Sexto Round palpita: Georges St-Pierre x Johny Hendricks

admin | 15/11/2013 às 06:43

Se tiver o braço levantado neste sábado, Georges St-Pierre roubará pra si dois vistosos recordes.

Primeiro, o de atleta mais vitorioso da história do evento – com 19 triunfos.

Segundo, o de vitorias em disputas pelo cinturão (12).

Nada mal pro camarada que mais vezes derrubou seus adversários (75) e tem a melhor taxa de defesa de quedas (88%) da empresa, não?

Acontece que do outro lado do octógono um matador o aguarda.

Além de, no papel, ser o wrestler superior, Johny Hendricks possui uma das canhotas mais mortíferas do esporte.

E aí, quem venderá mais garrafas na MGM Grand Arena?

Vamos à analise da luta principal do UFC 167 pelas das Mães Dinahs do Sexto Round:

FERNANDOFernando Cappelli

A cada atuação, St.Pierre parece conseguir extrair o melhor de cada fundamento. Tem timing, fintas e variações tão bem treinadas que transformam golpes básicos – como jabs- em mortíferos. À essa habilidade, o melhor aproveitamento tentativa/acerto em quedas, além de transições bem tramadas que compõem um padrão complicadíssimo de ser vencido. Hendricks tem uma jamanta na mão esquerda. Com essas trombadas ao melhor estilo ‘mate ou morra’, enfileirou os melhores da categoria até chegar. Mas o carro-chefe do atarracado barbudo é o wrestling de alta estirpe, que usa com muita propriedade para abafar, golpear ou reverter qualquer atraso em clinches e quedas. Para o campeão, pode ser arriscado confiar e esperar por contragolpes contra alguém com tanta potência, vontade e dentes cerrados. Cravar um All-American tão pica quanto Hendricks no solo também pode ser missão indigesta. Mas a via é de mão dupla. O norte-americano até agora também não enfrentou ninguém com a expertise técnica e o senso de controle de St.Pierre. O dedicado canadense pode não ser o melhor abreviador de resultados no octógono, muito menos o cara que mais se arrisca, mas fatalmente tornou-se o mais regular. O grande ponto aqui será usar as variações de jabs, diretos curtos de direita (outra marca registrada) e mais combinações de chutes baixos para deter o ímpeto naturalmente brutal do adversário, além de saber aproveitar de forma consciente as brechas e aberturas na guarda comumente deixada pelo oponente ao disparar os mísseis com os punhos. Acho que é isso. E St.Pierre vence nos pontos.

RENATO_EDITRenato Rebelo 

Só eu que achei GSP menor desde que exames antidoping extra-oficiais foram encomendados (por ele mesmo)? Enfim, achismos à parte, se tivesse que botar um troco na reta, nas CNTPs, apostaria em 25 minutos de jabs dilaceradores de ossos orbitais e meia dúzia de defesas de quedas a favor do campeão. No entanto, fatores exógenos interferem no veredicto mais óbvio. Dos treinos com a equipe canadense de ginástica olímpica passando pela compra de um octógono com medidas oficiais – assim que soube que Hendricks praticava num desses- à contratação de Rick Story (único algoz de Johny no MMA), a obsessão por performance do “Rush” é inquestionável. Acontece que os boatos sobre sua aposentadoria nunca estiveram tão fortes – o que me faz questionar onde ele está mentalmente. Kristof Midoux e Firas Zahabi, mentor e “head coach”, respectivamente, disseram unissonamente na última semana que gostariam de ver o pupilo pendurando as luvinhas no sábado. Meu ponto é: admitindo que, onde há fumaça há fogo, a chama competitiva do milionário supercampeão dos meio-médios, que vai completar 12 anos de carreira em janeiro de 2014, pode estar se extinguindo. E atravessar esse tipo de dilema exatamente contra um cidadão enorme pra categoria cuja mão esquerda foi encontrada num cemitério indígena e o rosto está estampado no “wrestling hall of fame” da poderosa universidade de Oklahoma não me parece suave. Vejo Georges respeitando demasiadamente o poder do “Big Rigg” que, faminto, engolirá uma pá de jabs para manter o controle do octógono. Com GSP caminhando pra trás, a agressividade do barba matará a diferença de envergadura e a estratégia de magoar em cima e entrar nas pernas, usada contra Carlos Condit, o destacarão nas papeletas dos jurados. Com exceção de Rocky Marciano, todo mundo perde e chegou a hora do franco-canadense. Muito sangue, 49 a 46 e um novo xerife na cidade.

E pra vocês, amigos, quem leva?

 Abraços.
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