Pensando alto: a análise informal do UFC FN 32

Renato Rebelo | 10/11/2013 às 06:20

Cinco derrotas em nove lutas transformaram o UFC FN 32 no pior evento já realizado no Brasil para atletas brasileiros.

No entanto, o “main event” trouxe um “Velho Leão” que quebrou vidraças nas cercanias da Goiânia Arena com seu rugido ensurdecedor.

Sem muita enrolação, vamos à minha confusa análise do card principal:

BELFORTVitor Belfort x Dan Henderson

Pela terceira vez em 2013, o “Jovem Dinossauro” derruba queixos do Oiapoque ao Chuí com sua pernada homicida. A britadeira produzida por Henri Rooft e cia na Flórida rachou ao meio um bloco de concreto inviolado em 16 anos de guerra. Grande façanha digna de recompensa ainda maior. Gostando ou não do indivíduo, negar o “title shot” a Belfa na atual conjuntura beira a insanidade.

Temos a revanche entre Anderson Silva e Chris Weidman. Ela ainda tem que acontecer. Mas, claro, o Vitor é o próximo – sacramentou o patrão Dana White na coletiva de imprensa.

MUTANTECezar Ferreira x Daniel Sarafian

O atarracado paulista sempre soube que manutenção de distância via jab não é a onda do pupilo de Vitor Belfort. Sendo assim, Sarafian se lançou ao mar fechadinho ignorando a envergadura superior do campeão do TUF. Acontece que Mutante tinha uma carta na manga: o wrestling. Com quedas cirúrgicas, ele esfriava a disputa sempre que o rival se animava. Decisão sacal a favor do brasileiro mais vaiado em solo nacional desde o nascimento de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro.

O Sarafian é muito bom, tive que usar o plano B para vencê-lo. Ele é um grande amigo meu e tenho certeza que, tanto ele quanto eu, vamos dar muito orgulho a vocês ainda – lançou o mineiro ainda no cage.

FEIJAORafael Cavalcante x Igor Pokrajac

Estudado, Feijão deixou o croata grudá-lo na grade para fazer uso do clinch que fez seu nome no Strikeforce. A partir daí, a força de maluco forjada no subsolo da X-Gym e uma série de joelhos devoradoras de costelas selaram a parada. Ao mesmo tempo que o paulista tira uma tonelada das costas, o pessoal do RH prepara aquele e-mail triste pro ex-sparring de Cro Cop – que não vence desde maio de 2012.

Não tem preço colher os frutos que você planta. Me dediquei muito pra essa luta. Estava ali pra fazer 25 minutos naquela intensidade dando risada – disse Rafael.

BRANDONBrandon Thatch x Paulo Thiago

Ex-campeão de caratê, destaque no circuito nacional de kickboxing e promessaça do MMA“Rukus” provou, pela segunda vez no maior palco do planeta, que estamos diante de uma das maiores promessas do peso a médio-longo prazo. Com uma bomba na linha de cintura, PT, maior zebra da noite, pediu as contas antes das primeiras gotas de suor escorrerem. Infelizmente, com cinco derrotas nas últimas sete, o Caveira está próximo de ter a roupa preta retirada à força.

Eu gosto do Paulo Thiago. Ele é um cara muito duro, mas vamos conversar pra ver o que acontece. Não tomo esse tipo de decisões logo após as lutas – mandou o careca em bate-papo com a imprensa.

LAFLARERyan LaFlare x Santiago Ponzinibbio

Invicto no MMA, o wrestlerzão nova-iorquino uniu o útil ao agradável explorando o maior buraco no jogo do argentino sangue bom: a isometria. Prova cabal é que Santi sofreu de insuficiência pulmonar cedo e foi neutralizado por um carrapato cheio de saúde. Nem as bombas do ex-TUF, que balançaram o companheiro de Costas Philippou no R3, tapeariam o destino: decisão unilateral.

Eu senti como se estivesse perdendo a luta, então achei que precisava correr atrás. Não sei se isso é bom ou ruim, mas é assim que luto… A mão do cara é uma pedra, tentei não ser golpeado, mas ele é um cara duro – declarou o Blackzilian.

STEPHENSJeremy Stephens x Rony Jason

O cara que nocauteou Rafael dos Anjos, levou Anthony Pettis ao limite e atuou 17 vezes pelo Ultimate veio ao Brasil provar que a migração para o peso-pena foi acertada. E provou. Com 40 segundos de papo, o joelho do “Esquentadinho” encontrou o botão de liga/desliga do mascarado e deu início a uma noite amena para a Team Nogueira – que terminou com 1-2 no placar.

Após a luta, o Rony Jason deu um soco na parede do vestiário e foi levado ao hospital. Não sei se é sério, mas esse tipo de coisa acontece com um garoto novo que sofreu uma derrota devastadora como essa. Às vezes fazemos coisas estúpidas – revelou o presidente do UFC.

Observações sobre as lutas preliminares, amigos?

Abraços.

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