Aposentadoria no MMA: os 50 centavos de Shamrock

Lucas Carrano | 15/01/2014 às 15:11
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Ken “guardando as costas” de Curtis Jackson

O rapper estadunidense 50 cent tem como mantra o lema “get rich or die trying” (fique rico ou morra tentando, em tradução livre), que é o título de seu terceiro álbum e também de sua cinebiografia.

Na última semana, ao revelar que tem trabalhado como guarda-costas do multimilionário músico, autor de In da Club, P.I.M.P e Candy Shop, o integrante do Hall da Fama do UFC Ken Shamrock deu mostras de que segue tentando.

Para piorar um pouco mais a empreitada do “Homem Mais Perigoso do Mundo”, seu desafeto Dana White, sempre que tem a chance, lembra o mundo que o ex-atleta do Ultimate lhe deve uma boa grana.

Me deves 175 mil dólares e estou vindo buscá-los, Ken. Estou chegando para o dinheiro, seu pedaço de merda – disse o sempre polido careca no meio do ano passado.

Não preocupa, ou espanta, o fato de um homem adulto e saudável exercer uma atividade remunerada legítima e honesta para sobreviver.

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Lutadores virando comunicadores

Mas serve de alerta para os lutadores profissionais de MMA sobre os rumos de suas carreiras.

Afinal de contas, os anos no cage não duram para sempre.

É bom que se diga que tal situação não é exclusividade do MMA ou de Shamrock.

Volta e meia, nos deparamos com tristes reportagens que mostram como grandes estrela do futebol em um passado longínquo, ou às vezes nem tanto, que agora vivem de favores e têm dificuldades para comprar a dúzia de remédios que lhe são prescritos.

Aí, talvez, seja possível traçar um bom paralelo com o caso de Ken Shamrock.

Tanto ele quanto alguns craques da “Era Romântica” do futebol atuaram em época na qual não se pagava tanto em seus respectivos esportes.

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“Vai, Cavalo” bem na foto

Ainda assim, por diversos fatores – que vão da própria bagagem cultural e contexto social à dependência química ou pura falta de tato no gerenciamento dos próprios recursos- não souberam ou foram capazes de capitalizar com a própria imagem e notoriedade.

O MMA, ou qualquer atividade esportiva, não deixa muita gente podre de rica.

Na verdade, nem mesmo pouca gente. Trata-se, de fato, de um grupo seletíssimo.

Nas artes marciais mistas, entre os nomes mais conhecidos da atual geração, ouso dizer que somente três poderiam viver somente com o que ganharam no octógono, e em contratos publicitários decorrentes dele, para o resto de suas vidas, só tirando do cofrinho sem um pingo de remorso ou preocupação com a eventual secagem da fonte: Jon Jones, Anderson Silva e Georges St. Pierre – com nomes como Cain Velasquez e Vitor Belfort se aproximando.

Assim sendo, pensar em formas de aumentar seus rendimentos enquanto ainda atuam e, principalmente, alternativas para quando a hora de pendurar as luvas chegar se torna uma obrigação, muitas vezes negligenciada, pelos lutadores profissionais.

Os bons exemplos para Shamrock (ou: quem foi precavido e já garantiu o pé de meia)

A afinidade com o patrão e os excelentes resultados no início da “Era Zuffa” garantiram a Chuck Liddell e Matt Hughes cargos administrativos na empresa.

0000195Ambos foram destacados para a vice-presidência do setor de desenvolvimento do Ultimate – Hughes responsável pelos atletas e Liddell pelos negócios.

O ex-campeão dos meio-médios ainda lançou sua autobiografia, que ficou na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times.

Já o Homem de Gelo, por sua vez, fez uma ponta no clipe “Rockstar”, da banda canadense Nickelback (deixo nas mãos dos leitores para decidirem se isso é vantagem ou não) – além de outros bicos como ator.

Muitos atletas optam por ofertar seu conhecimento técnico – e carisma- às redes de TV, comentando os duelos ou participando como convidados de programas especializados.

São os casos de Kenny Florian, Frank Mir, Daniel Cormier, Brian Stann, Fabrício Werdum, Chael Sonnen e Rashad Evans.

Destaque para:

– Kenflo, finalista do TUF 1, que, além de dividir o posto ser o comentarista oficial nos eventos fora do sistema pay-per-view com Stann, ainda apresenta o programa “UFC Tonight”.

– Werdum, que se faz valer da adolescência na Espanha para analisar lutas na Fox Deportes para o público latino.

–  O “Gansgster de West Linn”, que usa e abusa da eloquência e das habilidades de comunicador acima da média, para brilhar nas transmissões.

A Fox ama esse cara e o quer em todos os programas. Não ficaria chocado se amanhã ele estive comentando críquete – soltou Dana White.

SUCO

“Ace” recebendo Mike Dolce na Ze/Lin

Outro segmento bastante explorado pelos lutadores é o de academias.

Grandes nomes do esporte associam sua marca a uma academia, ou mesmo empreendem no mercado por conta própria.

É o caso dos irmãos Nogueira, Minotauro e Minotouro, que hoje contam diversas sedes da Team Nogueira espalhadas pelo Brasil.

Outros, como Tito Ortiz, investem em moda e estilo.

Há anos, o “Huntington Beach Bad Boy” está à frente da marca “Punishment”, que produz material para esportes de combate e moda casual.

Mas nem só de atividades relacionadas ao mundo do MMA buscam viver os atletas.

Ex-campeão dos médios, Rich Franklin (pasmem) é dono de uma loja de sucos em Beverly Hills, Los Angeles.

Alguma boa lembrança de lutadores com carreiras promissoras para depois de suas aposentadorias e que não foram listados aqui?

Entre os citados, qual mais se destaca?

  • Nelson Junior

    Achava que o Shamrock fosse podre de rico. Sempre foi retardado e arrogante, devia achar que o sucesso, fama e dinheiro iriam durar para sempre. Salci fufu….

  • Bernardo Assunção

    Que situação… No mais, excelente leitura!

  • Vitor Rodrigues

    Faltou o Wanderlei que já veio rico do Japão pro UFC, e ainda abriu sua academia em Las Vegas que segundo ouço dizer, é uma das mais bem sucedidas no ramo. Arrisco dizer que depois do AS, o Wand junto com o Minotauro é o lutador brasileiro mais bem sucedido ($).

    • Lucas Pereira Carrano

      Boa lembrança, Vitor. O Wand também já tem seu futuro encaminhado, pra não dizer garantido.

      Abraço!

  • zagolee

    1. Belfort com seu Bony Açaí fatura no mercado mundial… Belfort também é sócio em outros grandes projetos que eu não conheço… kkk!

    2. Wanderlei Silva fodástico, empresário de academia, ganha dinheiro com suas lutas, seu carísma e comunicação é insuperável! (É um político nato!)

    3. Sonnem empresaria no ramo alimentício e deve ganhar muito dinheiro mesmo com sua comunicação. Sua grande bola fora fora foi as coisas que disse do Brasil…

    4. Zagolee empresário do nada vende pastéis de vento para ninguém… (Yao Ming rindo.jpg)

    • Renato Rebelo

      É verdade. Sonnen é dona da “Mean Street Pizza”. BJ Penn também entrou no ramo de academia: é franqueado no Havaí da UFC Gym.

  • Rivadavia

    Acho que Minotauro, Wanderlei e talvez Shogun e Lyoto, já estão com o burro na sombra…

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