Gil Melendez no Bellator: bom ou ruim para os fãs?

Renato Rebelo | 19/02/2014 às 23:31
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Até poster os fãs fizeram

Tudo começou quando Gilbert Melendez recusou enfrentar Khabib Nurmagomedov no UFC 169.

Enquanto as más línguas diziam que “El Ñino” sofria de hepatite (doença que deixa a pele amarelada), seu empresário, Rodolphe Beaulieu, o mesmo de GSP, travava batalha nos bastidores por uma renovação contratual.

O que chegou a Dana White foi o seguinte: 175 mil dólares de bolsa não é mais suficiente para segurar um dos melhores pesos-leves da história – capaz de adrenalizar o público com atuações como a vista contra Diego Sanchez.

O careca, contrariado, não gostou da negativa e muito menos da insatisfação financeira.

A negociação se arrastou por algumas semanas até que um lado da corda arrebentou:

Pra mim chega. Não me importo mais. Eu gosto do Gilbert Melendez, mas não gosto do seu empresário. É melhor ele começar a olhar outras alternativas – mandou Dana semana passada em bate-papo com o repórter Ariel Helwani.

Imediatamente, Bjorn Rebney passou a mão no telefone e fez uma consulta pelo talentoso brigador de origem mexicana.

Em poucas horas, Melendez e Bellator chegaram a um acordo.

Não é segredo que sou um grande fã por muitos anos. Gil foi um dos primeiros lutadores que tentei contratar quando lancei o Bellator em 2008, e ele cresceu e se desenvolveu num dos melhores e mais empolgantes pesos-leves do Planeta. Gil tem uma visão do que quer conquistar tanto dentro quanto fora da jaula e nós podemos ajudar a tornar sua visão em realidade. Nós estamos no negócio de desenvolver e exibir os melhores lutadores da Terra. É o que queremos fazer aqui com o Gil – esclareceu o CEO do Bellator.

Acontece que o UFC ainda tem uma última linha de defesa: o famoso “matching rights” (direito de igualar a oferta).

Foi exatamente essa a manobra usada pelo Bellator no passado para impedir a migração de Eddie Alvarez para o UFC.

A pergunta que fica é: será que o Ultimate vai abrir a carteira para não perder, pela primeira vez, um atleta top 3 pro maior rival?

Se o UFC me quiser, eles têm o direito de igualar (a proposta). Deixarei os fãs informados assim que estiver tudo acertado – escreveu Melendez no Twitter.

Vale notar que há o interesse de terceiros em jogo (os de Nick e Nate Diaz e Jake Shields, mais precisamente) e o desgaste pode acabar aumentando…

Gilbert Melendez não será intimidado por Dana White. Se não forem cuidadosos, nossos caras vão deixar o UFC para ir ao Bellator – ameaçou o treinador Cesar Gracie.

E nós, o que fazemos desse imbróglio todo?

Comemoramos o fato de outro evento estar ganhando corpo ou lamentamos a perda de lutões do naipe de Gil x Pettis?

Vamos à regra econômica: todo monopólio é péssimo para o consumidor final!

Num primeiro momento, pode até parecer mais cômodo termos todo talento debaixo do mesmo guarda-chuva.

Acontece que essa essa prática tem um (alto) custo.

Por exemplo:

Com o crescimento da demanda por MMA, o preço do pay-per-view do UFC – único no mercado- tende a ficar cada vez mais salgado.

E se o Bellator montar, sistematicamente, cards contendo Alvarez, Melendez, Michael Chandler, King Mo, Rampage Jackson e cia a preços mais acessíveis?

Cedo ou tarde, a Zuffa terá que se readaptar para não perder uma fatia da torta.

A livre concorrência é uma benção e só ela é capaz de nos proporcionar produtos/serviços mais baratos e de melhor qualidade.

Há também o prisma do lutador.

Quanto mais opções no mercado, maior o poder de barganha na hora de negociar as bolsas.

Cria-se também novas oportunidades para iniciantes e renegados de grandes eventos – que, assim como Anthony Johnson, podem dar a voltar por cima com um ou outro ajuste.

Confesso que meu apreço por Melendez x Nurmagomedov era enorme – mas minha vontade de ver o esporte crescer como um todo é ainda maior.

Portanto, se for atravessar a ponte, que vá pela sombra, Gil!

Abraços.

  • Mark Sgarbi

    Concordo, temos que pensar a longo prazo, para o melhor pro esporte que tanto amamos.
    Um exemplo ruim de ter um monopólio é Barão ganhando micharia, coisa que acho absurdo.

  • zagolee

    Excelente texto!

    Comentava isto com meu amigo estes dias… O monopólio de qualquer negócio só é bom para o dono da empresa! Ótimo para o UFC e péssimo para os atletas que não tem opção e tem que barganhar seus contratos. Lembram-se dos momentos póstumos Pride, Aflliction, Strikeforce, Dream, WEC e até outros eventos, quando os atletas ficaram “desesperados” sobre o futuro das oportunidades em grandes eventos? Foi uma merda…

    Eu acho que seu tivesse que dar um nome de filme para o que aconteceu entre Melendez x UFC eu chamaria de “A Grande Virada!”… kkk! Foi simplesmente genial pro Melendez, pois com uma tacada de mestre ele pegou dois coelhos, um ótimo contrato e uma saída de mestre pra não enfrentar o Nurmagomedov (Isso não tem nada a ver com covardia desumana!). Mas a grande lição que fica pro UFC é que se eles não oferecerem melhores propostas… Alguém vai!

    Dúvida mortal: Melendez vai pro Bellator ou o UFC iguala a oferta e Melendez fica?

    • Harry Rocha

      Se o UFC igualar ele vai ter que ficar na casa atual.

      • zagolee

        E o ego onde fica… kkk?

  • André Oliveira

    Vai ser incrivel termos o Gil no Bellator. Possibilidades de lutas contra:
    Eddie Alvarez, Will Brooks, Michael Chandler, Marcin Held, Dave Jansen, Tiger Sarnavsky, David Rickels, Derek Campos, entre outros.
    Eu acho o nivel do peso leve do Bellator igual ao do UFC, e com a adição do Gil Melendez teremos torneios sensacionais pela frente.

  • Renan Trindade

    Rebelo, suas sínteses são as melhores. Sou seu fã cara!

    • Renato Rebelo

      Porra, meu velho, fico muito honrado. Obrigado, de coração!

  • Rubens Rodrigues

    Poxa, Renato. Fiquei muito triste com essa noticia. Melendez é um dos meus lutadores preferidos. Que droga. rs
    Excelente texto, parabéns pelo trabalho!
    Grande abraço.

  • Andre Goiano

    Por mais que o UFC faça muitos shows por ano, os seus lutadores, salvo raras exceções, lutam de 2 a 3 vezes por ano. Se bons lutadores pudessem se espalhar por outros eventos, poderíamos ver mais lutas e nossos lutadores favoritos acabariam atuando mais vezes por ano. Outra coisa – o UFC faz muita grana com o esporte e me parece que a política salarial deles não é das mais justas. Se o cara reclama, vaia para a rua e não tem onde lutar. Outros eventos fortes valorizariam inclusive os próprios lutadores do UFC que teriam maior poder de barganha na hora de negociar.

  • Leo Ferreira

    É bem isso mesmo. O UFC ainda vai reinar como grande por muito tempo e tem porte pra isso, contudo, tem que começar a abrir o olho e procurar novas formas de prender seus atletas. É fato que a organização paga mal, e também é fato que o lutador não entra num cage sem querer ser bem remunerado e se tem outro que oferece mais grana, o cara vai, até pq ele deve imaginar no concorrente um caminho mais fácil pra ser campeão, até pq já chega lá com pinta de estrela.

  • dalton

    Dana que c cuide, e abre a carteira! Poxa, os caras fazem 3 lutas por ano, o esporte tem que crescer, regras evoluirem, e todo mundo sabe que as bolsas dos atletas são muito baixa para o nível que c e apresentado no UFC, na minha opinião, tende-se a melhorar sim, esse e o caminho, concordo com amigo Andre Goiano…

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