Análise técnica: entenda como Diaz bateu Maynard

Fernando Cappelli | 01/12/2013 às 22:45
NATEEE

Gancho mortífero entrando

E o boxe ensinado por Richard Perez na Califórnia fez mais uma vítima.

Os “Diaz Brothers” nunca foram pegadores natos, mas a precisão e o volume de golpes desferidos os colocaram no mapa.

Antes de Gray Maynard ir a nocaute ontem à noite, todas as últimas vitórias de Nate foram desenhadas em pé.

Jim Miller levou um knockdown e, na sequência, teve a cabeça decepada na guilhotina.

Donald Cerrone, o “Cowboy”, recebeu mais de 200 socos na lata e ficou irreconhecível até pra própria mãe.

Agora, vale reparar que o irmão mais novo de Nick brilhou com os punhos porque conseguiu tirar um wrestler “all-american” de cima momentos antes.

Vamos, então, analisar, setor a setor, a surra imposta ao “Bully” no TUF 18 Finale:

Grappling (por @renatosrebelo): 

Logo aos 45 segundos, Maynard deu pinta que apostaria no jogo de isometria – aplicando uma variação de single leg tradicional no wrestling.

Assim que Nate jogou um direto, Gray, com timing impecável, posicionou a mão esquerda na parte posterior do joelho e a direita no pescoço do rival.

No chão, Diaz imediatamente tentou uma raspagem de gancho, mas falhou e acabou na fechada.

Fã do ground and pound, Maynard carregou o rival até a grade para dar início ao amassamento.

Foi aí que Diaz abriu a guarda, ficou de lado e, com a canela, abriu espaço – empurrando o agressor.

A brecha possibilitou Nate virar de quatro e levantar-se junto à grade.

Já de pé, Maynard foi logo grudando, mas Nate, de ladinho, laçou um braço e projetou o quadril – tirando da cartola uma modificação do que os judocas chamam de harai goshi.

O movimento foi tão poderoso que os pés de Gray foram no lustre, os caras quicaram no chão e o próprio quedado terminou por cima.

Mas Diaz virou de quatro novamente, levantou e se desvencilhou do inimigo.

Trocação (por @fercappelli): 

Mais uma disputa canhoto (Diaz) x destro (Maynard) clássica, na qual trabalhar com inteligência os ângulos peculiares e o contato quase constante ‘punho com punho’ e ‘perna com perna’ (da frente) é essencial.

Nate veio com a tática simples de apostar em golpes retos, como diretos de esquerda e chutes frontais como base ofensiva.

Isso foi providencial para aproveitar as defasagens de movimentação de Maynard, que basicamente limita-se a avançar e recuar.

Parecia questão de tempo para que o wrestler fosse pego para valer – e isso aconteceu em poucos minutos.

Como a diferença de envergadura era acentuada e favorável à Diaz (1,93m x 1,78m), este usou duas variações da mais que manjada, comum, básica, rudimentar – mas sempre eficiente – sequência um/dois.

Assim deteve as investidas do oponente:

1 – ‘Cutucar’ constantemente com a mão direita a mão esquerda (na tal colisão de punhos) de Maynard e angular o corpo para arrumar espaço e mandar a pancada de canhota.

2 – Diaz mandava o direto de primeira, assim que Maynard entrava no seu raio de ação. Dessa forma, conseguiu desnortear o adversário de vez – que acabou atingido na fronte pelo soco justo de esquerda quando entrou de frente e tentou agarrar uma de suas pernas para derrubá-lo. Depois foi apenas completar o castigo com o oponente totalmente abalado.

Assim que foi interrompido pelo juiz, Nate olhou pra câmera, fez sua tradicional careta e mandou um recado para futuros desafiantes: “That’s whats up”.

E agora, quem atende o chamado? Dos Anjos?

Abraços.

  • Mateus Caraúna

    Nunca vou esquecer dessa surra!