Análise tática: como Hendricks quase depôs GSP

Fernando Cappelli | 18/11/2013 às 20:31

O resultado final do UFC 167 – favorável ao campeão – apertado e passível de interpretações foi também recheado de peculiaridades, sobretudo no desenvolvimento geral do jogo canhoto (Johny Hendricks) contra destro (Georges St-Pierre).

Vamos esmiuçar pontos e detalhes que mais chamaram atenção:

Punho com punho

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Jabs se encontrando

Como a posição canhoto x destro causa o ‘problema’ dos punhos e pernas da frente espelhados entre os lutadores (ficam quase constantemente em contato), é preciso adaptar toda angulação para aplicar os golpes.

Os jabs de St.Pierre – geralmente usados de forma dinâmica e por dentro da guarda do oponente – foram menos eficientes desta vez pela habilidade de Hendricks neutralizá-lo e confundi-lo no jogo do ‘mão com mão’ (toques e choques da esquerda do destro contra a direita do canhoto).

O campeão ficou tão desconfortável com isso que, em dado momento, até segurou o punho do adversário por alguns segundos.

Sem o recurso de jabear fazendo o efeito necessário, St.Pierre aplicou chutes frontais pontuais e lowkicks rápidos com a perna direita contra a perna direita do adversário.

Mesmo sem abalar o barbudo, esses golpes lhe garantiram alguns pontinhos.

As principais vantagens de Hendricks:

1 – Manteve o controle da movimentação e não recuou em demasia.

2 – Na zona de striking, mesmo optando por contragolpear, o desafiante se manteve a maior parte do tempo no centro do octógono.

3 – Não deixou a movimentação lateral de St.Pierre anular o ângulo de seus golpes potentes de esquerda.

Minimalismos

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Upper entrando

Outra marca registrada de Hendricks foi se esquivar rapidamente para a esquerda (ao invés de ir para a direita) e desferir uppercuts e cruzados.

A melhoria técnica geral neste sentido foi visível, já que o norte-americano dosou mais a projeção do corpo para frente ao aplicar os socos – o que o deixava exposto em demasia.

St.Pierre estava bem treinado para aproveitar tais brechas.

Tanto que, habilmente, colocou bons cruzados de esquerda por cima do punho direito (da frente na posição de luta).

Acontece que o norte-americano rapidamente encolhia a cabeça e respondia sequências de dois ou três golpes.

Paredão

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A base sólida do wrestler frustrou quatro tentativas de quedas

Quando a velocidade das trocas de golpes aumentava, St.Pierre conseguiu algumas esquivas importantes, sobretudo dos diretos de esquerda.

Mas o canadense, desta vez, não conseguiu exercer a expertise das quedas certeiras – para depois trabalhar o ground and pound- quando a porralouquice em pé se acentuava ou representava algum perigo real.

Fora duas rápidas derrubada, Hendricks se manteve praticamente enraizado no chão.

O timing e a força do quadril do norte-americano compuseram paredão quase intransponível, que obrigou o campeão sair do clinch algumas vezes e aceitar novamente a trocação.

Impossibilitado de executar o plano A adequadamente, GSP acabou correndo mais riscos em pé do que o planejado.

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