Vitor Belfort: há como enxergar o copo meio vazio?

Renato Rebelo | 12/11/2013 às 22:33
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Vitor tentando liquidar Hendo

Na minha cabeça, a canelada que botou Dan Henderson pra contar carneirinhos pela primeira vez em 17 anos de carreira assinou uma rendição mundial à evolução de Vitor Belfort.

Curiosamente, eu estava enganado.

Nos últimos dias, esbarrei com muito ceticismo – principalmente, por parte da imprensa gringa- em minhas andanças pela grande rede.

Pelo que constatei, os que ainda torcem o nariz pro “Fenômeno” sustentam-se em dois pilares – que são:

Pane seletiva

Desde a conquista mais importante da carreira (graças a um corte semi-acidental no olho esquerdo de Randy Couture – verdade seja dita), Vitor foi subjugado em outras três disputas de cinturão.

E a sina de congelar em decisões não se limita aos nocautes sofridos para Anderson Silva, Couture ou à finalização de Jon Jones.

Do UFC 46 até janeiro de 2013, Vitor bateu uma galerinha mais ou menos (Antony Rea, Kazuo Takahashi, Ivan Serati, James Zikic, Terry Martin, os já aposentados Rich Franklin e Matt Lindland e o agora meio-médio Yoshihiro Akiyama, por exemplo) e caiu diante de todos os figurões que cruzaram seu caminho: Chuck Liddell, Tito Ortiz, Alistair Overeem (duas vezes) e um Dan Henderson sete anos mais jovem.

Mesmo na versão 2.0 com banco de couro, GPS integrado e teto solar, quem garante que o carioca vai puxar o gatilho na hora H?

Por mais relevantes que sejam, Michael Bisping, Luke Rockhold e o agora quarentão Hendo não trazem consigo a pompa do ex-carrasco Anderson Silva, nem a confiança do garotão invicto que derrubou o “Spider”.

Para esses críticos, o carioca simplesmente não é confiável contra oponentes fora de série – capazes de levá-lo além do primeiro round.

TRT

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O chute que liquidou a fatura

Com exceção do Rogers Center, que comporta até 55 mil fãs canadenses enlouquecidos por GSP, Las Vegas é o local mais rentável para o UFC mandar seus eventos.

Além da alta demanda inflacionar o preço do ingresso, o custo de produção é pequeno – uma vez que o quartel general da Zuffa fica próximo aos cassinos.

Se A.S. bater Weidman e aceitar enfrentar Belfort (e aí são dois grandes “ses”), um estádio brasileiro passa a ser alternativa viável.

Agora, caso o All-American apronte – ou o paulista abra mão do cinto-, a Cidade do Pecado seria a escolha natural para arrecadar uma bufunfa (já que Belfa x Weidman tem, inegavelmente, menos apelo).

Acontece que, em 2006, Vitor foi flagrado no exame antidoping pela Comissão Atlética do Estado de Nevada e, na sequência, ignorou a suspensão de nove meses para lutar na Inglaterra.

Por isso, o uso da polêmica terapia de reposição hormonal será prontamente negado.

E aí surgem dúvidas:

O carioca se apresentaria tão forte e explosivo sem as injeções?

E se outras comissões atlética seguirem o exemplo da NSAC e embarreiraram Belfa?

Será que o Ultimate buscaria outra solução para não colocar em risco a performance do astro?

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Comemorando…

Felizmente, o grande público ainda põe as mortíferas atuações de 2013 acima de polêmicas, especulações ou insucessos passados.

Por ser irrefutável o fato que, aos 36 anos, o “Velho Leão” tornou-se um mix perfeito de trabalho duro, maturidade e técnica no estado da arte, o bloco carnavalesco “TRT não ensina a chutar” só cresce.

Afinal, qual outro troglodita, a essa altura do campeonato, treina dia sim, outro também muay thai com o campeão mundial Cosmo Alexandre, kickboxing com Tirone Spong, Alistair Overeem e Henri Rooft, boxe com o cubano Pedro Diaz (mentor de Miguel Cotto), wrestling com Kenny Monday e jiu-jítsu com o campeão mundial com e sem quimono Gilbert Durinho?

Pará-lo pode, simplesmente, não ser mais uma possibilidade.

Weidman, sem nenhuma condição de trocar em pé, teria que transpor força física, wrestling sólido e jiu-jítsu Carlson Gracie pra tentar a sorte.

Já Anderson, aos 39 anos, dependeria da saída de outro coelho mágico da cartola – porque, no volume, pode muito bem acabar deitado.

Confesso a vocês que nunca fui o maior fã do “Jovem Dinossauro” – principalmente pelos trejeitos do indivíduo.

Mas, perante a sumidade técnica que ele se tornou, me converti a crente do seu poder de fogo.

Abraços.

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