EA Sports UFC: É pra ficar ansioso ou receoso?

Lucas Carrano | 09/04/2014 às 23:01

Eu já contei aqui mesmo, no Sexto Round, sobre a minha primeira experiência com o UFC – que assim como a de muita gente envolveu um amigo esbaforido na porta de casa com um VHS em mãos e falando sem parar de um tal Royce Gracie.

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Segura essa, brasileiro!

Mas, na real, eu descobri as lutas foi com um “hadouken” no queixo do Blanka.

Eu, como sempre, escolhia o Ryu – em uma opção inconsciente, mas que me persegue até hoje.

Comecei no fliperama e depois no Super NES, o primeiro console que pude chamar de meu.

Durante bons anos da minha vida, luta era sinônimo de videogame de luta.

Podia ser Street Fighter, The King of Fighters (até hoje o meu preferido), Mortal Kombat, Fatal Fury, Art of Fighting, Killer Instinct, Tekken, Soul Calibur, Marvel vs Capcom ou até os mais alternativos como Blooby Roar, Bio Freaks e Fighting Force.

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Pride no Playstation 1

O negócio era amassar os botões e zoar os amigos.

Como podem notar, o mais próximo da “realidade” que um game desses passa é com Tekken.

Ainda assim, acredito que nenhum mestre de taekwondo consegue ficar sete segundos no ar chutando como faz Hwoarang – isso, é claro, fora os lasers e monstros dos chefes finais, sempre apelões e destoantes do restante do elenco.

O que quero dizer é que a nata dos games de luta tem pouco, ou quase nada, a ver com verossimilhança.

Por isso quando falam em lançamento de jogo do UFC eu já fico logo com a pulga atrás da orelha.

“Ora bolas”, diriam os que têm seguido esse raciocínio até aqui, “você como fã de MMA e de games deveria ficar empolgado, não?”.

Bom, na verdade não tanto. E eu explico o porquê.

Seja pelas mãos da Global Star (hoje 2K Games) ou das finadas THQ e Crave Entertainment, o Ultimate nunca teve, na minha opinião, um jogo que pudesse ser classificado como bom.

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UFC Undisputed 3

O que mais se aproximou disso foi o recente UFC Undisputed 3, que era um game bem completo, mas não reproduzia, com fidelidade, o que rola dentro do octógono e perdia, por isso, no fator replay.

O pessoal bem que tentou.

No passado, os personagens dos jogos do Ultimate contavam com a barras de vida, tal qual a maioria dos títulos supracitados, o que fazia o ineditismo do MMA cair na vala do lugar comum.

Além disso, finalizar o oponente era algo muito simples, praticamente uma “manha” (como dizemos aqui na minha terra, ou “macete” em outras bandas).

Os esforços para tentar recriar o mínimo da aura do Ultimate nos consoles não parou por aí.

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UFC Sudden Impact

O “UFC: Sudden Impact”, lançado em abril de 2004, contava com Dana White, Lorenzo Fertitta e Charles “Mask” Lewis como personagens desbloqueáveis.

Mas além de não ser uma novidade tão grande assim, já que personagens especiais fazem parte do histórico de diversos games, a mecânica do jogo prejudicava demais o resultado final.

Com o advento do EA Sports Fight Night, jogo de boxe que revolucionou os simuladores esportivos no segmento de combate, muita coisa mudou.

Adeus barras de vida e golpes especiais que remetem aos poderes e “Fatalities”.

Olá, física complexa e dinâmica realista, graças à capacidade de processamento superior das novas gerações de consoles.

Mas se o fim do paradigma “ação/reação”, em que você aperta um botão e o personagem desfere um golpe, funcionou bem para a série Fight Night (que introduziu o uso de cada uma das alavancas como se fosse um punho do pugilista), as coisas não são bem desta maneira para os simuladores esportivos da categoria MMA.

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Realismo da nova versão

Por possuir uma dinâmica ímpar nos esportes de combate, as artes marciais mistas são tão difíceis de serem reproduzidas.

Os controles dos videogames da atual geração, PS4 e Xbox One, têm 14 botões – isso incluindo o uso dos quatro direcionais e das duas alavancas pressionadas.

Tal número se mostra insuficiente para a gama de possibilidades do MMA, mesmo se forem utilizadas interfaces diferentes para as situações de luta em pé e de chão.

A coisa fica ainda mais complicadas se levarmos em conta a quantidade de possibilidades de transições, bem como o leque de golpes a serem aplicados no chão e tentativas de uma finalização de pé.

Por esses motivos, otimismo com qualquer iniciativa que envolva o UFC no mundo dos videogames passa necessariamente por uma inovação tremenda.

Algo que transforme o universo dos games de luta da mesma forma com que o MMA fez com as artes marciais.

A equipe de produção da Eletronic Arts trabalha justamente neste sentido (e ganha muita grana pra isso).

Os caras tem o “know-how” de quem produz os principais games esportivos na categoria simulador e já até tiveram sua própria franquia de MMA no passado, o EA Sports MMA – que contava com as licenças de Affliction e Strikeforce, e por isso nomes como Fedor Emelianenko e Dan Henderson.

Algumas informações divulgadas agradam.

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Bruce Lee no octógono!

As capturas faciais e de características físicas e atléticas de cada atletas foram as mais bem realizadas na história da franquia.

Os vídeos já publicados também impressionam, mas devem ser relativizados já que não são imagens in-game (mas CGIs).

Por fim, a última grande novidade foi a inclusão de ninguém menos que Bruce Lee como personagem jogável.

Minha dúvida é mesmo para ver como Lee vai reagir ao ser quedado.

Por isso, respondendo a pergunta do título, acredito que ficarei com ambos: o receio e a ansiedade.

Muitas das questões aqui levantadas vão ser respondidas no dia 17 de junho, quando o EA Sports UFC finalmente vai ser lançado.

Aliás, como ainda sigo com meu humilde Xbox 360 na prateleira, aproveito e já adianto que estou aberto a convites para a jogatina.

Até lá, o que vocês esperam?

  • Ayrllys Allan

    Na verdade Lucas não é mais CG, comprei a pouco tempo PS4 e posso afirmar que a nova geração pode gerar um processamento insano de texturas e animações, se reparar bem nos últimos trailers o movimento de socos e chutes já são mais “duros” e menos fluido, acredito fielmente que esse seja o resultado final do gameplay. já no primeiro vídeo de divulgação, ae sim, CG puro: https://www.youtube.com/watch?v=xueJw-FWVD0

    Sobre a expectativa pra mim pelo menos, é altíssima por dois motivos, primeiro porque a EA já conseguiu chegar em um resultado até interessante mudando a dinâmica de botões na geração anterior com o jogo EA MMA, se analisar a evolução dos jogos da THQ era sempre em pontos pequenos, concertando mais do que inovando. então acho que por esse motivo a EA tem tudo pra usar bem dessa experiencia do PS3 pra aplicar no novo jogo.

    Segundo que um dos melhores pontos da EA é a necessidade de transformar a “fictícia” transmissão em algo incrível, e isso faz muita diferença, porque hoje o UFC é um show não só de luta, mas de entretenimento, só de ver no trailer já da pra perceber que esse “feel the fight” não vai ser brincadeira.

    Grande Abs.

    • Lucas Pereira Carrano

      Olá Ayrllys,

      Acho que essa cisma com os previews vem desde o lançamento do Playstation 3, com as promessas de Motorstorm e Killzone 2 – que no fim acabaram caguetando geral. De toda forma, os vídeos são mesmo animadores e já já a demo estará disponível e essas preocupações ficarão no passado.

      Essa questão da “transmissão”, embora tenha sido algo que não falei, realmente é mais um ponto muito positivo da EA. Como sou “Team FIFA”, me agrada muito a produtora para games do estilo simulador. Ao optar por não investir no “arcade”, a EA sempre recria muito bem os ambientes e, mesmo que isso signifique complexificar a jogabilidade e afastar alguns jogadores casuais (ou mesmo menos habilidosos), faz com que a imersão na experiência seja incrível!

      Grande abraço!

  • O Último Leão
    • Felipe Queiroz

      kkkk, olha esse Vitor

  • Renan Trindade

    Tô me coçando pra comprar um videogame da nova geração, mas tá feia a coisa. Pq será que não vão lançar pra PS3 e Xbox 360?

    • Lucas Pereira Carrano

      Bom, Renan, não me lembro de ter visto uma palavra oficial da EA sobre o assunto. Mas acho que é mesmo pela engine da nova geração mesmo, pra impressionar no início dessa parceria com o UFC.

  • Leo Ferreira

    Qual seria a categoria de peso de Bruce Lee? Peso pena? Pq no video aparece ele lutando contra o Aldo eu acho.

    • Iago Silva

      Ele estará disponível nos penas, galos e leves.

  • Heitor

    eu gostei do UFC U3, claro que ainda ta longe de ser 100%, mas estão no caminho, e outra, no Kof de fliperama eu vou na ? e dou dois bonecos pra tu, só pra humilhar mesmo, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • Lucas Pereira Carrano

      Pô Heitor,

      Eu até poderia dar uma resposta tão cheia de marra quanto o Ryuji Yamazaki ou dizer que pegaria um trio de Choi, Shingo e K’9999 pra rebater este desafio à altura. Mas diante das condições propostas eu só posso dizer que aceito, já que a colher de sopa é grande demais. hahahahaha

      Um abraço!

  • FrankCastle

    Parabéns pelo texto, Lucas!

    Olha, nunca joguei os antigos jogos do Pride e UFC, mas os 3 últimos da Yuke’s / THQ achei que ficaram muito bons, não são perfeitos e tem seus problemas, é claro. O que mais gostei neles foi a parte de solo, transições, “rubber guard” etc. Joguei muito pouco o 3, mas achei muito bacana nos contragolpes segurando a perna e o próprio “nocaute de perna”. O modo carreira acho excelente, pois você vai fazendo camp e aprendendo técnicas específicas de luta em pé e de solo, ao aprendê-las com sucesso, vai adicionando elas à sua lista de golpes.

    Minha maior crítica é o sistema de finalização. Nos 2 primeiros, geralmente você precisava bater bastante para minar a resistência do oponente, para depois finalizar (até faz sentido, mas tornava quase impossível finalizar no começo da luta). O comando era de ficar girando o analógico bem rápido ou ficar apertando os botões como um louco. O 3 tentou (e na minha opinião não conseguiu) resolver a questão: fizeram um “mini-game” de ficar perseguindo o cursor do oponente, o que tirou a imersão da luta.

    Vamos ver como ficará esse da EA. Não simpatizo com essa empresa, pois houve uma história dela com o UFC no passado: o UFC queria que eles fizessem jogos anuais, como os de futebol, basquete, etc, mas na época a EA esnobou o UFC e disse que não era um esporte. O Dana White (sempre ele) ficou puto, assinou com a THQ e depois quando a EA (malandra como ela é), viu o sucesso dos jogos do UFC, disse que iria fazer aquele EA MMA. O Dana White disse que qualquer lutador do UFC que assinasse direito de imagem para o jogo da EA, entraria para sua lista negra e poderia até ser demitido. O tempo passou, o $$$ falou mais alto e agora EA e UFC fizeram as pazes. Detestei o EA MMA e acho que o sistema de golpes como do Fight Night não cairiam muito bem, acho a jogabilidade da THQ muito boa, precisava melhorar só a finalização mesmo. Vamos ver né.

    • Lucas Pereira Carrano

      E aí “Punisheiro”,

      Tudo bom?

      Baita comentário, hein? Valeria até um post.

      Concordo com você sobre a questão da evolução dos games do UFC, mas acho que ainda falta um trecho para chegarem ao nível de replay que outros games de luta, ou mesmo esportes, têm. E realmente essa questão do minigame no UFC Undisputed 3 retira o gamer do estado de imersão e acaba totalmente com o pacto da crença existente. Foi uma tentativa de inovação, mas que parece ser a “metade do caminho” e não a solução definitiva.

      Sobre a situação da EA com o UFC acho que é basicamente o resultado da relação de duas empresas com políticas muito semelhantes. Se substituirmos EA por UFC e o UFC por alguns atletas, teremos um cenário muitas vezes repetido no trato da organização com alguns lutadores – e para em diversas oportunidades, como no caso da própria desenvolvedora com o Ultimate, acabarem se acertando posteriormente. Acho que é fruto da forma como fazem negócio mesmo.

      Muito obrigado pelo comentário e um grande abraço!

  • alvaro

    Vamos fazer asism se compra o jogo em da de presente e joga aki em ska kkk

  • Alecsandro dos Santos

    Bom Lucas, boa tarde antes de tudo!
    Cara, não sei, eu e meus amigos particularmente adoramos o UFC Undisputed 3! Naverdade, eu tenho o UFC 2009 e 2010 também. O salto em questão de jogabilidade entre o 2009 até o Undisputed 3 foi imenso! Principalmente nos quesitos jogabilidade e controle. Para você ter uma noção, os UFC´s 2009 e 2010 me devem 2 controles! Pois para finalizar, tinhamos que rodar o R3 freneticamente, e isso destroçou os controles. rsrsrs. Jogamos tanto e chegamos a um nível, que quem não jogava não se atrevia e quem assistia de fora, falava: “Nossa, parece que está rolando o UFC de verdade!”. Então, pessoalmente, eu acho que a THQ conseguiu sim um ótimo resultado na questão da semelhança com a vida real.
    Meu sentimento quando os direitos foram pra EA, foram os seguintes: “Ahhhh, agora que a THQ só precisava lapidar o jogo?” e também: “Meu Deus! Como serão os controles?” Naverdade, você sabe alguma coisa sobre isso? Pois se for como era o Fight Night, onde os golpes eram desferidos pelos analógicos, ficará horrível. E sim, estou de mimimi pois já estava muitíssimo habituado com os comandos antigos em todos os sentidos, esquivas, tempo de defesa das quedas, raspagens e etc.
    Forte abraço brother!

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