Top 5: interrupções que geraram discórdia no MMA

Lucas Carrano | 05/02/2014 às 16:45

A precoce interrupção de Herb Dean na luta principal do UFC 169 é a motivação para o post desta semana.

Apesar de achar a ação precipitada, adianto que não concordo com o volume de críticas ao ocorrido e principalmente a forma como, em alguns momentos, este tipo de comentário ofuscou a atuação de respeito que Renan Barão teve nos poucos minutos de combate.

Antes de listar aqui cinco momentos bem “mamilos”, adianto que não é minha intenção produzir aqui a relação definitiva sobre as cinco interrupções mais questionadas da história do MMA ou mesmo organizar os momentos pela relevância da trapalhada em questão (exceto a número um, quase hors concours).

Dito isso, sem mais preâmbulos, vamos à lista:

5- Hidehiko Yoshida x Royce Gracie

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Pra começar, uma luta que, para o Sherdog, referência mundial quando o assunto é cartel, nem é considerada de MMA: a disputa judô vs jiu-jítsu entre Hidehiko Yoshida e Royce Gracie no Pride. O japonês finalizou o combate com um ezequiel – que até hoje deixa os fãs do lendário Gracie e membros de fóruns especializados de cabelo em pé. O assunto já foi tema de reportagens em revistas e há praticamente um consenso de que o campeão de três dos quatro primeiros UFCs não foi finalizado de maneira alguma. A opinião mais recorrente é que a pressão de Yoshida, que teria soprado algo para o juiz em japonês, teria sido fundamental na decisão. Tirem suas próprias conclusões.

4 – Matt Hamill x Jon Jones

JONES

O quarto momento não é uma interrupção precipitada ou equivocada, mas não deixa de ser uma decisão do árbitro central questionadíssima. A luta entre Matt Hamill e Jon Jones é, até hoje, uma das principais razões que motivam Dana White a jamais se esquecer de dizer “stupid” antes de completar o nome de Steve Mazagatti. É indiscutível que Jones realmente aplicou a tal cotovelada de 12 as 6, mas é a opção por desqualificar “Bones”, e não declarar um “no contest”, que mais incomoda os críticos. O resultado foi uma cara de tacho como há muito tempo não se via para Jonathan, que conheceu sua primeira e única derrota até hoje no MMA montado no adversário. Para aqueles que discordam de Mazagatti, se serve para abalizar sua opinião, o próprio Hamill disse não se considerar vencedor daquela luta no TUF 10 Finale.

“Eu não me considero vencedor. Não mesmo. Para mim, o Jon Jones ainda está invicto. Espero poder lutar contra ele de novo para termos uma luta limpa”, disse o simpático wrestler, em entrevista ao Combate.com.

3 – Yoel Romero x Derek Brunson

brunsonnNo terceiro posto está um representante de 2014 e que vai na contramão das paralizações prematuras. Muito maior do que os comentários sobre uma eventual freada de bicicleta, ou derrapa de trator (não estou aqui para julgar), de Yoel Romero no UFC Fight Night 35, foi a forma devastadora como o cubano massacrou Derek Brunson no final do terceiro round. E o pior: tudo sob o olhar complacente do árbitro Blake Grice, que permitiu que Brunson levasse uma das saraivadas mais desnecessárias da história – talvez espantado por ver o “Soldado de Deus” aplicar a justiça divina logo ali na sua frente. Se é frustrante do ponto de vista desportivo uma paralização antecipada, que pode ceifar a chance de consagração de um atleta, a demora em intervir cobra um preço ainda mais alto quando o assunto é a integridade física e possíveis sequelas futuras no lutador.

2 – Tito Ortiz x Ken Shamrock

ortiz-shamrock041No número dois, voltamos às interrupções prematuras e novamente com Herb Dean como juiz central. Em 2006, Ken Shamrock e Tito Ortiz finalmente fariam sua revanche, após serem treinadores rivais no tenso TUF 3 (o que me faz pensar, já sabendo de tudo que anda acontecendo entre Wanderlei Silva e Chael Sonnen, se o que faz o programa soltar faíscas é associar as letras T, U e F com o número 3 – mesmo que tenha o complemento “Brasil” depois). Shamrock e Ortiz se odiavam, mesmo. Neste caso, acredito que Dean possa ter se preocupado com algum tipo de excesso por parte do “Huntington Beach Bad Boy” quando ele conseguiu pegar o rival no ground and pound. O fato é que Ken tomou cinco cotoveladas seguidas, não estava inconsciente, mas também não havia apresentado qualquer tipo de reação quando Herb interferiu e parou a luta com pouco mais de um minuto. A situação ficou tão feia no octógono que pelo menos uma dúzia de seguranças teve que subir ao cage para conter a fúria do “Homem Mais Perigoso do Mundo” e sua equipe.

1- Kazushi Sakuraba x Marcus Silveira

stoppedÉ difícil cravar que esta é a pior interrupção da história do MMA, pois pense em quantos eventos já foram promovidos no esporte. Mas falando em mainstream e considerando o UFC como o maior expoente das artes marciais mistas, fica fácil afirmar que esta é a intervenção mais catastrófica que o octógono mais famoso do planeta já presenciou. O ano era 1997 e o evento o UFC 15.5, ou Ultimate Japan 1, realizado na Yokohama Arena. Kazushi Sakuraba recebe um golpe duro do brasileiro Marcus “Conan” Silveira e tenta se agarrar às pernas do rival. O árbitro Big John McCarty interpreta o gesto como um sinal de desistência e paralisa o combate. Sakuraba ficou tão irritado com o resultado que tentou, sem sucesso, roubar o microfone de Bruce Buffer após o fim do confronto. Posteriormente, o resultado viria a ser revertido em um no contest, justamente sob a alegação de paralisação precoce. Mas em tempos de desenvolvimento nas telecomunicações, a vingança de Sakuraba chegou via internet discada. Algumas horas depois, quase o tempo de baixar aquele instalador de 14 MB do MSN, o Caça-Gracie entrou na vaga do lesionado Tank Abbott na decisão do torneio de pesados da noite e venceu o próprio Conan por finalização, sagrando-se campeão do certame. O vídeo do duelo (infelizmente sem áudio) você confere clicando aqui.

Menção (não tão) honrosa – Murilo Bustamanete x Matt Lindland

susumu16No UFC 37, em maio de 2002, o brasileiro Murilo Bustamante fez sua primeira defesa do cinturão dos médios. Bustamante encarou o medalhista olímpico Matt Lindland na luta principal e conseguiu finalizar o adversário com uma chave de braço logo no primeiro assalto. E é agora que você diz: “Lucas, olhei aqui no cartel de ambos e consta que a luta terminou no terceiro round, com uma guilhotina”. Pois é, Bustamante realmente finalizou no primeiro assalto e Lindland bateu em sinal de desistência, mas o norte-americano negou com veemência logo após a intervenção do árbitro Big John McCarthy, que, pasmem, mesmo tendo paralisado o combate, retomou as ações e desconsiderou a finalização. O confronto se estendeu até o terceiro round quando Murilo novamente finalizou Lindland, desta vez com uma guilhotina, e finalmente saiu como vitorioso. Por ter sido o único atleta na história do Ultimate a finalizar o oponente duas vezes na mesma luta, o fundador da Brazilian Top Team conquistou uma vaga entre as melhores finalizações dos 20 anos de UFC, no especial produzido pela própria organização.

Encerro perguntando aos amigos se há outras lembranças de interrupções polêmicas, seja por demora excessiva ou intervenção prematura.

Qual é o top-5 de vocês nesta indesejada categoria?

  • Rodrigo Oliveira

    Uma que sempre me vem à cabeça é a interrupção extremamente tardia da luta do Weidman contra o Munoz – o descendente de filipinos tomou quase uma dúzia de golpes já nocauteado antes do Rosenthal intervir.

  • Renato Rebelo

    Do topo da cabeça também lembro do faniquito do Frank Mir contra o Barnett e do Brock Lesnar tendo que dar seis, sete, oito tapinhas pro Mazagatti parar a luta entre ele e o próprio Mir.

  • Renan Trindade

    Muito boa pauta Lucas! A do Murilo pra mim, foi a mais bizarra da história. O próprio Big John diz que foi o maior erro da carreira dele

    • Lucas Pereira Carrano

      Primeiramente, muito obrigado, Renan!

      Sobre o Big John, acho muita “ousadia & alegria” da parte dele cravar assim. Cada vez que penso sobre a paralisação do Sakuraba e a “anulação” de finalização do Murilo uma me parece mais intragável que a outra. Logo, só posso supor que são igualmente vexatórias. Fosse eu o árbitro gigantão, evitava até tocar no assunto e bola pra frente. 🙂

      • zagolee

        Errar é humano, reconhecer é humildade, repetir o erro é burrice, e claro, perdoar é divino. (feat zagolee lifestile)

  • Marcus Vinícius

    As (não) interrupções do Toquinho são uma categoria à parte.

    Acredito que o Cigano apanhou mais do que precisava na última peleja contra o monstro Velásquez.

    As demais listadas nos comentários abaixo também são muito dignas de memória.

  • Alex Leite

    Impossível não lembrar da finalização do Josh Burkman sobre o Jon Fitch,na estreia do último pelo WSOF. Se o Burkman não tivesse soltado, o Fitch poderia sofrer consequências gravíssimas. Péssima atuação do Mazzagatti

    • zagolee

      Meu sonho era ver o canal Combate passando todos eventos de MMA e lutas do mundo, mas a realidade é triste demais!

      • FABIO NEVES

        Realmente a programação do canal combate está medíocre demais.

        Resume-se ao UFC e suas reprises e alguns raros programas de entrevistas e reportagens do mundo da luta.

        Eu fico com a impressão que eles colocam um DVD pra rodar e vão pra casa curtir a família….

  • zagolee

    1. Ainda bem que a luta do Bustamante e Lindland estavam no final (risos), pois foi uma come broa clássica do Big John,,, kkk!

    2. O que me vem na cabeça de cara foi a luta do Erick Silva x Carlo Prater, lembro-me perfeitamente que num fórum muito famoso detonaram o Yamasaki e colocaram em dúvida até sua ética de trabalho… (Claro que Yamasaki não se abalou, a vida segue!)

    3. A mais recente foi do Barão x Faber, mas hoje claramente vejo que Herb Dean acertou.

    4. Não sei se tem a ver, mas na luta do Sakuraba x Arona, o Arona enfiou os dedos nos olhos do Gracie Hunter e ainda saiu como vitorioso… Claro que merecia uma desclassificação!

    Tem outras, mas estou cansado e não consigo lembrar.

  • Rodrigo Baroš

    A inesquecível paralisação mais do que tardia do Dan Miragliotta na luta entre Frank Mir e Shane Carwin. Mir quase entra em coma após levar pelo menos umas 15 lapadas limpas do Carwin, enquanto o juizão palitava os dentes.

  • Arthur Malaspina

    Lembro do primeiro cinturão do Hughes, ele foi finalizado pelo Newton, caiu apagado, na queda o Newton apagou, o Hughes acordou antes dele e levou o título! Isso foi muito estranho, teria dado a vitória pro Newton.

  • Danyel P Lorenzo

    Uma clássica é Royce Gracie vs Gerard Gordeou , aquele mata leão interminável. O Holandês deu 3 tapinhas no chão, uns cinco tapinhas no Royce, uns 10 no arbitro e nada da luta parar rs rs rs obviamente outros tempos, outros argumentos. UFC 1

  • jackson

    a do pezãox cain velasquez tbm foi de matar o cara tava de boa e o juiz acabou a luta

    • zagolee

      Nunca.

  • FABIO NEVES

    Podemos incluir também no Hall do ” Não vi que apagou, por isso nao parei a luta”, o confronto entre Arona x Rampage.
    O rampage chegou a dormir no peito do Arona…

  • Rubens Rodrigues

    Acredito que Vera vs Werdum, também, entre nessa lista.
    Grande abraço!