Para Matt Brown, pensar antes de falar saiu de moda

Renato Rebelo | 13/01/2014 às 11:33

Por ser uma pessoa 100% racional, vira e mexe me pego, sem sucesso, tentando entender o que leva seres bípedes a tomarem certas atitudes.

Como a de Matt Brown, na última semana, por exemplo.

O “Imortal”, em linha para disputar o cinturão dos meio-médios, teve sua opinião sobre a popular divisão feminina no UFC requisitada.

E bostejou:

Rousey e Miesha vêm pro octógono e todas as mulheres já se reúnem em volta da TV como se fosse hora dos ‘Kardashians’ (reality show americano). Eu sempre disse que não sabia por que eles colocam mulheres no UFC. Agora eu sei. Só acho que se eu for pagar 60 dólares em um pay-per-view para ver mulheres lutando, elas deveriam, ao menos, estar de topless.

Mas, Renato, a primeira emenda da constituição americana não permite que o cidadão se expresse livremente?

Clique aqui.

Brown, assim como outros quatrocentos e tantos atletas, precisa seguir as normas de conduta do Ultimate.

Empresa privada, regras privadas, meus amigos.

Aí, tão certo quanto o rebaixamento da Portuguesa no tribunais, veio a comida de rabo oficial:

Os comentários dele não refletem a visão do UFC. Não tem lugar para discriminação de nenhum nível dentro da nossa organização. O UFC foi construído em princípios de respeito e qualquer declaração contrária a isso não é aceitável.

Brown, que de bobo só tem a cara, tratou logo de botar o galho dentro:

O UFC tem uma política de inclusão e respeito para com todos e entendo a importância de estar mais ciente das minhas ações e palavras.

Mas não sem antes ser espinafrado pelas duas meninas que disputam o cinturão dia 22 de fevereiro, no UFC 170:

– Espere… Quem é Matt Brown? – perguntou a sempre afiada Ronda Rousey.

– Não pague 60 dólares, então. Nem o conheço e pouco me importa o que ele pensa sobre minhas lutas. Por que você não luta de cueca, Matt Brown? – rebateu Sara McMann.

Como sou quadrado, pergunto a vocês: o velho “pense antes de falar” saiu de moda?

Ou atacar frontalmente a nova galinha (sem trocadilho, por favor) dos ovos de ouro da Zuffa lhe parecia uma brilhante idéia?

Queria só ser uma mosquinha para escutar o “amistoso” telefonema de Dana White para o “Marrom”…

Abraços.

  • Nelson Junior Ticāo

    Foi burro duas vezes. Pelo conteúdo é pelo momento do mma feminino no UFC.

  • Romulo Aleixo Faria

    Comentário machista e preconceituoso? Sim, sem dúvidas. Mas o nosso amigo Sonnen fez comentários muito mais pesados e preconceituosos sobre o Brasil e os brasileiros e no que resultou? Mais prestígio com a companhia. Dois pesos e duas medidas?

    • Vinícius

      Na minha opinião, ficou claro o tom de brincadeira/trash talking do Sonnen. Não vi nada de mais no que ele falou do Brasil, achei até engraçado, já que a intenção era essa mesmo. Não achei diferente das comuns “piadas de português”. Mas achei que ele exagerou ao falar da esposa do Anderson, por exemplo. Sei lá, acho família algo mais pessoal, ainda que estivesse claro que ele está “brincando”. Mas é só a minha opinião.

      • Romulo Aleixo Faria

        Entendo seu ponto de vista, mas não concordo. O Sonnen falava muita besteira sim, mas depois de certo tempo simplesmente não dava mais pra levar a sério. A diferença é que com seus comentários, ele vendia payperview, já o Brown tá falando mal de um produto novo da empresa que ele mesmo trabalha. Esse foi o detalhe. Tudo que o careca menos precisa é de um funcionário dele, falando mal das lutas femininas que já não são unanimidade no segmento (vem ganhando espaço, mas muita gente ainda vira a cara). Suponhamos que o ufc não tivesse luta feminina, mas sim o Bellator, e ele fizesse esse mesmo comentário escroto, não duvido nada do Dana ter dado risada e concordado com ele, pois se bem me lembro ele não tinha interesse de incorporar as lutas femininas do Strikeforce. Ou seja, tom “engraçado” ou “maldoso” é só uma questão de ponto de vista. A diferença é que um foi inteligente, e o outro não.

      • Romulo Aleixo Faria

        Entendo seu ponto de vista, mas não concordo. O Sonnen falava muita besteira sim, mas depois de certo tempo simplesmente não dava mais pra levar a sério. A diferença é que com seus comentários, ele vendia payperview, já o Brown tá falando mal de um produto novo da empresa que ele mesmo trabalha. Esse foi o detalhe. Tudo que o careca menos precisa é de um funcionário dele, falando mal das lutas femininas que já não são unanimidade no segmento (vem ganhando espaço, mas muita gente ainda vira a cara). Suponhamos que o ufc não tivesse luta feminina, mas sim o Bellator, e ele fizesse esse mesmo comentário escroto, não duvido nada do Dana ter dado risada e concordado com ele, pois se bem me lembro ele não tinha interesse de incorporar as lutas femininas do Strikeforce. Ou seja, tom “engraçado” ou “maldoso” é só uma questão de ponto de vista. A diferença é que um foi inteligente, e o outro não.

  • Diego Cavera

    ” Comida de rabo oficial” foi foda hahaha, Matt Brown falou besteira, melhor ficar calado.

  • Diego Cavera

    E o podcast meu jovem, está a caminho?

    • Renato Rebelo

      Terminando de editar, fera braba. Acho que às 19h30-20h estará no ar!

  • zagolee

    Eu achei que Matt Brown foi infeliz no comentário, mas nada o bastante para um apenas puxão de orelhas nas miúdas. Agora, o Sonnem foi o verdadeiro mosquito no cocô do cavalo do bandido… kkk!

    A opinião é algo que deve ser preservada sim, mas a maneira como é dita pode gerar negativismo e a própria negação… A opinião de Brown pode ser a de muitos lutadores e a resposta do UFC empresa pode ser o aviso à todos os outros, uma retaliação (achei a bendita palavra… kkk! ).

    Expressar a opinião mesmo que seja sincera pode gerar revolta. Talvez Matt Brown não tenha tido a intenção de ofender, mas alguém da casa possa ter interpretado como “cuspir no prato que come”… Normalmente quando alguém diz algo de maneira sincera gera incômodo nos outros.

    Não sei vocês já presenciaram isto, mas mesmo com o boom do MMA e a popularização do UFC, muita gente não dá a mínima para este esporte… Quiça as lutas femininas!

  • zagolee

    Implementa um fórum no seu site mestre Rebelo!

    Sucesso garantido!

  • Rodrigo Oliveira

    A opinião de Matt Brown era compartilhada por Dana White até bem pouco tempo, até o mercenário careca enxergar em Ronda Rousey um bilhete premiado. E sim, Brown tem razão quando sugere que as lutas femininas são horríveis. Num universo de centenas ou até milheres de lutadoras, quem, além de Cyborg e Ronda empolgam de verdade? NINGUÉM. Apenas duas mulheres no mundo mantém o interesse nas lutas femininas. E quando, em algum momento, uma delas ou as duas caírem em desgraça o interesse tende a diminuir consideravelmente. Se Matt Brown dissesse que odeia basquete ou tênis de mesa, ninguém sairia em defesa desses esportes. Mas como são mulheres num esporte predominantemente masculino, o politicamente correto, a hipocrisia, nos obriga a cair de pau em cima do cara e a elogiá-las, a dizer o quanto elas são boas, que estão fazendo história, quebrando preconceitos etc e tal, mesmo que esportivamente falando, elas sejam péssimas. O politicamente correto está se tornando o mal do século 21. Quando acontecer umas duas ou três derrotas de Ronda, quero só ver qual será o futuro do MMA feminino dentro do UFC. Lutas em cards preliminares na certa, ou até mesmo a extinção. Claro, sempre acompanhado de uma boa desculpa do Careca.

  • Vinicius

    Pior que isso só um ministro da Dilma se declarar contra o Minha Casa Minha Vida.
    Entretanto, muita gente pensa como o Matt Brown. Assisti a luta das meninas em um bar e o que mais ouvi foi comentários nesse estilo, “poderiam estar peladas”, “luta no gel”, “topless”, e tudo mais.

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