Francis Carmont: comida de réptil ou ameaça real?

Renato Rebelo | 22/11/2013 às 04:35
1297470032927_ORIGINAL

Carmont e Philippou no jogo de xadrez

Mesmo invicto há cinco anos, Francis segue voando abaixo do radar de basicamente todo mundo que não pertence à família Carmont.

Decisões contestáveis a seu favor – contra Lorenz Larkin e Tom Lawlor– e 15 minutos abraçando Costas Philippou afetivamente no UFC 165 ajudam a explicar esse fenômeno.

Em pé, muitos jabs – marca registrada da Tristar Gym-, chutes na linha de cintura e na parte interna da coxa e alguns (poucos) diretos teleguiados.

Ou seja, muay thai bacaninha – porém, não dos mais contundentes.

O pão de cada dia é servido mesmo graças ao famoso “lay and pray” (tradução livre: deita e reza).

Carmont tira proveito dos seus avantajados 1,91m de altura e 1,98m de envergadura para encurtar a distância, quedar (double legs são a especialidade da casa) e manter a presa inerte (fulminar no ground and pound e avançar posições são objetivos secundários).

Em outras palavras, o estilo dificílimo de ser batido é o mesmo que queima seu filme com fãs daquele MMA moleque, solto e emocionante.

Mas, é assim que o GSP Negro se aproxima perigosamente do cinturão até 84kg: espremendo vitórias feito espinhas.

Acontece que, no dia 15 de fevereiro, Carmont terá pela frente um pesadelo logístico.

375FE9449255AF5869EDEF89C8EE8E

Jaca prendendo Chris Camozzi num omoplata

Em Jaraguá do Sul, seu robusto jogo de isometria será posto à prova contra um faixa-preta de judô bicampeão mundial absoluto de jiu-jítsu.

Realidade pouco animadora considerando que o “Sem Limite” já foi finalizado por Baga Agaev (?), Dan Burzotta (?) e Grzegorz Jakubowski (?) – e que Ronaldo Jacaré é tão inconveniente fazendo guarda quanto passando-a.

Um plano B cabível partiria da proibição do general Firas Zahabi ao engajamento franco no agarra-agarra.

Nesse caso, Carmont – que defende 86% das quedas que lhe são propostas no Ultimate – tem sim bala na agulha pra manter o conflito em pé.

Mas, até aí o risco é grande.

Movimentação de cabeça, evasão lateral e o jogo de pernas não são seu forte – pelo contrário, o europeu se embanana todo quando anda pra trás e precisa contragolpear.

Do outro lado, o invasivo réptil curte acuar a presa controlando o centro do octógono e não pisca até disparar a pesadíssima e precisa mão direita forjada por Josuel Distak.

Não me entendam errado, amigos, de forma alguma Carmont deve ser tirado pra pangaré.

Apenas acredito piamente que estilos fazem lutas e esse casamento é simplesmente terrível pra ele.

Concordam ou discordam?

Abraços.

Tags: ,