Passando a régua: o 1º trimestre de 2014 no UFC

Lucas Carrano | 25/03/2014 às 23:24
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Charge do Las Vegas Review Journal

Passado o UFC Fight Night 39, em Natal (RN), chega ao fim o primeiro trimestre do calendário 2014 no UFC.

Ao todo, foram dez eventos realizados no ano e muitas coisas saltaram aos olhos neste período.

A primeira delas diz respeito ao projeto de expansão internacional do Ultimate.

Mais ativo do que nunca, ele se tornou bem claro ao notarmos que foram cinco eventos nos Estados Unidos e cinco no exterior (dois no Brasil, um em Cingapura, um na Inglaterra e outro na China).

Além disso, o Ultimate montou uma equipe exclusiva para os cards europeus, que conta com John Gooden como narrador, Dan Hardy na função de comentarista e Andy Friedlander como announcer.

O trio britânico deve atuar em mais cinco noites de lutas até o fim de 2014.

Ainda falando da expansão, além das novas cidades em países que já receberam eventos, três edições foram confirmadas em nações “estreantes” no calendário do UFC: México, Escócia e Turquia.

Ainda há especulações de que Polônia e Rússia abrigarão o famoso octógono pela primeira vez até o fim do ano.

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Dong Hyun Kim x Hathaway: nocautaço 1

Outro aspecto que chamou, e muito, a atenção nestes três meses iniciais foi o volume de lutas encerradas na decisão.

Mesmo com o bom saldo de nocautes e finalizações do UFC Natal, o “score” ainda é bastante desigual entre estes critérios.

Ao todo, foram 25 nocautes, 13 finalizações, uma desqualificação e incríveis 66 lutas que acabaram indo para as mãos dos jurados.

Se o assunto são os nocautes, os três meses iniciais de 2014 nos brindaram com pelo menos dois belos exemplares – que certamente devem figurar na lista dos melhores do ano no “World MMA Awards”: a cotovelada giratória de Dong Hyun Kim, que fez John Hathaway se arrepender de ter voltado a lutar justo agora e o balaço de Dan Henderson que transformou o nariz de Maurício Shogun em cosplay do “S do Senna” em Interlagos.

Ainda na trocação, quem viveu até o início deste ano viu a primeira vitória de Ronda Rousey por nocaute em sua carreira, após oito triunfos por meio de finalização por chave de braço – sete deles no primeiro assalto.

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Hendo x Shogun: nocautaço 2

A vítima foi a medalhista de prata olímpica Sara McMann.

Ronda, aliás, foi ainda mais catapultada à condição de grande estrela do Ultimate.

Primeiramente, voltou a lutar menos de dois meses após sua última luta e recebeu, pela primeira vez,o posto de headliner em um evento em pay-per-view – e, de quebra, com pressão zero pelas vendas por parte de Dana White (acabou vendendo 340 mil pacotes).

É pouca a moral da loira?

Mesmo sem lutar no primeiro trimestre, Jon Jones pode praticamente desenhar o seu futuro observando o que aconteceu no período.

O Garotão dos Cotovelos de Navalha já sabe que terá que conceder uma revanche a Alexander Gustafsson, que nocauteou Jimi Manuwa de forma impressionante, caso vença, o não menos pedreira, Glover Teixeira no próximo dia 26.

Além disso, “Joãozinho Ossos” deve ter acompanhado com certa apreensão a estreia de Daniel Cormier nos meio-pesados.

O compadre de Cain Velasquez já é visto como o terceiro na linhagem do cinturão, principalmente após tirar Pat Cummins pra nada no debute do rival na organização.

Johny Hendricks

Hendricks: novo campeão

De Jonny para Johny, o único novo campeão de 2014 foi Hendricks.

Mesmo comendo o pão que o diabo amassou em alguns momentos, Bigg Rigg manteve-se firme em quase 25 minutos de guerra contra Robbie Lawler e faturou o título vago dos meio-médios.

Entre os brasileiros, destaque para a dupla da Nova União José Aldo e Renan Barão, que manteve os títulos da academia em casa no UFC 169.

Com sua primeira defesa de cinturão linear, posto que alcançou após mais uma lesão de Dominick Cruz, Barão cravou seu nome de vez entre os grandes nomes do esporte – ao nocautear Urijah Faber– e retirou qualquer tipo de asterisco que pudesse haver associado à sua imagem.

Já Aldo terminou de limpar a categoria dos penas com a vitória segura sobre Ricardo Lamas, mas deve ter que fazer uma faxina residual, já que o duelo contra Anthony Pettis, que tem um TUF a gravar e uma luta contra Gilbert Melendez confirmada, deve ficar mesmo para 2015.

Outro grande nome do Brasil que foi destaque nestes três meses foi Anderson Silva.

Se as perspectivas a cerca do Spider eram as piores possíveis no último dia de 2013, o clima foi se tornando cada vez mais de otimismo – ao ponto do próprio lutador dar declarações com intuito de conter os ânimos.

Essas previsões de que vou lutar no UFC 181 ou em algum evento próximo não são verdade. Este ano já acabou para mim. Pode ser que lute na metade do ano que vem – mandou o ex-campeão no Combate.com.

Ainda assim, ver Anderson chutando, uma bola de fisioterapia que seja, com a perna que havia fraturado de maneira visualmente tão impactante poucos meses antes foi um dos momentos de maior destaque neste ano, sem dúvidas.

Os três meses iniciais de 2014 ainda tiveram o chutaço no fígado de Luke Rockhold em Costas Philippou, a tardia (porém, bastante animadora) estreia de Tarec Saffiedine, mais uma vitória questionadíssima de Ben Henderson, uma das pesagens mais malucas da história no UFC 171 (com direito a lutador fazendo o “número dois” para chegar ao peso) e o início da treta-mor televisionada entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen.

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Belfort x TRT: polêmica sem fim

Mas, acima disso tudo, teve a polêmica do TRT.

Nenhum outro assunto movimentou tanto os bastidores e teve tantos desdobramentos quanto à decisão da Comissão Atlética de Nevada – prontamente seguida pela Comissão Atlética Brasileira de MMA e pela Comissão Atlética da Califórnia– de extinguir as isenções para uso do tratamento de reposição de testosterona.

Tudo começou no dia 27 de fevereiro, quando a nova determinação do órgão regulamentador estatal veio à tona.

Daí em diante, é possível dizer que as coisas no MMA viraram de cabeça para baixo.

A primeira grande mudança em decorrência da norma foi a retirada de Vitor Belfort do UFC 173, em que enfrentaria Chris Weidman pelo cinturão dos médios, e sua sequente substituição pelo compatriota Lyoto Machida.

Vitor veio a público esclarecer que não estava desistindo da luta, mas que havia sido forçado a abandonar o combate por falta de tempo hábil para se adequar às novas diretrizes.

O Fenômeno também garantiu que sua disputa pelo título dos médios está garantida, tão logo ele tenha condições de atuar – claro, sem a testosterona sintética.

As implicações desta decisão e seus desmembramentos, bem como reflexões sobre a suspensão do uso do TRT no MMA e até mesmo as implicações no caso específico de Belfa, maior expoente do tratamento atualmente, se converteu em uma torrente de notícias, declarações de profissionais, manifestações de fãs e conteúdos opinativos – inclusive aqui no Sexto Round.

O segundo trimestre de 2014 vem aí com onze eventos já confirmados (três pay-per-views, cinco eventos Fight Night, duas finais de TUF e uma noite da série On FOX).

Os principais destaques ficam por conta da disputa pela cinturão dos meio-pesados (uma vez que a dos médios foi adiada pra 5 de julho), a definição do próximo desafiante ao título dos pesados e o tão antecipado choque entre Wand e Sonnen.

E vocês, amigos, o que esperam do período de abril a junho?

Deixei pra trás algum fato importante dos primeiros três meses deste ano?

  • Renan Trindade

    Ô loco, a Ronda que virou a maior estrela do UFC (segundo Dana) vendeu s
    o 340 mil? E esse foi o PPV mais vendido do ano até agora? PS: bom texto!

    • Renato Rebelo

      Ainda não saíram os números do UFC 171, mas o UFC 169 (com Barão e Aldo) vendeu 230 mil. Tá feia a coisa…

  • leo

    O primeiro main event da Ronda foi no UFC 157, ano passado, na Califórnia, e não no UFC 170, em Vegas, A loira fez parte da luta principal em dois cards até o momento!

    • Lucas Pereira Carrano

      Olá Léo,

      Sim. Em sua primeira luta no UFC a Ronda fez aquele main event contra a Liz Carmouche. A questão ali no texto é mais sobre a questão de imagem e vendas – headliner como destaque ou astro mesmo – conforme a referência seguinte. Naquele UFC 157, havia a luta co-principal entre Dan Henderson e Lyoto Machida (que na época soou meio como uma “punição” à dupla pela forma como o primeiro deixou o UFC 151, que acabou cancelado, e a negativa do segundo em substituí-lo).

      Mas, de fato, observei uma dualidade no trecho lendo de novo.

      Agradeço pelo toque.

      Forte abraço.

  • Lucas Silva

    Grande texto, longo, mas detalhado e bem escrito!
    De tudo que foi citado acima o que mais chocou foi o lance do “Aranha”. Vai voltar meia-vida em 2015, mas não podemos deixar de acreditar nessa lenda!

  • Gustavo Trigueiro

    Ótimo texto Lucas e podemos constatar nesse primeiro trimestre a consolidação dos lutadores russos, sempre “casca-grossas”, a evolução dos asiáticos, notadamente, Dong Jung Kim, Kang etc e uma grata surpresa, lutador jovem c grande futuro chamado Gunnar Nelson.

  • Gefferson Nesta

    Excelente texto Lucas… Acredito que para José Aldo não tenha mais ninguém a não sei o Pettis…mas lembrando que Chad Mendes ainda é o maior perigo na categoria, mesmo sendo nocauteado na luta do UFC 142 acredito que ele ainda seja uma pedra no sapato do Aldo. As questões de Belfort e o uso da TRT já ta mais que definido agora basta saber como ele vai voltar a lutar e como será o desempenho dele sem o tratamento. Fiquei um pouco chateado com lesão de Weidman pois queria ver ele Machida travarem essa batalha o quanto antes…mas o que é dele ta guardado! Aldo e Barão mantiveram seus cinturões e ta tudo em casa. O BARÃO costuma dizer que tem muita lenha pra queimar ainda, mas a verdade é que ele incendiou o Puleiro Dos Galos. Só falta o Dominick Cruz, mas o cara parece que é do paraguaí só vive quebrando…E acredito que nem o Rafael Assunção e nem O TJ tem como ganhar dele.

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