Ainda que fracasse, anúncio
da MMAAA mudou o esporte

Felipe Paranhos | 01/12/2016 às 23:10

“Nem Conor McGregor tem a divisão que deveria”. Nada me surpreendeu mais no anúncio da MMAAA (sigla para Mixed Martial Arts Athletes Association) do que esta frase. Para além da discussão rasa entre mocinhos e bandidos, está claro que a disputa por dinheiro alcançou um novo patamar.

O time de conselheiros formado por Georges St-Pierre, Cain Velásquez, Donald Cerrone, Tim Kennedy e TJ Dillashaw bateu duro no UFC, por todos os motivos que já conhecemos, inclusive “ameaças” e “intimidações”.

E nem precisa ser versado nos bastidores do esporte para conhecer histórias do tipo: Mehdi Baghdad afirmou, pouco mais de um mês atrás, que foi demitido da organização por se recusar a lutar lesionado num evento que acabou nem existindo.

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União mais sólida de atletas já vista no MMA

Mas esta é exatamente a grande diferença, senhores, entre o que começa a se formar e tudo o que conhecíamos até agora: tudo o que já foi tornado público sobre relações espúrias e situações abusivas dentro de um esporte tão duro à vida e à saúde dos lutadores era apenas isso, relatos tornados públicos. Manchetes.

Agora, independente de quão relevante se torne a MMAAA nos próximos tempos, existe uma representação que se propõe a bater de frente e organizar mobilizações – que podem, por que não, resultar em protestos e greves.

Por exemplo: se no UFC 206 Tim Kennedy e Donald Cerrone vencerem suas lutas e aproveitarem o tempo de microfone com Jon Anik para fazer um libelo contra o UFC, ele podem até ser demitidos.

Mas na outra semana há o quase-aposentado Urijah Faber e o declarado apoiador Cole Miller; no evento final de 2016 tem os já mencionados TJ e Cain, além de Fabrício Werdum, de quem se pode esperar qualquer coisa. E aí, pra ficar incontrolável, é ‘daquiprali’.

Então, não tenha dúvida de que tem muita gente nos escritórios do UFC com a mão na cabeça. Quem pagou R$ 4 bilhões numa organização, com base nos números anteriores, definitivamente não esperava dividir mais do que o planejado, muito menos contar com uma possível crise de imagem diante do público.

Sem falar que o braço ‘empresarial’ da MMAAA é alguém que tem todos os motivos para querer brigar: Bjorn Rebney, escondido desde a saída do Bellator, tem uma oportunidade rara de se fazer relevante novamente, o que pode, claro, render-lhe dividendos em breve.

Os números confirmam a forma ultrajante e unilateral com a qual o UFC tratou os atletas. O MMA é um esporte perigoso. As conseqüências de ser um artista marcial, a curto ou longo prazo, são assustadoras. Apenas pura decência humana diz que os lutadores devem ser pagos de forma justa e cuidados a longo prazo. A CAA (rival da WME-IMG) não está apoiando esse empreendimento. Está apoiando os atletas. O ano mais bem sucedido que já tive à frente do Bellator, paguei 53% da receita para lutadores. Vamos conseguir um acordo com o UFC para os ex-lutadores”, declarou Rebney, que almeja uma renegociação coletiva com o UFC, para passar a receita aos lutadores de 8% para 50%”, disse Bjorn Rebney na conferência de imprensa que anunciou a MMAAA.

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Conseguirá a associação se impor ao UFC?

Aqui, pela primeira vez neste texto, dou uma opinião. Sabe quanto importa a rejeição que Rebney tem hoje entre lutadores? Nada. Tantas manifestações contrárias vão durar o tempo até Bjorn conseguir algo que interesse aos atletas.

A questão é óbvia: eles o odiavam porque ele jogava do outro lado. Hoje, jogando no mesmo time, a chance de isso se reverter é enorme.

Eu acredito que atletas de MMA, pelas características inerentes ao esporte (assistam “Champs”, no Netflix), precisam de uma representação.

Não sei se esta é a melhor, mas, sinceramente, o problema é deles lá. Nem o MMA vai acabar, como Rebney chegou a dizer, nem é possível que uma organização domine os protagonistas do esporte da maneira que acontece hoje.

Independente de como for, a relação atleta-organização vai mudar – mesmo que a MMAAA fracasse. O fã do esporte não tem absolutamente nada a perder com isso.

  • Jp Mikelane

    #foraReebok

    • KRS Porlaneff

      #foraReebok #voltaobannerdospatrocinadores #voltaospatrocinadoresdabermuda #rankingjusto

      • Renato Rebelo

        Hahaha aqueles banners realmente fazem falta. Tinham boas permutas, tipo: “Padaria do Severino”, “Rodízio de massas do Fulano”…

        • Gustavo Gomes

          Creio que moldava muito a identidade dos atletas. Anderson silva e seu cação amarelo, Shogun sunga branca… entre outros.

          • Lucas Natan

            Anderson não lutando com calção amarelo/preto e o Jones sem o seu vermelho solto/cortado dos lados foi foda de ver…

  • Thiago Batista

    Penso que até a metade de 2017 o acordo com a Reebook cai, no entanto, se o acordo for mantido e eles fizerem um reajuste de 400% como estão fazendo com a televisão (FOX) aí a base de pagamentos ficará muito melhor para os lutadores, principalmente os iniciantes.

  • Gefferson Nesta

    #foraReebok
    Sinto saudades das camisas personalizadas dos lutadores, Affliction, Tapout, Bad Boy e etc… Tenho umas 6 camisas dessas e adoro todas, e eu jamais compraria essas camisas bizarras da Reebok.

    • KRS Porlaneff

      E se um dia por acaso você mudar de idéia, lembra bem do que eu vou dizer: as camisas do kit Reebok são de baixa qualidade e ainda mais bregas do que são mostradas no site.

      Não sei se você já viu alguma ao vivo, mas eu já vi uma vez no metrô de SP um cara com a camisa do kit Reebok do Lyoto Machida. E garanto: é ridícula – e não só porque a Reebok fudeu com meio mundo.

  • felipe

    Qual é o problema que os lutadores tem com o Rebney???

    • Renato Rebelo

      O Bellator nos tempos dele tinha um dos contratos mais predatórios do esporte. Era praticamente impossível sair dele. O Alvarez lutou o quanto pôde e ainda teve que voltar – pq a batalha nos tribunais tava ficando cara.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Eu quer é ver sangue hahaha, vamos ver as primeiras atitudes e se já vai ter rolo nesse primeiro evento, se o Kennedy vencer já pode preparar os ouvidos que ele vai falar disso o evento inteiro… mas penso que pode ser bom, mas tenho desconfiança.

  • Malk Suruhito

    O Robney diz que pagou 53% da RECEITA do Bellator aos atletas e não do LUCRO (e é odiado por metade dos atletas).
    Fica fácil saber pq um foi a falência ( e expulso do próprio negócio que fundou) e o outro se tornou um negócio saindo da casa dos 2 milhões para 4 bilhões.

    P.s.: Não morro de amores pelo White, UFC muito menos este acordo com a Reebok e valores de bolsa que muitos já recebiam antes. Acho que tem espaço suficiente para eles receberem mais, principalmente via patrocinadores e o UFC ceder mais dos lucros sem tomar prejuízo. Os exemplos acima (53% x 8%) são os extremos de cada ponto de vista e prejudiciais a uma das partes (quando não as duas, já que um evento falido leva todo mundo junto pro saco, incluso os trabalhadores periféricos como os Jornalistas), e o ideal é chegarem a um ponto de equilíbrio.

  • magnuseverest

    A paz acabou no UFC,mas com tanta bizarrice acho que é só o começo.

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