Análise técnica: como Barão desmontou Faber no 169

Fernando Cappelli | 03/02/2014 às 22:42

O main event do UFC 169 durou poucos minutos, suficientes para atestar Renan Barão como o peso galo mais mortífero da face da Terra, além de reforçar a tese de que Urijah Faber é o cara que mais ‘bate na trave’ da organização.

Entre méritos e falhas técnicas, destaquei os tópicos que mais chamaram atenção.

Excessivamente frontal

140202030445-faber-barao-single-image-cut

Diretão balançando o californiano

O Team Alpha Male, do qual Faber é integrante, passa por extensa reformulação na área do striking.

O experiente treinador Duane Ludwig têm apimentado o padrão de golpes em pé dos atletas, boa parte com origem no wrestling, e tem conseguido resultados visíveis.

Mas ainda não conseguiu mudar o primeiro fundamento de Faber: a postura.

O California Kid ainda mantém as mãos muito baixas e adota uma estância de luta excessivamente frontal, que na prática é grande convite para engolir golpes retos, no rosto ou no tronco.

Faber montou a base ofensiva para esta luta sempre projetando dois ou três passos em linha reta e com a cabeça baixa, o que facilitou os recuos e escapadas do brasileiro.

Foi questão de tempo para Barão acertar rapidamente a passada e conectar o primeiro direto em cheio no queixo, que configurou o knockdown inicial do desafio.

Previsibilidade

BARAOOO

O famoso “overhand right” liquidando a fatura

O que também chamou atenção foi a ausência de um trabalho elaborado com a mão esquerda, usada como medidor de distância em formato de jabs e fintas.

Faber começou a maioria das sequências de ataque com a mão direita (a do direto).

Todo bom striker que se preza trabalha a movimentação lateral para sair do raio de ação dos golpes disparados pelo lado mais forte do adversário (no caso, o direito).

Um simples giro no momento certo já alivia e tira o ângulo dos golpes de carga mais bruta.

Em pouco tempo, Faber lançou tanto a mão direita como base de ataque em linha reta (sem a preparação de jabs ou fintas com a esquerda), que Barão previu e se safou de praticamente todos os golpes.

Clássico

O principal trunfo técnico de Barão veio justamente no golpe que definiu o combate.

Após acertar o primeiro direto e tontear Faber, o potiguar aproveitou para caçar o oponente pelo octógono por alguns momentos e liquidar a fatura com um overhand, clássico e perfeito, colocado como manda o riscado.

Nada a ver com o tal ‘mata-cobra’ – ou a popular ‘mãozada’ – jogada de qualquer jeito.

O lance cabal, em três tempos:

1 – Barão aplica um jab para marcar a distância.
2 – Em seguida, joga o ombro esquerdo como se fosse aplicar outro jab, mas não estica totalmente o braço, e faz uma finta.
3 – Acerta a passada de esquerda em diagonal e atinge com a mão direita debaixo para cima.

  • Deodoro Junior

    Como sempre, analise cirúrgica!

  • Renan Trindade

    Cappelli é monstro nas leituras técnicas. Parabéns!

  • Gleydson Silva

    Perfeito… Não manjo de Striking, mas quando o Cappeli fala, é visível todos os tópicos que ele destaca tecnicamente, na prática durante toda luta.

  • zagolee

    Achei que foi um cruzado perfeito pela posição do corpo, mas de qualquer forma Barão está um monstro!

  • Alexandre Bucci

    Não acha que o Faber foi malandro segurando a perna do Barão quando o Herb Dean encerrou a luta?? Na minha humilde opinião ele cai de cara no chão já apagado…

    • Rui Renan Peric

      Poxa Alê o Spider tb qndo caiu na primeira luta pro Chris segurou a perna, só que foi do Herb Dean no caso hehe Malandro ele #sóquenão

  • Diego Jaqueira

    Impressionante quando um especialista fala! Você se dá conta que não entende nada! Hahaha

  • David Carvalho Crosariol

    Perfeito!!
    Faber tem que melhorar a angulação, tem que assistir mais o James Te-Huna, Frank Edgar e Cigano.

    Barão monstro!!

Tags: , ,