UFC em 2017: menos
eventos e mais qualidade

João Vitor Xavier | 26/10/2016 às 17:35

Ao anunciar a venda do UFC em julho deste ano, a Zuffa “passava” não só um incrível produto com potencial absurdo, mas também uma dívida na casa do US$ 1,8 bilhão.

Tom Wright

Tom Wright…

Esse foi o valor que a WME-IMG precisou pedir emprestado para garantir a compra da marca. Por isso, não espanta que, a partir de 2017, quando os novos donos do Ultimate passarão efetivamente a guiar a empresa, a estratégia seja drasticamente redirecionada.

Tudo indica, por exemplo, que o plano de expansão internacional seja colocado na lista de espera – talvez permanentemente. É só ver como foram conduzidas as grandes demissões da última semana.

Ariel Helwani, do MMA Fighting, disse que 80% do escritório do UFC no Canadá foi despedido, incluindo Tom Wright que, um dia antes de ser aliviado de suas funções, havia conduzido a encarada entre o campeão meio-pesado Daniel Cormier e o desafiante Anthony Johnson, o main event do UFC 206, em Toronto.

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Marshall Zelaznik…

No Brasil, Giovani Decker pediu demissão. Garry Cook (líder das operações do UFC na Europa, Oriente Médio e África), Ken Berger (vice-presidente executivo e gerente-geral do UFC na Ásia), Jamie Pollack (vice-presidente de conteúdo global) e Marshall Zelaznik (diretor de comunicação) foram demitidos ou deixaram suas funções.

Isso também significa que teremos menos cards internacionais em 2017. A ideia, segundo a Forbes, é focar no mercado doméstico, onde as compras de PPV garantem grande parte do lucro por evento.

Parece-me, também, que o UFC organizará menos eventos no total. De acordo com Jordan Breen, do Sherdog, a ideia é ter algo em torno de 30 cards ano que vem, contra 41 em 2015 e 46 em 2014.

Ainda que seja ruim que provavelmente não tenhamos 3 ou 4 eventos brasileiros em 2017, no geral, sinto que será positivo a diminuição no número de shows.

... E Giovanni Decker não representam mais a firma

… E Decker não representam mais a firma

Durante algum tempo, fui a favor da ideia de termos UFCs em praticamente todos os fins de semana. Meu raciocínio era o seguinte: ainda que tivéssemos que ver muitas lutas de novatos e desconhecidos, todo evento teria pelo menos uma ou duas lutas entre tops de suas categorias. E isso se provou verdade, com algumas raríssimas exceções.

Mas o perigo de construir cards com poucas estrelas é muito grande. Vide o que ocorreu com o evento das Filipinas, que desmoronou ao ser confirmada a ausência de BJ Penn por lesão. E, nos últimos anos, tivemos alguns outros eventos cancelados por conta disso.

A nova administração não irá correr esse risco.

Por isso, a diminuição no número de cards é positiva, pois significa que teremos eventos mais recheados, “à prova de cancelamentos”.

Menos e mais recheados cards é a tendência

Menos e mais recheados cards é a tendência

Isso significa que normalmente, se metade do main event se lesionar, o show estará com tantas lutas bem casadas que ninguém sentirá tanta falta da luta principal, impedindo seu cancelamento.

Obviamente, nem todo PPV terá a força de um UFC 205 ou UFC 207. Mas a nova fórmula deve impedir cards como o UFC 204, que teve Russell Doane, Stefan Struve e Daniel Omielanczuk na porção principal.

Imagino que, apesar de termos menos cards ano que vem, a maioria deles terá mais que uma ou duas lutas entre tops e/ou conhecidos. E isso é muito bom.

Diminuição da “força de trabalho”

Por outro lado, menos cards significa também menos lutadores contratados. Atualmente, o UFC emprega, segundo seu site oficial, mais de 650 lutadores. Com menos eventos, esse número tende a cair. O próprio TUF deve ser descontinuado.

O ideal é que os demitidos possam refazer suas carreiras em promoções parceiras do Ultimate, como por exemplo aquelas que têm algum tipo de compromisso com o Fight Pass (Shooto, Invicta, Cage Warriors, Fight Nights, AFC, Pancrase, Titan FC, etc…).

Isso daria um novo significado e ajudaria a aumentar o prestígio desses eventos e da própria plataforma.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Não gosto muito da diminuição de cards não, sei lá, nesse tempinho sem cards eu tô com saudade kk, eu não ligo tanto pra tipo UFCs Dublin, Zagreb da vida, não acho interessante que diminuam o “roster”, mas eles estão fazendo o que é mais viável financeiramente para eles (óbvio), só espero que isso seja positivo, mas não tenho boas esperanças de jeito nenhum.

  • Carlos Henrique Klein

    650 atletas significam uma média de 65 atletas por categoria, em 30 cards por ano nós teremos em média 720 lutadores se matando, uma galera fica sem lutar com esses números ou seja pra ter gente lutando 3..4 vezes por ano a faca vai ter que entrar forte!

  • Fernando Ribeiro

    Particularmente eu prefiro um número de eventos maior, ao meu ver isso significa mais peneiramento de lutadores e consequentemente maior qualidade de lutas, mas se o número de lutadores e eventos diminuir isso significa que a qualidade dos atletas vai diminuir devido as poucas lutas ao ano, sem contar que vamos ter muito mais revanches, segura que lá vem Velasquez X Santos 4 hahaha. E com essa nova politica do UFC de ”lucrar, lucrar,lucrar e lucrar mais”, e considerando que estão cortando tudo que não traz retorno financeiro, acredito que não demore muito pra fecharem a divisão dos moscas. O que essa venda do Ultimate pra a WME-IMG trouxe de bom?

  • Eu aprovo a ideia, pq as vezes o card inteiro parece o card preliminar. Prefiro um evento com qualidade recheado de grandes nomes que ver todo final de semana lutas enfadonhas.

    • Daniel Holanda

      Concordo contigo Adriana !

    • Samuel Couto

      Penso exatamente igual!

    • Heitor de Assis Ramos

      tbm prefiro assim, nem tenho todo final de semana livre pra mma, prefiro que esse tempo reservado pra assistir um evento seja recompensado com muita qualidade

  • Ridelson Medeiros

    – Fico triste porque o vicio n deixa eu ficar varios fds sem luta e talz… mas tem card que é osso mesmo.

  • RWillians

    Acho q 30 fica um numero bom, levando em conta que o ano tem em torno de 52 semanas. Agora 30 eventos com média de 12 lutas, teríamos 360 lutas no ano, o que daria algo em torno de 720 lutadores no cage, pra 650 lutadores, acho q o facão vai comer solto.

  • Renan Oliveira

    Bom, gostaria de ver mais eventos. Afinal, sábado nunca é o mesmo sem UFC, hahaha.

    • flavio israel

      Hehe é mesmo cara.

    • João Vitor Xavier

      Isso é o costume, se isso se confirmar, acho que ninguém mais vai sentir tanta falta depois de um tempo.

  • Francisco Júnior

    Quando começaram a pipocar eventos quase toda semana, eu achei sensacional. Mas na prática, o negócio é diferente. Casamentos nada empolgantes para segurar o sono até de madrugada não valiam a pena. Inclusive hoje sou um fã menos “hardcore” justamente por perder frequentemente eventos que não tenho interesse em acompanhar. Diminuir o número de eventos me deixa bastante animado para 2017.

    Por outro lado, a enxurrada de eventos me possibilitou presenciar um evento do UFC (pesagem e o card completo do UFC Natal, minha cidade). A experiência foi indescritível. Infelizmente, isso talvez não seja mais possível para muitos brasileiros, europeus e asiáticos.

    • João Vitor Xavier

      Pois é. Acho que vamos seguir tendo eventos no Brasil, mas só nas grandes praças. Mesma coisa para Europa e Canadá, por exemplo.

  • IMPERADOR

    Bom…
    Acho que vamos ter que reaprender a lidar com os sábados – principalmente a noite.

  • Samuel Couto

    Tenho muita saudade do ufc em 2008, 2009, por aí… Vários meses tinham só um evento mas era O evento. Card fenomenal, era mágico assistir ao ufc naquele tempo, pode ser saudosismo mas…

    • João Vitor Xavier

      Dava pra fazer um evento, né…chamava a galera, tomava uma, etc…

      • Gustavo Gustavo

        Verdade. Banalizou demais.

  • Thiago Eugenio

    Essa mudança de foco para o mercado interno e que é compreensível haja vista o modelo de negócios de outras ligas esportivas americanas, pode ser a oportunidade para eventos como o One, Rizin, Bellator e WSOF ocuparem o espaço que o UFC cavou internacionalmente.
    E tomara mesmo q o resultado da diminuição de eventos seja a melhora na qualidade dos cards. Concordo com o amigo que disse que deixou de ser hardcore por conta do excesso de eventos meia-bomba.

  • Tiago Nicolau de Melo

    O ideal seria em torno de 500 lutadores, no máximo.

    “Isso significa que normalmente, se metade do main event se
    lesionar, o show estará com tantas lutas bem casadas que ninguém sentirá
    tanta falta da luta principal, impedindo seu cancelamento.”
    Não concordo. Pode pegar qualquer momento da era Zuffa e cortar metade do Main que, em pouquíssimos (pra não dizer um ou dois) casos essa afirmação caberia.

    Eu prefiro menos Eventos com mais qualidade e não vários eventos parecendo enormes Cards Preliminares, como bem observado pela Adriana Rockhold White.

    Boa parte desses cargos vão acabar sendo preenchidos por profissionais que a WME-IMG vai escolher, normal eles não deixarem em cargos de chefia pessoal indicado pela gestão anterior. Dana só não fez parte desse corte porque, querendo ou não, ele é a cara do UFC.

    Todo final de semana tem algum Evento (de menor expressão, ok) para nós, amantes de MMA/Muay Thai/JJ e quando não houver, o Youtube tá sempre aí pra catarmos umas lutas antigas.

    • João Vitor Xavier

      “Boa parte desses cargos vão acabar sendo preenchidos por profissionais
      que a WME-IMG vai escolher, normal eles não deixarem em cargos de chefia
      pessoal indicado pela gestão anterior. Dana só não fez parte desse
      corte porque, querendo ou não, ele é a cara do UFC.”

      Reparou que as demissões foram grandes em torno de escritórios internacionais? Acho que não vai ser por aí, não…vamos esperar

      • Tiago Nicolau de Melo

        Sim, li a matéria da Forbes linkada no texto. Quando digo que os cargos vão ser preenchidos, não significa que para cada demissão vai haver uma admissão em contrapartida e sim que, dificilmente, deixarão esses nichos sem representação.

  • Luiz Guilherme Volpato

    Meio obvio, não?
    Menos lutadores já que 15% vão deixar o UFC. Assim, menos material humano e com mais qualidade. Matemática pura.

  • Lorenzo Fertitta

    Ótima notícia! Vícios a parte, analisando racionalmente acho que 2 eventos do UFC por mês seria o ideal para a minha vida social hehehehe

  • Gustavo Gustavo

    O ano tem 52 semanas. Semana sim, semana não, o que é bem razoável, proporcionaria 26 cards. Acho boa a opção pela qualidade.

  • Kadu Rampazzo

    Eu gosto da ideia de ter menos eventos por ano e não só pelos argumentos apresentados. Assistir um evento completo do UFC não é como ver uma partida de futebol. Muitas vezes passamos mais de cinco horas na frente da TV. Fica difícil acompanhar todo final de semana. Minha esposa e filhos agradecem.

  • Andhré Lannes

    Acho que nessa nova gestão realmente terão eventos com mais qualidade

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