Pensando alto: a análise informal do UFC on Fox 10

Renato Rebelo | 26/01/2014 às 17:25

Em Chicago, terra dos “Bulls” de Michael Jordan, o UFC conseguiu não só encher o United Center, mas também manteve quase três milhões de pessoas em casa para a décima transmissão grátis do maior evento de MMA do planeta pela gigante FOX.

No octógono, quatro nocautes, uma finalização, seis decisões e uma pá de polêmica.

Cortando o papo furado, vamos àquela minha leitura meia-bomba do card principal:

BENDOBen Henderson x Josh Thomson

Assisti a luta duas vezes e, em ambas, dei os rounds 1, 2 e 5 para o “Punk” e o terceiro e o quarto para “Smooth”. Ou seja, 48 a 47 Thomson na minha contagem. Agora, à la GSP x Hendricks, com os números do Fightmetrics em mãos, simplesmente não consigo esbravejar a palavra “garfo” empunhando tochas e foices. Foram 114 golpes aterrissados por Bendo e 33 pelo pupilo de Javier Mendes (significativos, 46 a 19). Uma tentativa de finalização para o ex-campeão do UFC e quatro quedas pra cada. O que faz a balança social pender ainda mais a favor de Thomson é o fato dele ter atuado praticamente 15 minutos com a mão quebrada. Infelizmente, esse esforço hercúleo não pode ser levado em conta na papeleta dos jurados – que ainda se deixaram levar pelo domínio do octógono e a agressividade do cabeludo. Repito: daria vitória para Thomson, mas não vejo anarquia, corrupção e ação Iluminati em outra decisão dividida a favor de Mogli, o Menino Lobo (alcunhado “carinhosamente” de Fluminense do MMA pelo povão). Luta apertada…

Sinto como se tivesse vencido o ex-campeão dos leves com uma só mão. Não consigo digerir isso. Acho que sou o melhor lutador e estou puto – desabafou o derrotado veterano, que acenou, em seguida com a possibilidade de aposentadoria: “Acho que minha carreira se resume a isso”.

MIOCICStipe Miocic x Gabriel Napão 

Miocic trouxe à Chicago uma versão mais lenta e comedida de si mesmo. Mas, não o julgo. Qualquer movimento em falso era suficiente para a jamanta que se esconde na mão direita de Napão assinar seu atestado de óbito. Por isso, o descendente de croatas, campeão amador de boxe, apostou em combinações simples de jab-direto para bater e sair por 15 minutos. Decisão unânime a favor da consistência e do preparo físico superior. É verdade que o carioca de Niterói quebrou mão durante a batalha – mas também é verdade que, ainda no segundo round, ele já buscava o ar pela boca feito fumante subindo ladeira. Infelizmente, Napão parece ser da linhagem de Roy Nelson: se o pombo sem asa não entrar, provavelmente, a vaca irá pro brejo.

Queria lançar volume, maior quantidade de socos, para mantê-lo na defensiva. Vi que o gás dele começou a minguar no segundo round e foi aí que mantive a pressão e meus golpes começaram a entrar mais. Sabia que ele estava em apuros, mas não consegui terminá-lo – mandou o bombeiro americano.

CARRONEDonald Cerrone x Adriano Martins

A canelada limpa no pescoço, à la Ernesto Hoost, aguou o chope do manauara – que foi pra cima do grande favorito de forma ousada e alegre. Em alguns momentos, Cowboy se mostrou até acuado com o ímpeto de Martins. Mas, quando se tem na manga experiência, técnica e frieza, meus amigos, nocautes chocantes como esse não são raridade. Cerrone pode sim ter amarelado para tops do peso no passado, mas provou, outra vez, que separa o joio do trigo com eficiência ímpar.

Eu quero bater o recorde de maior quantidade de lutas num ano. Posso conseguir seis? Seria demais. Tem lutadores dizendo que não conseguem lutas. Hey, sou o seu cara! – disse o confiante vencedor pós-luta.

STEPHENSJeremy Stephens x Darren Elkins

Em luta deveras entediante (com exceção do final do R3), Stephens evitou o grude de Elkins e Elkins, por sua vez, não quis saber das mãos poderosas do “Esquentadinho”. Acontece que, nesse cauteloso jogo de xadrez, o representante da Alliance MMA tocou mais o rosto de Elkins – com jabs e cruzados- e foi o agressor por 15 longos minutos. Selo Brad Tavares de qualidade pro duelo e um novo um novo top 10 na área – uma vez que Elkins ocupava a décima posição no ranking.

Sei que posso nocautear qualquer um com apenas um soco – em qualquer divisão de peso. Mas estou me sentindo muito no peso pena – comentou Stephens, que alcançou a terceira vitória consecutiva desde que migrou para a categoria dominada por José Aldo.

CACERESAlex Caceres x Sergio Pettis 

Após estreia promissora, Pettiszinho, com apenas 20 primaveras, foi escalado para a missão mais complexa de sua breve carreira: acabar com a invencibilidade de cinco lutas de Bruce Leeroy. E o bichinho, irmão do campeão dos leves, se portou como um veterano – dominando o centro do octógono e ditando as ações com a trocação fluida ensinada por Duke Roufus em Milwaukee. Mas o cabeludo, malandro e mais experimentado, manteve a compostura, arrastou o jovem para águas profundas e afogou-o. A apenas 27 segundos do fim, Caceres pegou as costas, matou o leão e garantiu 100 mil dólares extras (luta e finalização da noite).

Quero investir esse dinheiro no meu crescimento como lutador… Espero que essa vitória me coloque em cards principais e me traga alguns caras do top 10 – explicou o representante da MMA Lab.

Duas perguntas, amigos: curtiram a redenção de Hugo Wolverine? E: outro nocaute de Eddie Wineland prova a cabulosidade de Renan Barão?

Abraços.

  • vicente

    wolverine lutou bem so que eu achei que ele se limitou muito a jabs e overhands, venceu os dois primeiros rounds de forma convincente ,cansou no terceiro e tomou um calor de um cara desconhecido coisa que nao era legal acontecer,achei ele pequeno pra categoria seria legal ver ele como mosca.

  • Felipe Ribeiro

    bela análise .. Parabéns

  • Romulo Aleixo Faria

    Posso até perder o evento, mas não perco a análise aqui Renato! Agora vou caçar as lutas para assistir. Rsrs

  • Vitor Camilo

    Também não vi esse “garfo” como estão dizendo na luta principal, foi apertada demais mas enfim, gostei muito da luta do Caceres x Pettis. Fã do Caceres de carteirinha kkkk. Ótima análise.

  • Willian Grubert

    Rebelo, é Thomson o sobrenome do The Punk

    • Renato Rebelo

      Eu não consigo falar sem o “P”, meu camarada – aí, escrevo assim tb hahahaha Mt obrigado pela correção. Abraços

  • Leo Corrêa

    gostei muito da análise. parabéns o

  • Vinícius

    Impressão minha ou o Cerrone deixou implícito um desafio ao Khabib Nurmagomedov?

Tags: