UFC Macau: quando as aparências enganam

Lucas Carrano | 05/03/2014 às 23:57

Pode ser a carência natural provocada pelo início de ano com o freio de mão puxado do UFC – pelo menos dentro do octógono, já que fora dele as coisas andam agitadas.

Pode ser o efeito do sono, já que o último fim de semana viu os fãs de MMA dormirem tarde, por causa do Bellator 110, e acordarem cedo, devido ao TUF China Finale.

O fato é que o Fight Night Macau, outra alcunha pela qual o Fight Night 37 também ficou conhecido (aliás, nomenclatura essa que já bagunçou a agenda do Ultimate), surpreendeu bastante.

A principal causa da surpresa pelo entretenimento da manhã de lutas, pelo menos para nós mais ao ocidente, foi a baixa expectativa.

Quase todos os comentários e previsões que acompanhei, e inclusive as que eu mesmo produzi, eram de que nos aproximávamos de um potencial evento mais desinteressante do ano.

Nenhum top 10 estava escalado para a noite, duas lutas foram canceladas em cima da hora (a final peso pena do TUF por lesão e a luta entre o brasileiro Alberto Mina e Zak Cummings uma vez que o norte-americano ficou quase 3,5 kg acima do peso combinado) e, como se não bastasse, por alguma dessas coincidências cósmicas, era pleno sábado de Carnaval.

Porém, o evento na Cotai Arena teve um card preliminar como há muito não se via, com atletas realmente querendo mostrar seu valor.

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Nam e Takudome se testando (literalmente)

A programação das lutas iniciais se encerrou com um grande combate entre Yui Chul Nam e Kazuki Tokudome.

Já na pesagem, o japonês e o sul-coreano já haviam dado mostras de que fariam um combate eletrizante.

A encarada da dupla foi bem diferente, por exemplo, da amistosa colaboração entre seus países durante a promoção conjunta da Copa do Mundo de 2002.

E o tempo só fez aumentar a rixa entre a dupla.

Pouco mais de 24 horas depois de se encontrarem frente à balança, o que se viu no octógono remeteu aos momentos mais tensos da relação entre os vizinhos asiáticos durante a II Guerra Mundial.

Como se diz na linguagem popular, Nam e Tokudome “foram para o pau”.

No primeiro round, Nam bateu em Tokudome em pé, no ground and pound e até enquanto se defendia de uma chave de braço.

Mesmo diante da sova tomada, e da quase interrupção do combate devido a uma lesão no olho, o japonês reverteu o quadro no segundo assalto.

Na parcial decisiva, nova vantagem para o sul-coreano.

No fim das contas, apesar do histórico recente, os dois esbanjaram respeito mútuo, certamente já imaginando o cheque de “Luta da noite” que se aproximava.

Decepção mesmo, só por conta da decisão do TUF China na categoria peso meio-médio.

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Da série “só mais cinco minutinhos”…

Como disse ao amigo Alexandre Matos (do MMA Brasil) no Twitter, me surpreendeu que entre os mais de 1,3 bilhão de habitantes, Lipeng Zhang e Sai Wang sejam o que de melhor os chineses tinham a oferecer.

Mesmo disputando arduamente o papel de “gordinho simpatia” da noite, Shawn Jordan e Matt Mitrione fizeram uma luta padrão de pesos pesados.

Pouca movimentação, muita ofegação e golpes potentes.

No fim, um belo nocaute para Mitrione – que mesmo caprichando na fofura, perdeu o “Troféu Picanha” para Jordan.

Por fim, a luta principal da noite, e a única que talvez levantasse qualquer tipo de perspectiva por parte do público.

Dong Hyun Kim e John Hathaway fizeram um combate bem interessante, principalmente por parte do sul-coreano.

Kim demonstrou ser um dos meio-médios mais subestimados da divisão, principalmente se olharmos seu cartel.

Azar do inglês, que voltou de um longo período afastado por lesões contra uma pedreira deste porte.

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Hathaway parecia pressentir a trauletada

Na atuação de Stun Gun apenas a questão do gás preocupa um pouco, já que ele voltou a apresentar uma fatiga notável do sétimo minuto em diante.

Mas isso acaba ficando em segundo plano diante do nocaute arrasador aplicado no terceiro assalto.

Kim já havia fintado e tentado uma cotovelada giratória por diversas vezes, mas acertou um golpe tão limpo que me fez soltar um grito que preocupou os familiares – e possivelmente alguns vizinhos mais atentos.

Definitivamente o primeiro candidato a “Nocaute do ano de 2014”.

Este ano já tem vários eventos programados que despertam baixas expectativas, como este UFC Macau.

Pergunto aos amigos, espero que já recuperados da ressaca do Carnaval, qual outra noite de luta já anunciada acreditam que também possa surpreender?

Lembrando que, neste sábado, já temos o Fight Night 38, direto de Londres, com o seguinte card:

Alexander Gustafsson x Jimi Manuwa
Melvin Guillard x Michael Johnson
Brad Pickett x Neil Seery
Omari Akhmedov x Gunnar Nelson
Cyrille Diabate x Ilir Latifi
Luke Barnatt x Mats Nilsson
Brad Scott x Claudio Henrique da Silva
Roland Delorme x Davey Grant
Igor Araujo x Danny Mitchell
Louis Gaudinot x Phil Harris

  • Francis Couto Falbo

    acho q vc gostou tanto assim do card preliminar pq realmente fazia tempo q naum rolava uma preliminar mais ou menos como essa…..Mas , q para nível de ufc q tem toda a mídia e recursos disponíveis ainda ta longe do aceitável……..

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