Ben Askren: desinteresse legítimo ou jogo de cena?

Renato Rebelo | 20/11/2013 às 02:25

Nem meses e meses de assédio financeiro e moral foram capazes de dobrar o irredutível Ben Askren.

“Funky” bateu firme o pé e cogitou pendurar as luvas caso renovar o vínculo empregatício com o Bellator fosse sua única alternativa.

Tudo em prol de um nobre sonho:

Não vou comprometer meus objetivos por valores monetários. O Bjorn Rebney me fez algumas ofertas e elas não eram ruins. Mas o principal motivo pelo qual entrei no MMA foi pra ser o número um do mundo. Não quero ser número seis. Quero lutar com os números cinco, quatro, três, dois e um agora mesmo. Todos esses estão no UFC e lá é o único lugar onde conseguirei conquistar meu objetivo – disse Askren ao repórter Ariel Helwani.

Sinucado, Rebney se rendeu à tenacidade do Biro Biro e abriu mão do direito contratual de igualar qualquer oferta para mantê-lo sob seu guarda-chuva (concessão negada a Eddie Alvarez – vale lembrar):

Eu tomei a decisão de liberar Ben Askren. Depois de conversar com ele, ficou claro que era melhor ambos seguirem em frente. Ele pode assinar com quem ele quiser e não vou empatar a oferta – mandou Rebney semana passada no Twitter.

Pronto. Agora é só atravessar a ponte, certo? Errado. A fronteira encontra-se, aparentemente, fechada:

Não tenho nenhum interesse. Tenho certeza que o WSOF vai pegá-lo. Ele é campeão do Bellator e eles não o querem. O que isso diz a vocês? Sobre o garoto e o nível dele, ele mal bateu o Jay Hieron. Ele tem trabalho a fazer e pode lutar em outra organização para ir subindo – jogou duro Dana White.

Depois de tanta dor de cabeça, Askren desesperou-se:

Se o Dana White quiser, eu luto com ele (Rory MacDonald) de graça e me aposento do MMA em caso de derrota – pra mostrar o quão confiante estou – disse novamente no MMA Hour.

Você deve estar se perguntando: não é vantajoso receber, de bandeja, um atleta olímpico, campeão invicto do maior concorrente?

Sim, é.

Mas, vamos mergulhar no caso.

Lembram-se por que Yushin Okami e Jon Fitch foram demitidos?

– Não nocauteiam nem finalizam
– Demasiadamente burocráticos dentro da jaula (não correm riscos)
– Incapazes de vencer tops / anulam jovens talentos
– Bolsas acima da média
– Pequena base de fãs

Chamado pelo próprio Dana, em 2012, de “cura para a insônia”, Askren tica todas – ou quase todas- opções acima.

E, amigos, esqueçam esse papo de lutar de graça.

12-0 no MMA, o condecorado wrestler recebe atualmente na casa de 100 mil doletas por apresentação.

Considerando que, apesar de eficiente, seu estilo unidimensional não é dos mais vendáveis, o custo-benefício da operação a esse preço torna-se questionável.

Eu não levo nada pro lado pessoal (a recusa). Sei que são negócios. Semana que vem, meu empresário vai a Las Vegas conversar com o Dana White e o Lorenzo Fertitta para ver como andam as coisas – encerrou Askren.

A tendência é que o obcecado cabeludo assine por quantia inferior e a novela não se prolongue muito.

Nesse caso, sob o olhar promocional do careca, o companheiro de equipe de Anthony Pettis viraria, magicamente, uma excitante adição ao peso-meio-médio.

A pergunta que fica é:

Aos 29 anos, há margem para evolução ou o velho Askren-cobertor -que deita em cima dos oponentes até o gongo final- dará as caras?

No segundo caso, a história nos ensina que qualquer tropeço pode ser fatal.

Abraços.

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