Pensando alto: a análise informal do UFC FN 33

Renato Rebelo | 07/12/2013 às 05:19

Quem disser que apostou em 25 minutos eletrizantes de guerra entre Antônio Pezão Mark Hunt, mentiu.

Afinal, como um resistiria tanto tempo às patadas do outro?

E Maurício Shogun, que era zebra nas casas de apostas gringas contra James Te huna?

Longa história curta, vamos logo à minha confusa leitura do filé mignon do australiano UFC FN 33:

DUPLAMark Hunt x Antonio Silva

Pra começar, um dado interessante. Hunt e Pezão, combinados, aterrissaram 184 golpes significativos – recorde absoluto entre os apressados pesos-pesados! Na luta que me fez jabear a televisão, tudo fora do script. O paraibano quase decidiu com lowkicks, Hunt quedou mais e trabalhou o ground and pound e nenhum dos dois terminou contando carneirinhos – além de um knockdown pra cada, muito sangue e, principalmente, culhões de bronze. Selaram o raro resultado (empate majoritário) os dois jurados que marcaram 10 a 8 pro “Super Samoan” no quinto round. Decisão ousada, porém, totalmente compreensível. Marquei 3 a 2 para o brasileiro (rounds 1, 2 e 4), mas, na boa, não houve perdedor aqui. Melhor combate até 120kg que já vi (sim, estou sendo imediatista).

Eu nunca fiquei tão feliz com um empate na minha vida! Fico feliz que foi empate. O vencedor daquela luta fomos nós, os fãs! – tweetou o contente Dana White.

SHOGUNMauricio Rua x James Te Huna

Fininho e saltitante, Shogun nem se despenteou para deitar Te Huna com um violentíssimo gancho de canhota. Faço apenas duas observações. A primeira é a necessidade do atleta profissional sair da zona de conforto. No “camp” de Demian Maia, em São Paulo, Shogun mesmo se define como “apenas mais um que cumpre ordens”. Sem as distrações e facilidades fatais do habitat natural, o bichão, inegavelmente, rende mais. Pra quem não lembra, foi na Terra da Garoa que ele calibrou os punhos pra nocautear Chuck Liddell e Lyoto Machida. Agora, sem querer desmerecer esse fabuloso resultado, me digam: que guarda bisonha é essa do Te Huna? Quando bate com a mão esquerda, o cara sistematicamente abaixa a direita! De qualquer forma, ainda torço pra que a força de vontade de Shogun vá além – mais precisamente, até 84kg.

A principio vou ficar nessa categoria mesmo. Não estou pensando em cinturão, apenas em vencer minha próxima luta – cravou o irmão Rua do meio.

BADERRyan Bader x Anthony Perosh

Joe Silva não costuma casar carismáticos ídolos locais com oponentes que, no papel, lhe engolem em praticamente todos os quesitos. Ryan Bader, poderoso em pé e wrestler all-american, só faltou palitar os dentes com o quarentão Perosh. Surra feia e sem sentido onde o único mérito do “Hipopótamo” foi ter sobrevivido à uma penca de knockdowns e ground and pound abreviador de carreira.

Acho que quebrei minha mão direita. Muito respeito ao Anthony Perosh. O cara é duro demais! Foi um prazer dividir o octógono com ele – declarou “Darth”.

PALELEIPat Barry x Soa Palelei

Já testemunhei brigas de bar entre tiozinhos mamados mais técnicas do que Soa Palelei x Nikita Krylov. Para apagar a péssima impressão deixada em sua (re) estreia pelo UFC, o “Hulk” não deu mole pra Kojak e voou assim que pode nas pernas do atarracado americano. Na sequência, Barry, faixa-transparente de jiu-jítsu, levou menos de um minuto para ceder a montada. Trabalho curto para o dono da casa que alvejou a presa com sua mão de lancheira e levou a torcida à loucura puxando o tradicional grito “aussie, aussie, aussie, oi,oi,oi”.

Treino com o Mark Hunt e sabia que o Pat Barry não bateria mais forte que o Mark – mas ele tem uns chutes perigosos e achei que minha melhor chance seria no chão – disse o vencedor.

Acabou a luz aqui em casa e só pude assistir metade do último round de Bethe “Pitbull” Correia x Julie Kedzie.

Podem me ajudar com essa análise, amigos?

Abraços.

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