Sinal emitido: ‘Super Ronda salve o UFC 175’

Lucas Carrano | 16/04/2014 às 17:46
Ronda Rousey, Sara McMann

Rousey despachando Mcmann

No documentário “Breaking Ground” (ótima produção do UFC, diga-se de passagem), Ronda Rousey é retratada como uma super-heroína – principalmente devido a seu fascínio pela série em mangá/anime Dragon Ball Z.

A opção narrativa do Ultimate parecia ser uma previsão do que se veria nos meses seguintes.

Em fevereiro deste ano, Ronda foi convocada para estrelar o UFC 170 e se viu diante de sua primeira grande responsabilidade ao perder o suporte que receberia da luta entre Rashad Evans e Daniel Cormier, após a lesão do primeiro e sua sequente substituição pelo estreante Pat Cummins.

Rowdy não foi mal, ancorou a venda de 340 mil unidades no pay-per-view.

Menos de 60 dias depois de sua última apresentação, e primeiro nocaute da carreira, Rousey já recebe um novo bat-sinal. “Venha ao UFC 175 e seja a garantia que precisamos para este card tão problemático”, diz, nas entrelinhas, o anúncio de sua luta contra Alexis Davis para o evento do feriado de 4 de julho.

É chover no molhado dizer que 2014 vem sendo um ano austero e de muito trabalho para Joe Silva e Sean Shelby, matchmakers do UFC.

Com lesões e mais lesões, algumas aposentadorias e outros afastamentos, o ano simboliza a ressaca da ótima maré de seu antecessor.

Com isso, quem não está no estaleiro ou pendurou as luvas vem sendo convocado com frequência para preencher as fileiras dos cards, principalmente os PPVs – que, desde a ampliação da série Fight Night, têm contado exclusivamente com disputas de cinturão em suas lutas principais.

UFC 170: Davis v Eye

Davis na batalha contra Jessica Eye

Pode parecer estranho falar do UFC 175 pouco tempo depois do nosso timoneiro Renato Rebelo ter deixado percepções tão relevantes NESTE TEXTO, mas é que a convocação de Ronda amplia o quadro do terceiro major event do ano no Ultimate.

Além das questões particulares envolvendo os próprios lutadores, como toda a polêmica da extinção das licenças para TRT, a mudança de Wanderlei Silva x Chael Sonnen de São Paulo para Las Vegas é claramente um Plano B para a luta principal entre Chris Weidman e Lyoto Machida pelo cinturão dos médios, após a cirurgia nos dois joelhos a qual o norte-americano foi submetido.

A questão aí é que esse Plano B parece precisar de um Plano C.

Wand x Sonnen tem sido uma luta complicada desde sua primeira projeção, ainda no ano passado.

Após ser anunciado pela inicialmente para o UFC 173, o combate já mudou de data e evento pela segunda vez.

Além disso, o falastrão segue garantindo que o rival vai pular fora do barco antes do aguardado choque entre eles.

Mas o próprio Chael tem uma pendenga hormonal para resolver antes de pisar no octógono. Que encruzilhada, não?

Até pra o semi-aposentado Rich Franklin já sobrou…

O “CANderlei” (“can”, lata em inglês, é uma gíria para lutadores ruins – tipo frango) pediu para o Dana adiar a luta pro dia 32 de julho… Não, não, não, o professor de matemática não vai embora. Eu vou mandá-lo embora. Do que eu devo lhe chamar? Senhor Franklin? Rich? Ace? Pode apenas me chamar daquele que encerrou sua carreira – mandou Chael no Twitter.

Já que “o seguro morreu de velho”, “precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém” e outros ditados populares sugerem, o Ultimate resolveu se prevenir – mostrando que aprendeu com os erros do passado (leia-se: o card capenga do UFC 151 que acabou culminando no único evento cancelado na história da organização após a exclusão de seu combate principal).

Se houver uma inversão na conjuntura cósmica que tem tendido à zica nos últimos meses e nada der errado desta data até julho, o fim de semana do feriado da independência vai ter um card estelar e, de gorjeta no dia seguinte, o fim da trilogia entre a lenda B.J. Penn e seu algoz Frankie Edgar assessorado pela final do TUF 19.

Nada mal.

Se para o UFC 175 a manobra é válida, e deve zerar as chances de fracasso do evento, a ousada atitude a qual o Ultimate se viu forçado a tomar para o 4 de julho pode respingar nos futuros eventos.

Com José Aldo, aparentemente, sendo reservado para o PPV no Brasil, Cain Velásquez lesionado, Anthony Pettis na geladeira até dezembro e cinco campeões (Jon Jones, Renan Barão, Demetrious Johnson, Weidman e Rousey) tendo seus cartuchos queimados entre a última semana de abril e a primeira de julho, planejar a programação do segundo semestre vai ser uma tarefa árdua.

Mas disso a gente trata em outra hora…

  • Danyel P Lorenzo

    A popularização do MMA em todo mundo, seguido por uma enxurrada de eventos, consequentemente acaba trazendo cards ruins. Porém nem sempre cards ruins é sinonimo de eventos ruins. Obviamente na visão de telespectador e não como administrador preocupado em vender PPVs. Muitas vezes lutadores com menor visibilidade rendem mais que os atletas de peso. É pagar p ver…

  • Renan Trindade

    Curto seus textos Lucas! Mais um com selo de qualidade Sexto Round. Parabnes

  • André Guilherme Oliveira

    Acho que o departamento de marketing do UFC tem falhado bastante em criar novas estrelas. Com aquela enxurrada de grandes lutadores que vieram do Strikeforce no ano passado e alguns ex-campeões do Bellator seria muito fácil promover alguns lutadores.
    Desde o inicio de 2013 o único main event onde não figuravam campeões foi o UFC 161 – Rashad Evans x Dan Henderson. Isso é uma falta de criatividade gigante por parte dos Matchmakers. Considerando o grande apreço que os americanos tem pelas categorias mais pesadas acredito que um UFC Josh Barnett x Alistair Overeem venderia bastante, por exemplo.

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