Resenha do estagiário:
os destaques do UFC FN 101

Tiago Paiva | 27/11/2016 às 14:54

Saudações, leitores do Sexto Round! Cá estou novamente na missão de analisar o divertido UFC Fight Night 101, evento que rolou neste sábado na bela cidade de Melbourne, na Austrália.

Os 13.721 fãs que lotaram a Rod Laver Arena acompanharam um card inicialmente desacreditado, mas que entregou mais do que prometia, mesmo ocorrendo dez lutas terminadas na decisão dos jurados, empatando o recorde junto com o UFC Fight Night 36, o UFC Fight Night 83 e o UFC 169.

Sem mais papo furado, vamos a análise do que rolou de mais importante:

whittakerRobert Whittaker x Derek Brunson

De acordo com o Dicionário Priberam de Língua Portuguesa, afobar é “atrapalhar-se; fazer qualquer coisa com precipitação; ficar afobado.”

Nem precisa dizer que essa foi a tônica da performance de Derek Brunson em seu combate contra Robert Whittaker. O representante da cerebral Jackson’s MMA ignorou o caminho mais tranquilo – derrubar e amassar – para trocar porrada com um dos contragolpeadores mais mortais da divisão, talvez do MMA.

O resultado – embora com alguns solavancos no percurso – não poderia ser diferente. Vitória de Whittaker por nocaute em casa, aos pouco mais de quatro minutos do primeiro assalto. O australiano está 5-0 desde que subiu para os médios, empatando com o Krzysztof Jotko e o campeão Michael Bisping no segundo lugar das atuais maiores sequência de vitórias da divisão, atrás apenas do cubano Yoel Romero, que tem oito.

Se alguém, como eu por exemplo, tinha dúvidas sobre Whittaker, elas foram respondidas. Definitivamente chegou o momento do nocauteador dar mergulhos em águas mais profundas. No mais, hoje não tem garçom triste na Austrália: o garotão embolsou dois bônus da noite (performance e luta), gerando 100 mil dólares a mais na conta.

holbrookJake Matthews x Andrew Holbrook

Citando Dario José dos Santos, o saudoso Dadá Maravilha, não existe gol feio; feio é não marcar. Andrew Holbrook levou isso ao pé da letra e abusou do grappling para arrancar uma decisão dividida que fez a alegria de muitos apostadores por aí, afinal o americano era o maior azarão do evento.

O Garoto Celta, também conhecido como Justin Bieber do MMA, começou a luta bem, usando e abusando do seu atleticismo, mas uma queda de rendimento após uma aparente lesão no pé o prejudicou brutalmente. A falta de urgência no terceiro round, provavelmente atenuada por sua tenra idade – 22 anos – também foi crucial. Segunda derrota seguida do meninão e sinal de alerta ligado.

“Eu era um grande azarão para essa luta. É sensacional vir aqui e conseguir a vitória. Você não deve ter medo de lutar na casa do oponente. Devemos lutar não importa o que aconteça”, mandou Andrew Holbrook após a luta.

kellyDaniel Kelly x Chris Camozzi

É impossível não citar a premonição do nosso colunista Felipe Paranhos: “Daniel Kelly tem o poder de fazer o adversário ter a pior luta da sua carreira”. Dito e feito. Chris Camozzi – o segundo homem que mais chutou pernas na história dos médios, com 188 chutes – começou bem, especialmente ao abrir um corte ginecológico na testa do judoca australiano no primeiro round, mas parou por aí.

Com sangue nos olhos (literalmente), o quase quarentão conseguiu reverter o panorama já no fim do primeiro round, e passeou pelo segundo e terceiro abusando do seu justo jogo de chão. Terceira vitória consecutiva para Kelly, que provavelmente agora brigará por uma vaga na portaria do top 15 da divisão.

“Foi mais complicado derrubá-lo do que eu esperava, mas estou feliz. Tou satisfeito com minha trocação, acho que ganhei dele em pé, e ele é muito gabaritado. Só preciso aprender como defender cotoveladas melhor”, analisou Dan Kelly após o combate.

Amigos, para os demais resultados, bônus e a coletiva de imprensa pós-evento, é só dar um pulinho no tópico do UFC Fight Night 101 em nosso fórum.

  • Leonardo José Consoni

    Até hoje o Whittaker conseguiu não tomar conhecimento da diferença de tamanho para a concorrência nos médios. Será que continua assim agora que ele adentra ao topo da divisão ?

    • Matheus V.

      Pois é, temos que esperar para ver se isso fará diferença mais a frente. Sua luta mais dura no peso médio foi contra o Clint Hester, que era bem maior, mas o pior tecnicamente dos que enfrentou.
      Em compensação, ele está bastante rápido, lembrando o Machida dos velhos tempos com aqueles contragolpes mortais.

  • Hyuriel Constantino

    Esse Whittaker é sinistro. E isso só torna o Thompson ainda mais valorizado, já que foi ele o homem a despachar o australiano pra categoria de cima.

  • Walter Filho

    Essa categoria dos médios que até tempos atrás era das mais rasas do UFC, hoje é das mais interessantes. São no mínimo uns 8 atletas duríssimos e que podem proporcionar lutas do mais alto nível.
    Bisping x Romero
    Luke x Jacaré
    Mousasi x Whittaker
    Brunson x Kennedy, que acredito que vença o Gastelum

    Ainda tem o Rashad que pode fazer algum barulho nessa categoria, o Jotko que também vem bem, o Belfort e o Anderson, ambos em um momento já descendente, mas que não podem ser descartados.

  • Gustavo Lima

    Estagiário evoluindo tanto quanto o Whittaker, parabéns Tiago!

    Quanto ao Robert, há tempos venho de olho nele e diante das utlimas performances, potencial técnico já dava pra ver que não faltava na trocação. Depois da pressão de ontem, dá pra colocar nesse balaio a resiliência e relativa calma que ele mostrou ontem – titubeou um pouco mas é algo normal quando você tem um jumento daqueles tentando roubar sua alma com swingões sinistros consecutivos.

    Mas ainda tem um ponto que me deixa um pouco receoso: A estatura/envergadura dele. Creio que agora seja a hora de enfrentar um grandalhão e/ou um grappler cabuloso – Mousasi ou Rockhold hoje colocariam ele na porta do campeão (que nessa altura acho que já nem vai mais ser o Bisping).

  • Beto Magnun

    Card teve umas lutas ruins, mas o preliminar começou bem. Cavaleiro vs Dan Puta fizeram um duelo animado, John Tuck e Demian Brown idem. E Nguyen vs Herrera foi a melhor da noite até o chegar a luta do Whitaker.

  • Thiago Arruda

    A gente tem que destacar o péssimo trabalho do Sean Shelby. Esse foi de longe o pior card do ano, não somente no aspecto de relevância dos lutadores, mas também, no casamento de estilos do lutadores. 10 decisões horrendas… ainda bem que tinha o Dan Hardy nos comentários pra salvar

  • bedotRJ

    Prá mim, não houve outro destaque além do QI de luta do Brunson. Destaque negativo também é destaque. o/

  • Vicente Pontes

    Eu achei que o Mc Zaac do mma ia arrepiar depois de ter aberto uma xana na cabeça do judoca, mas como esse Dan Kelly é resistente. E o Brunson “Werdunizou” e deu no que deu. QI de luta -50

  • Bruno

    Que lutaça essa do Whittaker e do Brunson!
    Não acho que o Brunson usou estratégia errada, ele buscou a luta agarrada a todo o tempo. Só que não conseguiu nada e se desesperou.

    Mas o melhor foi o narrador confundindo o lutador com:

    http://assets0.minhaserie.com.br/images/highlights/000/031/227/30325.jpg

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    O Hype do Matthews vai caindo, e caindo, é muito jovem e tem muito tempo pra evolução, mas foi um balde de água fria essa derrota, e o Kelly é surpresa mesmo, espero que ele não sinta tanto a idade, mas parece que não dura mais que 2 anos no MMA, mas 5-1 é um cartel e tanto no UFC.

  • Weslei Alvarenga

    Se o Mcgregor tem mérito por fazer seus adversários lutarem mal pelo seu ataque psicológico e técnico, o Kelly faz pela sua ruindade….. PQP !!!!!!! AGR NGM SEGURA O COROA !!!

    O Justin Bieber australiano tem q treinar nos EUA URGENTEMENTE !

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