TUF BR 3: Isabel, Hortência e o que mais deu pra perceber

Lucas Carrano | 12/03/2014 às 20:01
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Isabel e Hortência

A terceira edição do The Ultimate Fighter Brasil teve início no último domingo (09) e, ao contrário do que se previa, o assunto mais comentado após o término da exibição do primeiro episódio foi a presença das treinadoras adjuntas Isabel e Hortência, a despeito da rivalidade entre Chael Sonnen e Wanderlei Silva – mote da temporada.

Compreendo exatamente a intenção dos produtores ao incluírem a dupla no reality.

Com uma audiência em queda livre da primeira para a segunda edição do programa, buscar novamente o público leigo, que consumiu com voracidade o TUF Brasil 1, era primordial e a estratégia encontrada foi trazer duas pessoas alheias ao universo do MMA para familiarizar os não iniciados.

Porém, como destacou meu amigo Bruno Ferreira (companheiro de redação no Super Lutas), a Rede Globo já está acostumada a transformar avaliações precisas e intenções justificáveis em equívocos.

E ao meu ver, desta vez, foi o que fez a gigante do “plim-plim” novamente.

Hortência e Isabel não têm apelo o suficiente para atrair o grande público e acabam desagradando os fãs mais íntimos das artes marciais mistas.

Logo, não cumprem seu papel principal na atração e ainda acabam interferindo na audiência já estabelecida.

Por sua experiência nos esportes de alto desempenho, são conselheiras valorosas e podem trabalhar o aspecto psicológico e motivacional dos atletas, inclusive fazendo uma ponte entre suas atividades e o MMA.

Mas isso seria mais eficiente em um determinado número de episódios, e não durante toda a temporada, principalmente nas seletivas – onde, é bom que se diga, a presença da dupla não acrescentou absolutamente nada.

Isabel, aliás, em alguns momentos, corroborou com a visão reducionista de que os esportes de combate se resumem à violência (quem já acompanha meus textos sabe que reconheço a violência como parte integrante não só das lutas, mas de qualquer esporte e basicamente toda representação social. A questão aqui é o quão complexa é a realidade).

A insistência da ex-jogadora de vôlei no tópico violência irritou alguns atletas que acompanhavam o programa.

O ex-UFC Wagner “Caldeirão” resolveu se manifestar publicamente sobre a postura de Isabel e não poupou críticas à sua participação no reality.

Sou bem imparcial em comentários de pessoas leigas, mas chamar o MMA (de onde tiro o sustendo da minha família) de violência desmoraliza todos nos atletas, praticantes, treinadores e fãs. Para tecer comentários sobre um esporte primeiro deve-se conhece-lo!

Para não dizer que as participações de Hortência e Isabel foram uma frustração completa, houve o momento em que exerceram a função à qual foram destacadas e propuseram um interessante questionamento, principalmente ao público casual, sobre a legalidade de um chute aplicado sobre o português Gonçalo Salgado.

Por azar, coube a Wand explicar a situação, e a falta de clareza na explanação somada à dicção já tão característica do curitibano acabaram não permitindo que o resultado final fosse ainda mais satisfatório.

O TUF além de Isabel e Hortência

É evidente que a participação das treinadoras convidadas acabou sendo o principal assunto de desdobramento após a estreia do The Ultimate Fighter Brasil, principalmente nas minhas timelines – recheadas de pessoas que já têm certa intimidade com o MMA.

Mas dizer que a síntese deste primeiro episódio foi a atuação de Isabel e Hortência seria uma grande injustiça.

Começando pelo que mais importa no programa: os lutadores.

Tivemos bons valores se mostrando para a luta e já algumas surpresas, como a derrota do português Gonçalo Salgado – que, do ponto de vista do entretenimento, era um dos lutadores com maior potencial (principalmente pela amizade com o craque Cristiano Ronaldo).

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Demente esticando o braço de Steindorf

Entre os que se destacaram em suas lutas, Ricardo “Demente” e Antônio “Cara de Sapato” só devem lamentar o fato do burburinho sobre Hortência e Isabel tirar um pouco da atenção que mereciam.

Além disso, quem ficou acordado até as primeiras horas da segunda-feira foi recompensado com algumas pérolas impagáveis, como quando Cristiano Ferrugem afirmou, em seu depoimento pré-luta, que acreditava piamente que Deus o preferia em detrimento aos demais (por este se considerar mais puro).

Porém, chegando no octógono, o lutador teve um verdadeiro choque de realidade e acabou finalizado por Wagnão Gomes. Bota na conta do Papa.

Pouco depois, Willian Steindorf lançou que, em alguns momentos, chegava a sentir prazer em apanhar (levar socos).

Além de virar sucesso instantâneo de piadas nas redes sociais, há a chance do gaúcho ter saído satisfeito do cage, já que tomou um atraso e tanto de Demente.

Por fim, houve algumas mudanças nos aspectos técnicos do programa – sob a chancela da Floresta Produções.

A produtora se aproximou muito do estilo estético adotado pela norte-americana PilgrimFilms, responsável pelo TUF nos EUA.

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Kelvin Gastelum e o enquadramento importado do TUF USA

O novo TUF ganhou uma edição mais ágil, com enquadramentos muito fechados nos depoimentos, que parecem saídos de um filme de Lars von Trier nos tempos de “Dogma 95”.

Em alguns momentos, é possível ver até o jogo de luz refletido nas pupilas dos lutadores – algo, que para quem acompanha o TUF norte-americano, já é uma característica marcante.

Além disso, foram adicionados novos movimentos de câmera, que contribuem ainda mais para a ideia de dinâmica.

Uma coisa que me incomodou, e muito, foi a insistência da produção em dividir a seletiva em duas partes.

Um erro já cometido no ano passado e que não tem par em qualquer outra edição do reality show.

Um episódio especial, um pouco maior, seria muito mais eficiente, do ponto de vista da narrativa, já que permitiria que os torneios não fossem tão apressados ao longo da temporada – restando mais espaço para as participações especiais, treinamentos, relações e conflitos dos personagens.

Seja sobre as treinadoras-auxiliares, o nível dos atletas, o atrito Wanderlei Silva vs Chael Sonnen ou as inovações técnicas no programa, o que vocês esperam que o TUF Brasil 3 pode nos reservar e quais percepções já tiveram?

  • Luiz De Marco Freitas

    uma dúvida: existe algum teste antidoping p/ lutadores que se candidatam ao TUF? alguns lutadores, principalmente aquele Borrachinha pareciam estar num suquinho legal…

    • Renato Rebelo

      Grande Luiz. Que rola um examezinho pré-TUF para detectar a presença de drogas no organismo, tenho certeza. Não sei se ele explana a presença de esteroides anabolizantes – mas vou procurar essa informação.

  • Renan Trindade

    Puta texto Lucas! Minha primeira impressão tb foi negativa, mas quero esperar outros episódios antes de me assumir como hater total rsrs Meu palpite é que a Hortencia será útil e a Isabel vai sobrar

    • Lucas Pereira Carrano

      Renan,

      O Sonnen já deu uma declaração elogiando muito a participação da Hortência. Confesso que pela encenada de provocação que ela fez no primeiro episódio, a melhor sugestão seria a Escola de Atores Wolf Maia – antes de chegar ao TUF.

      E realmente é complicado malhar o programa por um capítulo. Como disse quando citei – o que considero – o erro de dividir as seletivas, estas lutas preliminares são interessantes como “start” pro programa, mas acabam não sendo tão importantes nas narrativas que vão se desenvolvendo na casa. Também é assim com os outros fatores, tem que esperar mesmo rolar os programas com os atletas já dentro da casa para avaliar.

      Um abraço!

  • Diego Jaqueira

    Tirando a Hortência e a Isabel, gostei muito desse novo TUF, acho que o nível subiu muito em relação ao último, e to com uma expectativa muito boa. Só pra exemplificar isso: o Guilherme que perdeu pro Cara de Sapato é um cara muito bom, já vi algumas lutas dele e acho que ele poderia ir bem no programa, pena ter saído cedo, mas sem dúvida saiu pra um cara sinistro. Minha aposta por enquanto vai no Cara de Sapato e no Borrachinha, vamos aguardar os próximos 8.

  • Leo Ferreira

    Dava pra perceber que as duas estavam desconfortáveis, era o mesmo que colocar duas freiras comentando jogo de futebol, não iria funcionar nunca mesmo, foi uma cagada master. Mas, não duvido da eficiência das duas num momento mais psicológico dos atletas. Tem muito cara bom nas duas divisões e pelas lutas, creio que vai render bem pra quem curte MMA, talvez não pra quem ta acostumado a ver novela e video show.

  • Armando

    Isabel e Hortência são lindas. Hortência uma lutadora trouxe
    muito orgulho para osso pais pela sua garra, classe, persistência. Hortência e
    Isabel, por favor, falem com o time Wand : Como eles poder ter enlamear nosso pais?
    Tem que vencer com dignidade, a baixaria e principalmente a covardia não podem
    ser vêm vindas. Como pode o treinador e de seu assistente bater covardemente um
    atleta convidado em nosso país? Nenhuma frescura é desculpa para a este tipo de
    covardia. Eles mancharam o prestigio de nosso país, não nos representam.

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