dos jurados. ele luta de forma eficiente para ele, porem sem nenhuma emoçao. acho que essa idéia que aqui coloquei, seria muito boa p evitar esse tipo de coisa.
    Quero deixar bem claro, antes que alguém acabe me questionando, que essa idéia que aqui coloco, é como se eu me colocasse no lugar do Dana White, procurando a melhor forma de entreter o público e assim continuar fazendo meus lucros subirem. A visão pelo lado do lutador, é completamente diferente dessa.
    obrigado e parabéns pelo texto muitol bom mesmo.

    • Kaio Teixeira Lima

      lucas, qualquer coisa, pode dar uma passada la no meu blog. era p ser de esporte em geral, mas tenho dado mais ênfase ao MMA.
      http://planetsports24h.blogspot.com.br/
      sem muitos julgamentos la, comecei com o blog a pouco tempo e escrevo só mesmo por diversão. aos poucos estou me baseando também em dar mais ênfase a minhas opiniões, claro, sempre com bons embasamentos, como você fez neste texto.
      vlw. abraço.

      • Lucas Pereira Carrano

        Opa Kaio,

        Velho, primeiramente, valeu pelo comentário. Essa questão das lutas por decisão já foi tema de um post anterior meu, você já leu?

        É esse aqui: http://sextoround.com.br/11729-por-que-2014-vem-sendo-o-ano-das-decisoes-no-ufc/

        No mais, concordo que exista uma tensão entre os interesses dos atletas, da organização e dos fãs. E isso é trabalho para a alta cúpula da Zuffa administrar mesmo.

        Vou dar um confere lá no seu blog também.

        Grande abraço!

  • Carlos André

    Bom dia. Lá no décimo quarto parágrafo tem uma baguncinha no texto, quando o Renato é citado, que a revisão deu mole e deixou passar. Ah! O assunto é relevante e as questões levantadas deveriam ser levadas em conta. Antes que se perca o rumo de vez. Abraço.

    • Lucas Pereira Carrano

      Olá Carlos,

      Cara, mole total meu. Vou te contar a real: eu tinha escrito “levantar um ponto” porque estava com medo de estender o texto demais. Quando vi que não ia ficar tão grande assim, voltei atrás e inseri a outra observação, mas a concordância naquele trecho passou mesmo (eu sei escrever, você precisa acreditar em mim! hahahahahaha).

      Muito obrigado pelo toque,

      Grande abraço!

  • Fernando

    Os cards do UFC estão ficando muito grandes esse ultimo do Werdum teve 13 lutas, minha namorada que quer acompanhar o evento acha muito enjoativo.

  • Marcus Vinícius

    Tio, sua coluna já virou tradição na leitura semanal. Incrível como você adentrou de vez o universo que te acolhe como profissional hoje em dia. E, mais impressionante ainda, é como você aborda temas que fogem da mesmice da maioria dos portais. Congrats, bro!

    • Lucas Pereira Carrano

      Você sabe que a honra maior é a moral da sua audiência, né?

      Eu que agradeço pelas aulas, mestre!

  • André Guilherme Oliveira

    Discussão muito boa essa que você propôs Lucas, e muito bom texto aliás. Olha, é inegável que o UFC é a maior marca de MMA no mundo, com o maior plantel de lutadores e também com vários dos melhores lutadores em atividade. Ao mesmo tempo eles falham em exposição dos seus lutadores, não conseguem criar novos ícones e ídolos do esporte.

    Eu acredito que muito disso se deva ao mau critério de casamento de lutas, a um ranking mal formulado e sem utilidade, e a falta de torneios que aumentem a exposição dos lutadores que não detêm um cinturão. Ao lembrar do próprio Pride, muitos dos grandes nomes do evento não eram campeões de suas categorias, mas fizeram bons torneios.

    Cro Cop foi genial durante GP absoluto de 2006, Shogun e Arona fizeram os seus nomes no GP de Médios do Pride de 2005. Vários dos grandes nomes da época fizeram sucesso nos GP’s, e hoje o Bellator vem reproduzindo o formato de forma brilhante.

    O UFC tem uma grande exposição, é uma marca global e deveria primar pelo bom nível em seus eventos, mas com o mais de 400 nomes, o baixo nível de atividade dos tops das categorias e uma invasão de maus lutadores devidos as intermináveis versões do TUF, a tendencia é que façam muitos péssimos cards durante o ano e que muitas dessas lutas terminem em decisão, já que para o ranking o que se conta é a sequencia e não a qualidade das exibições.

    Eles deveriam repensar o modo de classificar e promover os seus lutadores, alem de criar um incentivo maior as lutas terminadas antes da decisão dos juízes. Talvez a volta da marca StrikeForce fosse interessante para a Zuffa.

    • Lucas Pereira Carrano

      André,

      Sua proposição é que o Strikeforce voltasse como se fosse uma Série B (ou Liga Europa) do UFC?

      Abração e obrigado pelo comentário.

      • André Guilherme Oliveira

        Exatamente Lucas, seria bem interessante para desenvolver novos talentos e abrir espaço para novos campeões. Além do que ajudaria a dissolver a quantidade de atletas embaixo de um único evento garantindo cards de melhor qualidade, em ambas organizações.
        Fazer a transição de lutadores de um evento pro outro nunca foi problema como vimos com Jake Shields e Nate Marquardt por exemplo.

    • Dan Mendes

      GPs no UFC seria demais! Imagina um GP dos leves ou um GP dos meio médios. A quantidade de luta épica…

  • Eduardo

    Concordo em diversos pontos, mas tem uma questão que acho fundamental e que acaba funcionando como um anti-marketing pras empresas que fazem propagandas durante o evento, e até mesmo o próprio UFC registrando os índices de audiência.

    Trata-se do fato do grande spread de tempo entre uma luta e outra. As vezes demoram quase 60 minutos entre o término de uma luta e o início da luta seguinte.

    Por mais que eu goste muito dos comentários do Luciano Andrade, eu obviamente mudo de canal ao término de cada combate. Agora imagina pra quem pagou UMA GRANA pra assistir o evento ao vivo e tem que esperar todo esse tempo entre uma luta e outra.

    Sem contar que se tu muda de canal quando termina uma luta e só recoloca no começo da seguinte, tu não deu audiência pra nenhuma propaganda que é vinculada ao UFC, o que pode prejudicar tanto a empresa que faz a propaganda quanto até mesmo o UFC na renovação dos contratos com tais empresas

    • Lucas Pereira Carrano

      Boa observação, Eduardo.

      Nos cards de TV a cabo ou aberta, esses intervalos são preenchidos com conteúdo ou comerciais nos Estados Unidos, que tem uma cultura sinistra de artilharia comercial nos esportes (certamente o sonho do German Von Hartenstein, diretor da ESPN no Brasil, é conseguir vender no Brasil todas as lacunas deixadas pelas transmissões da NFL). Essa transposição de cultura televisiva gera um impacto grande demais também, ainda mais pra nós que temos uma TV muito baseada na oralidade – herança do rádio.

      Um abraço.

  • Abson

    TUF Brasil: quem topa dormir de madrugada e acordar cedo para trabalhar??

  • Dan Mendes

    Texto muito interessante.

    Para mim, essa queda na audiência acontece por que o MMA não será jamais um esporte de maça. Houve um Boom! mas o esporte decepcionou muita gente que banho de sangue. Para quem não curte marcial um evento de MMA é 90% de lutas chatas e mais da metade do tempo vendo intervalos.

    Acredito que o grande número de eventos (não existe popular que seja sazonal), não é problema o problema é que as grandes estrelas lutam cada vez menos. Pets e Cain por exemplo lutaram uma vez esse ano e dificilmente lutam de 2 vezes num ano.

  • Paulo

    Falta pouco para chegar ao nivel que todos nós desejamos, mas a decadência finaceira para os proprietários é inevitável, mais ou menos o que a família gracie tentava fazer com o Jiu Jitsu aqui no brasil, chegou uma hora que não deu para manter o negócio somente em família.

  • markzzbr

    Porque MMA é uma porcaria grotesca e primitiva e não vai mais longe do que isso, aproveita que sonhando e pede um pônei?
    De nada.

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