Pensando alto: a análise informal do UFC FN 38

Renato Rebelo | 08/03/2014 às 21:12

Fãs londrinos, que esgotaram os ingressos para UFC Fight Night 38 em poucas horas, foram recompensados com uma noite de trauletadas deveras agradável na O2 Arena.

De nove lutas, contabilizei três finalizações, dois nocautes e duas decisões divertidas.

Bom, cortando o papo (lead) furado, vamos à minha leitura meia-bomba do card principal:

GUSTAFAlexander Gustafsson x Jimi Manuwa

Com o mundo a perder, Gustavão entrou no sapatinho contra Manuwa – cuja mão direita foi adquirida pelo exército russo para naufragar navios ucranianos na Criméia. Surpreendentemente, o “Poster Boy” de costas pro chão não é o cágado que esperávamos e logo se livrou de kimuras e americanas para voltar de pé. Acontece que, na sequência, o Viking, malandro escandinavo, usou o benefício da dúvida a seu favor (vai trocar ou quedar?) e fez o inglês baixar a guarda. Pronto. Pombos cirúrgicos no quengo e “title shot” debaixo do braço. Obs: deve ser frustrante saber que a recompensa para bater Glover Teixeira é outra longa noite de angústia e sofrimento – que, provavelmente, terminará numa cama de um hospital.

Jon Jones, quero meu “title shot”! Quando e onde você quiser – berrou o “Mauler”.

JOHNSONMichael Johnson x Melvin Guillard 

Quem te viu, quem te vê, “Jovem Assassino”! Foram os fios de cabelos brancos ou a velocidade do faminto Michael Johnson que te fizeram jogar no contragolpe pela primeira vez na carreira? Da série “quando um não quer, dois não brigam”, Guillard foi responsável por um legítimo nó tático. Enquanto ele, acuado, praticamente deslizou pela grade por 15 minutos, a “Ameaça”, que não apresenta tendências suicidas, foi obrigado a respeitar sua envergadura superior. Fãs londrinos, ávidos por um concurso de mãozadas na cara, vaiaram como se não houvesse amanhã. Assim, a sacal decisão caiu no colo de Johnson, que, ao menos, dominou o centro do octógono e encaixou uma ou outra sequência.

Pelas merdas que ele falou antes da luta achei que ele fosse realmente lutar comigo. Foi muito frustrante vê-lo andando para trás. Acho que tenho a melhor trocação da divisão e posso mostrar isso contra qualquer um – disse o vencedor ainda dentro do octógono.

PICKBrad Pickett x Neil Seery

Aos 35 do segundo tempo – e pela segunda vez na carreira-, Pickett migrou de categoria com a corda no pescoço. Exatamente por não haver margem pra erro, o camarada conhecido na rodinha como “Um Soco” fugiu do pau e recorreu ao meio-campo para neutralizar Neil Seery – veterano trocador de chumbo irlandês. Em outras palavras, via maturidade e comedimento, nosso querido chapeleiro espremeu a decisão (divertida, até). Fez bem porque, em pé, a zebra parecia madurinha, madurinha…

Tive que escutar o meu corner hoje. A todo momento eles pediam para eu quedar. Como meu wrestling é bom, obedeci. Gosto de trocar socos e fiquei desapontado por não ter terminado a luta hoje. Acho que posso lutar muito melhor. Talvez, foi a pressão de lutar no meu país – além dele (Seery) ser bem duro – analisou Pickett.

GUNNARGunnar Nelson x Omari Akhmedov

Papo reto: poucos lutadores me enchem tanto os olhos quanto este franzino islandês de 25 anos. Na análise pré-luta, apresentei suas arrebatadoras credenciais – mas, também, pus meu pezinho atrás em respeito à pujança de Omari Akhmedov, mestre internacional de sambo e wrestler daguestani. O que vimos, no entanto, foi uma palitada de dente do carateca que troca de base freneticamente, mede distâncias com maestria e traz pra mesa jiu-jítsu encontrado apenas no topo da cadeia alimentar. A forma como “Gunni” manuseou (via knockdown, posicionamento e ground and pound) alguém do calibre de Akhmedov deveria levantar – com força- muitas sobrancelhas entre os cadastrados na categoria até 77kg do Ultimate.

Esse garoto é incrível! Ele ficou muito tempo lesionado e enfrentou um cara muito, muito duro hoje – com poder de nocaute e ótimas quedas. Fiquei, literalmente, boquiaberto com a performance dele. O garoto fez parecer fácil – elogiou Dana White na coletiva de imprensa.

Abraços.

  • Tiago Nicolau de Melo

    curto muito o Gusta, só acho que ele nem considerou o Glover… No mais, foi um FN bem responsa. E, o que dizer da pirueta de nível olímpico depois do juizão tirar ele de cima do Manuwa?

    • FrankCastle

      hahaha, é por isso que o Gustafsson é muito ídolo! O cara é bem verdadeiro, esse jeitão desengonçado e tal, mas muito esforçado e sempre evoluindo.

  • igor

    onde vcs assistem a coletiva pós luta?

  • FrankCastle

    Pô, preciso ver essa luta do Gunnar Nelson, parece que foi muito boa mesmo!

    • Julio Cruz

      Cara, terceira luta que vejo do Gunnar Nelson e o cara soh arrebenta. Vai ser um ótimo contender nos meio-médios com certeza. Poderiam dar o Don Hyun Kim pra ele na proxima que eu acho que ele ganharia.

  • Rubens Rodrigues

    Primeiramente! Eu queria dizer que UFC sem o Bruce Buffer… NÃO É UFC! Mas, mesmo assim, eu fiquei super feliz com as lutas e tudo mais…
    Renato, eu queria te dar uma sugestão. Com o TUF chegando hoje (09/03), eu acho que ficaria legal você fazer, tipo, um “Análise informal do TUF”. Tipo, de cada episódio. Além de dar uma variada na programação do blog (apesar de ter muitas e eu gostar de todas. Espero que você pense nessa sugestão.
    Parabéns pelo excelente trabalho, grande abraço!

    • Renato Rebelo

      1- Concordo 100% com você. Achei o “announcer” inglês muito sem sangue.
      2- Estou pensando em fazer essa resenha em áudio, com um quadro do podcast. Vou tentar chamar os participantes para participar. Acha que dá certo? Abração

      • Rubens Rodrigues

        Perfeito!

  • Francis Couto Falbo

    O Rebelo e os podcast? Parou? Esse ufc Londres e a expectativa do ufc mereciam um podcast.

    • Renato Rebelo

      Claro que não. Gravamos toda segunda-feira. Paramos na última por causa do carnaval – mas voltamos nessa, feroz.

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