O episódio Werdum x Reebok
e as suas consequências

Felipe Paranhos | 31/10/2016 às 20:59

Definitivamente, singeleza não é uma característica de Fabrício Werdum — disso todo mundo sabe.

Mas determinadas atitudes surpreendem até aqueles que estão acostumado o jeito expansivo do lutador.

Na semana passada, o gaúcho fez uma daquelas declarações que não sabemos até que ponto é brincadeira ou sério. Numa foto modificada com o swoosh da Nike no lugar do logo da Reebok, Vai, Cavalo se saiu com essa:

Não sou genérico. Sou #Nike desde criancinha! #chupa #mishuevos #reebok”

De pronto, o UFC reagiu. Primeiro, avisou extraoficialmente a Werdum que ele não faria mais comentários na transmissão em espanhol da organização e, depois, ao site do canal Combate, confirmou a informação:

Devido aos comentários recentes de Fabricio Werdum, direcionados a um valioso parceiro do UFC, nós não iremos mais utilizar o Werdum nas transmissões do UFC na América Latina. Embora respeitemos o direito de os atletas se expressarem, julgamos que a maneira com a qual Werdum fez foi inaceitável. Essa decisão não influencia em sua condição de competir na próxima luta, agendada para 30 de dezembro”, declarou.

O post da discórdia

O post da discórdia

Acredito que nem o duplo twist carpado argumentativo mais bem executado me faria discordar do Ultimate nesta decisão. Imagino que quase todos vocês, caros leitores, sejam funcionários, e não patrões.

O que acham que aconteceria se vocês resolvessem usar as redes sociais para criticar um importante parceiro comercial da empresa?

Muito provavelmente, seriam demitidos.

Coloque-se no lugar do patrão, agora. Você é o dono de um mercadinho que só vende catchup da empresa, sei lá, Tomate Legal, e um de seus funcionários bota um carro de som no bairro dizendo que os produtos da Tomate Legal não prestam, só os da Gostomate. O que você faz com ele?

Provavelmente, demite.

Werdum já havia "promoveu" a Reebok no Insta

Werdum já “promoveu” a Reebok no Insta

Agora acrescente um agravante nesta história: como funcionário do UFC, Fabrício Werdum tem que usar os produtos da Reebok durante a semana das lutas. É, portanto, um garoto-propaganda da marca, ainda que não 100% do tempo. E não tem contato prévio com outra concorrente.

Em última análise, ele se permitiu dizer que usa Reebok obrigado.

Reebok que patrocina também as transmissões das quais ele é comentarista. Não dá pra defender.

E as críticas de Werdum têm, sim, fundamento. Trocar R$ 640 mil por R$ 16 mil em patrocínio por luta é algo que tiraria qualquer um do sério. Mas é aquela velha história de perder a razão. Existem maneiras e maneiras de se manifestar — e acredito que um dos motivos dos protestos não darem em nada é o fato de que cada lutador reclama isoladamente.

Se a insatisfação é geral, o mais lógico seria que os lutadores se articulassem de alguma maneira. A Grand Prix Drivers Association (GPDA) da Fórmula 1 me parece o melhor exemplo de como esportistas podem se unir para discutir de igual para igual com uma organização poderosa — no caso, a Formula One Management —, que, assim como o UFC fez com o MMA, foi responsável por levar o automobilismo a um patamar inimaginável de receitas e fãs.

A associação tem um presidente — o aposentado Alexander Wurz, que assumiu o comando ainda na ativa — e não é de adesão compulsória, sendo renovada a cada temporada, claro, já que a F1 tem poucos pilotos e a cada ano muitos entram e saem.

Apesar de assinar com a GPDA não ser obrigatório, a atuação responsável da associação deu lhe credibilidade ao longo do tempo para obter importantes conquistas ligadas, por exemplo, à segurança dos pilotos — e esta discussão a demência pugilistica de Jordan Parsons já deveria ter inaugurado no MMA.

Evidentemente, como são esportes diferentes, a representação pode ser diferente.

Uma diretoria formada por um lutador por país a cada ano? Uma mesa de lutadores de várias nacionalidades residentes nos EUA?

Não sei, nem tenho a pretensão de oferecer uma verdade universal. Mas do jeito que se manifestam, tudo o que os lutadores vão conseguir é silêncio, no caso dos mais prudentes, e punições, no caso dos que se excedem.

  • Bernardo Oliveira

    Vai, Burro!

    • Sexto Empírico

      Vai, Jumento

  • Felipe Lemes

    Faltou postar o mais importante..que é o vídeo dele dentro do carro se explicando

  • Cristiano Junior

    Pelo menos uma citação, ainda que minúscula ou quase inexistente, a um assunto rão importante como a descoberta do primeiro caso de demência pugilistica no MMA neste site… não entendo como funciona a escolha dos temas para posts ou textos, mas este certamente é um assunto que pode abalar o MMA como um todo, talvez seja por isso que tanto a imprensa nacional e internacional reaolveu abafar o caso e repercuti-lo o mínimo possível.

    • ErCoelhoBruno

      Quem é o cara? Minotauro ou Caipira de Aço?

      • Cristiano Junior

        Jordan Parsos, aquele guri de 25 anos, que sofreu apenas um nocaute na carreira que morreu atropelado… imagina como esta a cabeça desses citados por vc ou dan hendo da vida… uma pena que essa doença só possa ser diagnosticada depois da morte..

        • ErCoelhoBruno

          PQP! Mas então o Hendo e o Minota já nem têm mais matéria cinzenta pra fazer autópsia… Kkkkkk

        • IMPERADOR

          Isso e relativo.
          Ha uma seria de coisas a serem levadas em consideração e a serem estudadas ainda.
          Muitas vezes um atleta que sofre um nocaute e se aposenta pode apresentar a doença de forma mais significativa que outro que passou anos apanhando na cabeça.

      • Vinicius Maia

        Tipo, tu só consegue a confirmação da sindrome depois da pessoa morta, fazendo a autopsia. O Jordan Parsons como o colega abaixo citou com apenas 25 anos, engatinhando no MMA já teve na sua autopsia detectada a presença das lesões que confirmam a Encefalopatia Traumática Cronica (ETC). Complicado demais essa constatação, pois se o Parsons com 25 anos tem um caso confirmado imagina os guerreiros das épocas do primórdio do MMA.

        • ErCoelhoBruno

          Rapaz… Não sabia disso. Mas os sintomas aparecem só na velhice?

    • Dow Jones

      É sério que você está com teoria de conspiração? As pessoas não comentam tanto porque o lutador era pouco conhecido do grande público. Agora você achar que isso vai abalar o MMA só pode ser brincadeira. O objetivo principal desse esporte é chutar e esmurrar a cabeça do outro, cara. Por que você acha que a primeira reação de quem vê pela primeira vez uma luta de MMA é ficar chocadíssimo? É como se a pessoa sentisse a brutalidade dos golpes em si.

      • Cristiano Junior

        Jovem, não vejo como uma teoria da conspiração e sim como falta de atenção sobre um assunto tão importante, independente de o lutador ser menos ou mais conhecido, ou tem alguma vida que valha mais que outra??? A questão é, assim como um lutador não vai conseguir mudar o acordo da Rebook, um ou outro veículo de informação se manifestando não vai conseguir qie o caso tenha a repercussão que necessita, visando sobretudo a saude daqueles que fazem o show que tanto amanos. A questão é que todoa praticantes de esporte, nao aprnas MMA, mas qualquer esporte que gere um dano à saúde deve divulgar quais são os riscos da maneira mais ostensiva possive (da mesma dorma que os fabricantes de cogarro sao obrigados a divulgar em suas embalagens os mão que o mesmo faz), que dessa forma quem entrar na jaula para lutas saberá o qie esta sacrificando para estar ali. Vc como Pai, incentivaria seu filho a praticar MMA sabendo que com 55 anos a depender da carreira do mesmo ele poderá estar como o Maguila?? Creio que não. Então o que necessitamos é de amola divulgação, bem como estudo mais aprofundado sobre o caso, para que as medidas cabiveis sejam tomadas, e os participantes do esporte sejam valorizados como merecem por estarem comprometendo seriamente sua saúde futura.

  • Hyuriel Constantino

    Foi um movimento bastante arriscado para a carreira dele, mas não tiro a razão dele estar inconformado com o que tá acontecendo com esse pacto dos infernos da Reebok. Ele poderia estar só na dele, no conforto dele, mas Werdum tem noção do quanto esse acordo é mefistofélico e comprou uma briga que não era dele a princípio.
    E esse papo de “ética com a empresa” já encheu. A última coisa que o UFC tem mostrado pros seus funcionários é ética, e mais se assemelha a uma máfia quando se trata de querer sair de tal empresa pra testar o mercado.

    • ErCoelhoBruno

      • Hyuriel Constantino

        … (2)

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Individualmente ninguém vai conseguir acabar com a Reebok no UFC, nem se o Conor quisesse creio eu. Penso que eles deveriam em conjunto fazer um boicote, para ver se surte efeito, imagina se num UFC 205 da vida todos os lutadores entram no ringue arrancam o calção da reebok e por baixo está um calção com todos os patrocinadores e tal? Aí eu queria ver a repercussão.

  • Lucas Santana

    Que nem foi explanado no texto, é necessário um motim de lutadores e não só um ou outro e que são caras que já ganham bolsas altas pro MMA ( Geralmente Tops.) uma voz ou outra serão abafadas mas várias vozes não serão abafadas
    P.S. : Acho que caberia um vídeo do Renato sobre Lutadores x Reebok.

  • Rafael Conto

    Desculpe a minha ignorância, mas se ele chegava a ganhar 640 mil em patrocínio durante a semana pra ficar com 16, pq ele não sai do evento, tenta chegar próximo do valor de 640 mil + renda da luta do outro evento?? Supondo que ele chegue na metade dos 640, ainda não seria vantagem pra ele??

    • Idonaldo Gomes Assis Filho

      Contrato fica segurando ele lá, mas também não acho isso muita razão não, visto que ele simplesmente poderia não assinar o contrato de lutas e vazar do evento.

    • Sexto Empírico

      Isso é mentira do Werdum. Num primeiro momento, ele dizia que perdia de $140k a $160k pra, logo em seguida e na mesma entrevista dizer que perdia $170. Agora, já são $200k. Meio confusa essa criança, não?

    • ErCoelhoBruno

      Pra ganhar U$ 200.000 por mês de patrocínio, o nego tem que ser patrocinado pela Microsoft e pela NASA ao mesmo tempo… Obvio que ele perdeu dinheiro, mas uma quantia dessas mensal é meio “hiperbólica” para o MMA.

  • Victor Cutrale

    Procurem o podcast Line up MMA do Sean Wheelock, Ben Askren e Joe Warren. Estão tentando criar um sindicado parao MMA, alguns ja estão aderindo a ideia, outros(lutadores mais famosos) não…

    Alias, esse podcast destroi qlqr outro podcast, antes do Ben e Joe entrarem, quem apresentava era o Big John.

  • Sexto Empírico

    Werdum perdeu uma ótima chance de fazer realmente algo útil por sua classe. Diante da insatisfação generalizada dos lutadores e devido ao peso do nome e influência que tem, teve uma grande oportunidade de mover e articular um movimento entre os lutadores para tratar de suas justas reclamações junto à ditetoria do UFC. Porém, ao invés de mostrar uma maturidade e inteligência que nunca teve, bem a sua maneira extravagante e infantil, mostrou o imbecil que sempre foi e deu um jeito de estragar tudo.
    Werdum, desde seu retorno ao UFC, conquistou tudo que teve com seu talento e trabalho duro, mas também foi bem tratado e teve, praticamente todos os seus pedidos atendidos. Escoheu seus adversários, cancelou luta, decidiu fazer TUF no Brasil, foi idéia dele o inédito TUF no México e também foi decisivo para que o UFC 198 ocorresse no BR num estádio de futebol. Articulado e persuasivo, conseguiu um prestigioso “bico” de comentarista do UFC pela Fox Latina. Apesar de perder o cinturão de maneira rápida, humilhante e bem amarga, manteve certo prestígio e influência e escolheu, novamente, local e adversário pra conseguir sua redenção: seria no mesmo dia q seu algoz, Miocic, defenderia seu título. Mesmo sendo ainda prestigiado pela organização, resolveu dar uma de maluco, quase arranjou briga no final de sua última luta, rebelou-se e protestou de forma imatura, infatil contra o maior patrocinador do UFC e jogou no lixo toda a reputação que construiu desde que voltou.
    Passou da hora do Werdum largar as infâmes redes sociais, as brincadeiras sem graça e tentar, se de fato quer, articular e fazer algo por sua classe. E, dessa vez, como um adulto.

    • Hyuriel Constantino

      O curioso é que o Werdum de antes que vc traçou tb dividia opiniões (“ah, ninguém concebe um peso-pesado simpático, bem-humorado e brincalhão”, “ah, Werdum corre do Cigano”, “ah, Werdum isso…”, “ah, Werdum aquilo…”).
      Creio que isso cansou o cara e ele tá tocando o “foda-se” pra acabar com essa hipocrisia toda. Se na base da finesse não se resolveu, então vai no modo brucutu mesmo.

      • Sexto Empírico

        Se fosse um dos burricos patrióticos que eu vejo pastando e relinchando em foruns internet afora, até entenderia. Agora, vc, Hyuriel, insistir nisso e não querer enxergar a diferença entre o jeito certo e o jeito estúpido de se atingir um fim? Isso, de fato. me surpreende.

        • Hyuriel Constantino

          O “jeito certo” nem sempre é pudico e repleto de diplomacia, visto que tb há diplomacia na máfia e nem por isso ela é tão idônea.

    • Tiago Nicolau de Melo

      É que tu já vem com uma má vontade com o Werdum, né? O cara de comentarista da Fox, uma grande empresa, e tu fala que ele faz bico. Ele não tem 10% da relevância que muitos lutadores têm e tu cobra dele uma “articulação pela classe”… aí fica difícil. Não tô nem falando que o Fabrício tá certo ou errado no que fez, mas cobrar que ele e Jones passem menos tempos nas redes sociais me parece um pouco leviano da tua parte. A não ser que tu tenha informações DE BASTIDORES de que eles andam faltando treinos e abdicando de algum exercício pra postar no Instagram. Tu tem essa informação pra gente? Quantas horas por dia eles passam nas suas respectivas academias? Qual a porcentagem de tempo que eles “perdem” em redes sociais e o que isso poderia influenciar no treinamento?

      • Sexto Empírico

        Num tô, não.

        Disse “prestigioso ‘bico'”, no sentido de trabalho extra.

        Ele é relevante no sentido que é ouvido, fala 3 idiomas, podendo se comunicar com praticamente todo lutador e poderia, sim, começar a fazer algo sério e concreto. Ao invés disso, prefere fazer molecagem e ser o babaca como de costume.

        Não disse pra ele passar menos tempo nas redes sociais. Falei pra ele largar, já que só posta babaquice.

        Um lutador não treina esse tanto q vc pensa. Até pq fisiologicamente é impossível. Grupo de músculos necessitam repouso. Os que praticam overtraining, o fazem por ignorância.

        Por fim, meu caro Tiago Jack, vc está levando o debate para um lado emotivo do qual eu não entendo nada. Há uma pedra no lugar do meu coração.

        • Tiago Nicolau de Melo

          Um lutador não treina tão pouco quanto tu pensa, posso dizer tbm.
          Não tô levando pra lado emocional nenhum, haja visto que não defendi e nem acusei o lutador… quem tá querendo ditar regras e se sentindo incomodado pelas atitudes dele foi vossa senhoria simiesca, o que demonstra que essa tão aclamada pedra acomodada à direita do seu peito, por vezes é mais mole do que gelatina, se formos ver o alto número de incômodos que tu demonstra por atitudes de alguns lutadores em especial.
          Mas continuas sendo Top3 Forenses do 6R, IMO.

  • Baixista Loko

    O Problema é que teu mercadinho de tomates os tomates andam cheios de agrotóxicos, aí você tem que se omitir ? Deixar pessoas ficarem doentes? Essas manifestações dos atletas tá fazendo os mais jovens pensar seriamente no pacto com o UFC, então de certo modo tá sendo bom pra alertar os mais novos.

    • Dow Jones

      Engraçado que é melhor para os mais novos, mas os próprios velhos continuam insistindo?

  • Mauricio

    Todo protesto é valido, porem se feito de modo inteligente, o que não foi o caso.
    Vejam por exemplo o que os jogadores da seleção Uruguaia estão fazendo com relação a fornecedora de material esportivo, os principais jogadores como Suarez e Cavani, não concordam com os valores abaixo que foram negociados com a PUMA e estão dispostos a proibir a federação do uso de imagem forçando um acordo com a NIKE.. é algo valido

  • Aderson Siebra

    Pelo recente comportamento do Werdum, como provocar o público do evento, agredir (ou revidar, que seja) corner de rival, criticar parceiro comercial publicamente, ele está tentando se alinhar à nova postura valorizada pelo evento, que exalta lutadores mais vocais e incisivos para venderem suas lutas. Ele só está esquecendo de uma coisa, os lutadores com essas características, antes de tudo se mostraram excelentes vendedores de PPV pra só então bater de frente com o evento. De qualquer forma, não sei como andam as finanças do Werdum, mas se eu já tivesse meu “pé de meia” e não tivesse nada a perder em termos financeiros, tbm iria pro “all in” contra o UFC, vai saber como anda a vontade dele de lutar, o máximo q ele pode conseguir com isso é uma aposentadoria compulsória.

  • Marcelo

    Werdum tem mostrado que não está nem aí para protocolos. Na última luta mandou um chutão no treinador do Travis Browne, e agora manda essa bicuda na Rebook. Tenho que admitir que o cara tem culhões, vamos ver se o pessoal engole a explicação.

  • Fernando Pesce

    Excelente texto Paranhos! E acho que que discussão do podcast desta semana também enriqueceu bastante o debate.

    Sem entrar no mérito do certo ou errado na atitude do Werdum, acho mais interessante pensar, assim como você, na Associação de Lutadores (que podia ser batizada de Sindicado da Porrada). Todos os grandes esportes norte-americanos contam com associações dos jogadores – NBA, NFL, e a Formula 1 como você bem lembrou.

    O caso da NBA tem alguns paralelos interessantes ao que vem acontecendo no UFC, não só no caso do Vai Cavalo mas envolvendo outros lutadores que se queixam das relações com o Dana Branco e Cia. A primeira grande vitória da NBPA (sindicado dos jogadores da NBA) foi justamente quando os jogadores do All-stars ameaçaram não participar de um jogo televisionado pressionando a NBA a aceitar exigências salariais e de previdência. A temporada de 2001, se não me engano, teve uma greve também e isso se repete em outros esportes como o Baseball (greve em 1994 por exemplo).

    No fim das contas essas associações acabam defendendo os direitos dos jogadores em relação aos empregadores garantindo um piso salarial, plano de pensão, plano de saúde, asseguram assessoria jurídica etc. E olha que toda essa coisa de sindicado dos jogadores da NBA foi formada na década de 50, no auge do Macartismo!

    Na minha singela opinião não é nada mais justo os lutadores reclamarem da sua relação trabalhista, logicamente que com o mínimo de compostura e respeitando a empresa. Fora a maneira desmedida que foi feito o protesto do Werdum, não sabemos por exemplo se o contrato dele com o UFC (seja como lutador ou comentarista) conta com um termo de moralidade, o que classificaria como insubordinação diante da empresa e justificaria uma punição severa (Aqui o exemplo do mercadinho e do molho parece se encaixar, mas temos sempre que lembrar que a justiça trabalhista é, via de regra, a favor do empregado no Brasil).

    A conclusão é um pouco do mesmo, se não houver união entre os lutadores isso dificilmente será concretizado. Aparentemente existem algumas tentativas como a MMAFA e a PFA (Professional Fighters Association), esta última parece que conta com uma estrutura mais desenvolvida. Resta saber se algum dia o “meio da tabela” do UFC vai conseguir se organizar e reclamar esses direitos.

    PS: Postei uma versão menos lapidada deste comentário no fórum quando foi noticiada a saída do Werdum das transmissões. Desculpas a todos que leram 2x o texto.

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